Esse único beijo me trouxe várias emoções ao mesmo tempo. Uma delas me fez segurar seu rosto com mais força e passar meu braço esquerdo por trás da sua cabeça prendendo-o contra mim. Mas eu não sentia sua resposta, nem no beijo e nem no seu corpo que estava tenso e duro contra o meu. Isso me fez afastar ainda relutante para continuar, mas não é a mesma coisa se ele não responde.
-desculpa se ti fiz passar por tudo isso... Não queria isso pra nós, eu não pensei que você ficaria assim
Segurei a gola da sua blusa e olhei fundo nos seus olhos enquanto dizia isso em voz alta. Era estranho o modo que ele ainda me olhava, um pouco frio e pensativo. Isso me preocupou um pouco porque não queria que ele ainda ficasse assim comigo mesmo depois disso tudo que fiz mostrando meu amor por ele que parece duvidar.
-não sei se perdôo você
Sua voz parecia rouca e eu senti uma coisa estranha me perfurando no meio do peito me fazendo soltar sua gola e me afastar. Eu fiquei o encarando com desprezo não acreditando que tudo isso que fiz agora não adiantou nada, ele não sente mais nada? Porque isso fica acontecendo com a gente?!
-como assim não sabe jass? Ainda tem dúvidas?
Perguntei segurando o choro lutando com todas as minhas forças para isso não me fazer chorar, não vale a pena se ele não sente mais nada por mim. Devo jogar fora esse sentimento e viver normalmente como estava vivendo, à quem quero enganar!? Eu não vivia normal!
Podemos superar isso juntas.
E ele não respondeu nada ainda, a única coisa que fez foi levantar os ombros e balançar um pouco a cabeça confuso. Mas foi o suficiente pra mim poder derramar as lágrimas soluçando alto e depois tampando meu rosto com minhas mãos. Mas depois, eu me entreguei a raiva, aquela raiva dela que era mais forte do que a dor. Ela está do meu lado apenas para acabar com meus sentimentos, mas nesse momento eu quero que ela faça isso mesmo porque eu não aguento mais sofrer por causa disso.
-quer saber então jass?
Perguntei fingindo um sorriso enxugando as lágrimas, depois fiz um gesto com as mãos jogando elas no ar e levantando meus ombros. Olhei pra ele pela última vez e decidi desisti de vez disso.
-eu desisto, se quiser... Pode continuar assim...! Eu não ligo mais!
Gritava chorando desesperada encarando sua expressão que não parecia ter sido trocada em nenhum momento, não... Ele continuou frio sendo o ser que ele foi feito pra ser, o garoto amaldiçoado que gosta de ver os outros sofrerem. E enquanto pensava nisso, eu percebi que ainda estava aqui olhando pra cara dele. Então me virei de costas e marchei de raiva de volta pra casa pensando em ficar o dia inteiro no quarto. Mas parei quando estava longe o bastante dele e me ajoelhei no chão sentando nos meus pés ficando com a cabeça abaixada e cobrindo meu rosto com as mãos ainda chorando de raiva. Depois veio aquela coisa subindo pelos meus pés até possuir meu corpo inteiro me provocando a gritar de tanto ódio dentro de mim. Levantei dali pegando um galho grande que estava bem na minha frente, eu o usei para acertar o tronco de uma árvore fina quebrando dois no meio. Mas não parei de destruir a floresta e peguei uma pedra jogando ela longe usando toda minha força vendo ela cair no chão e rolar duas vezes. Observei ela ali por dois segundos e depois voltei a procurar mais coisas para destruir despejando e amenizando minha raiva.
Vamos, coloque tudo pra fora!
-Et an idiot!! Et ne dimittas me!!
Gritei chutando a terra embaixo dos meus pés machucando meus dedos nas pedras mas continue andando arranhando uma árvore toda vez que passava perto. Eu sabia que minhas mãos não estavam mais normais, mas era uma sensação boa ver as cascas saindo dos troncos delas sem eu menos sentir isso nos meus dedos. Eu já havia parado de marchar e passei a andar normal estabilizando minha respiração e abraçando minha barriga para minhas mãos voltarem ao normal. Mas logo elas já estavam humanas de novo e eu respirei fundo fechando os olhos sentindo o cheiro dos matos que antigamente costumava me acalmar, mas agora só me faz sentir falta dos dias que vivia aqui... No meio de tantas árvores. Uma coisa que instantaneamente me deixou menos estressada depois de ter perdido toda raiva a poucos minutos atrás.
Já totalmente calma, eu cheguei em casa abrindo a porta de trás meio hesitante por causa da preocupação em encontrar meu pai e ele me ver assim. Mas não havia ninguém, estava tudo escuro e silencioso, claro que não me importava em ficar sozinha agora eu preciso de um tempo só comigo e meus pensamentos. Escolhi a opção de tomar um banho e procurar algo para fazer e me distrair.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
