Os lábios dele eram macios e quentes, ao mesmo tempo eu estava confusa e sentindo uma energia esquisita que gritava dentro de mim. Ela se transformava em agressividade e eu acabei o empurrando com muita força, bati seu corpo na árvore e mantive minhas mãos no seu peito segurando sua blusa e olhando pra ele com os olhos arregalados com a respiração acelerada e pensamentos embaralhados. Oque aconteceu!?
-porque fez isso?
Perguntei me afastando com presa me levantando de lá, fiquei encolhida olhando pra ele com nojo limpando minha boca ficando irritada agora. Não tirei meus olhos dos deles enquanto se levantava também com um certo sorriso que eu sabia que não era para aparecer. Primeiro ele levantou as mãos respirando fundo e quando ia dizer alguma coisa, eu me virei rápido quase correndo de volta para o prédio chorando de raiva com tudo dentro de mim destruído por aquele simples ato. Passava pelo corredor correndo agora chamando atenção, fui até a minha sala abrindo a porta rápido fazendo um barulho alto quando ela bateu na parede, todos ficaram em silêncio enquanto eu pegava minha mochila e voltava para o corredor ainda chorando.
Sair de lá correndo até chegar a calçada evitando olhar para o campus. Quando já estava longe de lá, eu pude respirar fundo um pouco aliviada confusa com tudo aquilo, mas não tinha muitas coisas para pensar sobre isso. Ele não via que eu gostava dele de outro jeito? Oque deu nele? Eu prefiro esquecer... Não quero mais vê-lo... Quero esquecer...
Depois de cinco minutos pensando sobre isso tropeçando na calçada por não prestar atenção no meu caminho, eu noto que um carro está me seguindo e logo olho percebendo que era daquela mulher que parou perto de mim abrindo a porta pra mim. Sua expressão era calma e fria comigo, mas eu aceitei isso. E lá dentro eu olhava pela janela o tempo todo tentando entender porque ele tinha feito aquilo, eu não sei porque... Quero concluir que não vou mais vê-lo... Que aquilo só foi um beijo. Que não foi nada demais ou algo que eu tenha que me preocupar. Marie do meu lado não dizia nada e é claro que ela me levou pra casa dela, com certeza pra mim lavar a louça que já deve está me esperando. Eu não liguei muito pra isso... Não quero mais ver isso como um problema porque já tenho um maior ainda. E tem a ver com me esconder ao máximo para que aquele garoto não me encontre na rua, só não sei como vou fazer para ir na escola amanhã sem que ele me encontre no caminho.
Quando chegamos lá, eu fui direto para o pequeno quarto simples que era meu. Deixei minha mochila no chão e me sentei na cama cobrindo meu rosto com minhas mãos, eu não sei oque estou sentindo... Eu devo ter deixado ele machucado quando sair de lá daquele jeito. Mas se ficasse teria que explicar muita coisa, primeiramente que a que se refere no fato de eu não sentir nada por ele. Eu o machucaria ainda mais... Mas não sei oque fazer agora.
Pensava nisso tomando banho e me vestindo também, uma roupa simples que estava sobre a cama quando sair do banheiro. Uma blusa branca fina que me lembrava meu vestido, um short folgado preto feito de um tecido macio e leve, parecia cetim. Me vestir e fui para a cozinha, ela estava no seu quarto então eu fiquei mais a vontade. Peguei aquele pote de geleia de morango na geladeira e fiquei comendo devagar com meu dedo, me peguei também olhando para o nada com o olhar perdido pensando naquilo de novo. Confusa eu tentava pensar também em como esconder isso do jass, ele já tentou matá-lo uma vez, e com certeza deve conseguir. Na primeira vez ele pareia fazer aquilo por diversão, mas se ele souber disso, ambos podem se machucar e eu não quero isso. Principalmente para Joseph que não... Teve culpa de nada... Apenas fez algo que não deveria... Eu não quero mais pensar nisso, não vou contar a ele nunca. Se depender da sua segurança e a do Joseph também, isso vai ficar comigo até quando for necessário.
Escutei passos atrás de mim e ignorei quando ela passou por mim mexendo no meu cabelo, acho que isso foi uma forma de carinho. Mas mesmo assim eu encarei as costas dela com ódio enquanto ela ia até a geladeira e tirava um saco com algo dentro, depois pegou uma faca grande da gaveta do armário e começou a cortar a coisa dentro daquele saco. Parecia carne, fiquei observando ela fazer aquilo curiosa e encantada com todos os cortes perfeitos que ela fazia naquela cosa vermelha que escorria um caldo nojento. Não sei porque mas isso me deixava calma, até eu perceber que ela tinha se virado e me encarado sorrindo.
-que é?
Perguntei voltado a minha posição no banco quase sem jeito com isso, continuei comendo aquilo sem vontade mas só estava esperando ela se virar de novo e eu poder sair daqui. Isso só aconteceu depois de quase dois minutos inteiros, não pude deixar de espiar por debaixo do seu braço aquilo de novo. Me vazia lembrar de alguma coisa, não sei porque isso me deixa tão calma. Gosto de observar.
-você costumava ficar aí em cima do balcão me observando
Essas palavras me trouxeram lembranças estranhas, eu estava mexendo em alguma coisa, pegava alguma coisa pra ela e depois ela sorria e me agradecia. Uma cena de mãe e filha, ela parecia ser tão carinhosa comigo nessa cena... Parecia até que gostava de mim.
-algumas vezes você me ajudava também, tive muito trabalho cuidando de todos os seus machucados porque se cortava com as facas quando tentava me imitar...
Ela riu um pouco colocando um pequeno pedaço da carne em uma frigideira quente no fogão, depois lavando as mãos e enxugando em um guardanapo olhando pra mim com um sorriso forçado escondendo uma expressão de dor.
-sei que cresceu e também sei que me odeia, mas não vou deixar de amar você minha filha
Isso me fez morder o beiço engolindo um choro idiota. Isso atingiu aquela tristeza de novo, eu não queria me entregar a isso e chorar aqui. Mas quando eu vi, eu estava encarando o pote de geleia deixando uma lágrima cair. Senti ela na minha bochecha e eu não pude disfarçar e limpei com as costas da minha mão direita colocando um pouco de geleia na boca engolindo um soluço. Foi aí que eu endureci quando sentir ela me abraçando por trás colocando seu queixo em cima da minha cabeça e beijando meu cabelo, meus ombros caíram mas foi por causa do choque. O corpo dela era quente diferente do meu, suas mãos ficaram envolta dos meus braços e eu só percebi oque estava acontecendo três segundos depois.
-me larga!
Pedi rosnando tirando seus braços de mim, tentei levantar dali e correr para meu quarto. Mas ela me segurou pelo pulso com muita força, eu parei na hora e tropecei na direção dela. Mas ela me segurou com força me dando outro abraço. Eu fiquei dura de novo ainda rosnando mas não podia fazer nada, ela prendeu meus braços com os delas e eu não tive outra escolha além de me render a isso.
-eu te amo tá bom...?
Rosnei de novo e pisei no seu pé empurrando ela depois. Limpei meus braços e a encarei, vi seu sorriso idiota e fechei minha cara marchando para o quarto batendo a porta com força. Me joguei na cama e me envolvi no lençol grosso decidindo dormir para não pensar nisso e naquilo também.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
