Capítulo 8

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Ele ia na minha frente parecendo concentrado olhando somente para frente e nenhum outro lugar, eu estava enlouquecendo tentando adivinhar o porquê daquele "quero" ter saído de mim. Eu sei não porque fiz isso... Eu sinto que isso é errado, mas não tem como desisti, eu não dormiria em paz até descobri que lugar é esse. Ainda estamos na floresta estranha, chovia mais forte e o som do vento forte ao redo de nós era assustador.
Eu olhava o tempo todo para o chão tentando não fazer as gostas de água caírem pelo meu rosto, meu cabelo está saindo do capuz da blusa e caindo sobre meus ombros. Meu vestido me incomodando de novo grudando no meu corpo. Fiquei cansada de tentar pegar menos chuva e acabei me irritando com a blusa e com meu vestido também. Mas tirei somente a blusa e a coloquei em cima do meu ombro, não gostava de ficar molhada e com o vestido, antigamente eu tirava e esperava me secar, mas recentemente fiquei sabendo que não estou sozinha nessa floresta. Tirei essas coisas que fazia antes da minha lista de maneiras de como não ficar molhada.
Ele continuava em silêncio e concentrado demais me deixando ansiosa, eu queria que ele fizesse algumas das perguntas bobas para só para me sentir um pouco menos estressada e tentar não acabar rasgando mais um dos meus vestidos que recebo com tanto amor de meu pai, ele não sabe oque eu fiz com o último...
-estamos quase chegando
Ele falou de repente dobrando para direita passando por cima de duas pedras enormes que circulava uma pequena represa de água entre elas, água suja e marrom pela lama do solo. Ele colocava os pés nos lugares certos sem escorregar passando para o outro lado sem dificuldade e continuou andando no mesmo ritmo.
Resolvi pular de uma vez e quase deixou a blusa cair na água suja quando estava do outro lado. Eu me jogaria nessa poça de água para ir atrás dela, não importa se está molhada, eu quero continuar com ela.
-olha, está bem ali
Ele parou do nada e eu quase esbarro nas suas costas por está ajeitando a blusa no meu braço. Passei do seu lado e olhei na direção que ele apontava, era uma pequena área aberta e eu conseguir ver uma coisa escura bem no meio da neblina que tinha em torno dessa área. Parecia uma construção... Uma casa? Mas era tão pequena e no meio do nada. Ele mora aqui?
-vem
Ele pediu abrindo um sorriso leve dessa vez, depois ele se dirigiu na direção daquilo e me deixou confusa tentando adivinhar as respostas para tudo isso. Talvez seja uma casa, talvez de um humano... Porque ele me trouxe aqui meu Deus!?
Porque concordei em vir aqui!!?

Fiz uma careta pela minha própria ingenuidade, eu mereço tudo de ruim que acontecer comigo aqui. Mas eu continuei andando atrás dele me irritando mais ainda com a grama alta passando pelo meu vestido levando ele junto também me puxando.
Quanto mais perto ficávamos eu via que a casa estava pegando uma forma retangular, era feita de madeira escura e tinha uma cortina dos seus lados por causa da chuva que caia pelo telhado. Eu parei na sua frente sem perceber a pequena porta bem perto de mim, eu olhei pra ele uma vez esperando abri-lá, minha curiosidade tirava todos os meus medos de ser habitada por humanos, mas isso não tirava minha ansiedade nenhum segundo. Eu queria conhecer esse lugar misterioso.
E quando ele abriu a porta eu entrei primeiro por ele ter deixado um pequeno espaço para mim passar, agradeci seu cavalheirismo mas eu cuidei de entrar.
Lá dentro era pequeno e quente, tinha algumas coisas espalhadas pelas paredes e pelo chão, tinha uma espécie de caixa bem grande no canto direito quase atrás da porta, do lado dessa caixa tinha uma outra menor e feita de paus de madeira e em cima tinha uma bacia de água prateada. Olhei minha direita e tinha uma coisa maior branca e parecia ser do mesmo formato que da casa, mas era plana e tinha quatro pés nas pontas mantendo ela em pé. Fiquei mais intrigada com essa coisa do que com o resto de tudo que tem aqui, me aproximei dela devagar e toquei sua superfície sentindo uma coisa muito macia e parecia ser do mesmo material que as roupas que eu e ele tínhamos. Era tão macio... Senti vontade de me jogar em cima se não tivesse molhada e sendo observada por alguém parado perto da porta já fechada deixando o som mais baixo da chuva lá fora. Tinha uma coisinha menor e branca no canto dela colocada lá como se fosse para enfeitar. Tive vontade de pega-lá também e não percebi que estava caminhando na sua direção e a toquei com cuidado por meus dedos afundarem nela.
Ouvi uma coisa se abrindo e percebi que ele mexia em alguma coisa com formato retangular também, só que tinha portas e ficava em pé do lado de onde a coisa macia se encontrava. Demorou um pouco para eu perceber que ele pegou uma coisa vermelha na mão e na outra tinha uma manta branca, ele andou até ficar na minha frente e sorriu me oferecendo primeiro a coisa vermelha. Eu fiquei encarando aquilo meio insegura sem saber oque era. Parece um pano...
-pra você
Ele disse ainda sorrindo levemente de um jeito gentil me deixando mais a vontade, a curiosidade falou mais alto e eu dei um passo para frente estendendo minha mão direita para pegar a coisa vermelho vivo. Quando peguei a ponta e puxei de leve até saí da sua mão, percebi que era um vestido muito bonito do mesmo estilo que os que meu pai me dava. Sem acreditar no que estava vendo eu o peguei com minha outra mão e o coloquei na minha frente descendo meus olhos por ele admirando a minha nova cor favorita. Era tão bonito, onde ele arrumou isso???
Eu não quis saber de mais nada e continuei alisando o tecido fino e delicado demais, fiquei com medo de molha-lo então eu o dobrei com cuidado e tirando meu sorriso do rosto, era primeira vez que fiz isso na sua frente. Nunca sorri para mais ninguém além de meu pai, pra mim é como um gesto quando você gosta de alguma coisa, um pessoa, um objeto muito especial. Mas infelizmente não posso vestir...
-qual o problema? Não gostou?
Ele não pegou o vestido quando o entreguei de volta e ficou confuso por eu não ter explicado nada ainda. Ele estava com as sombrancelhas juntas e eu senti uma dor dentro de mim por não poder aceitar.
-não quero molha-lo
Expliquei ainda entregando o vestido com pena, ele pegou com cuidado também na sua mão e depois me entregou a manta branca no seu braço.
-pode se secar com ela
Então eu a peguei e a abri passando ela por trás de mim e me cobrindo sentindo o cheiro diferente e fraco dessa vez.
Vi a pequena mesa da altura dos meus joelhos perto da coisa grande e macia, era perfeita pra sentar, então eu fiz isso deixando a blusa do meu lado ainda planejando em levar ela quando saísse daqui. Ele ainda mexia naquela coisa com duas portas, tive que me esquivar curiosa para saber oque tinha lá dentro, pude ver várias coisas e quase todas das mesmas cores, cinza, preto, branco. Ele fazia alguma coisa com as que tinham a cor branca. Dobrava em quadrados e colocava elas em duas pilhas uma do lado da outra.
Era uma coisa legal de se ver porque ele sempre deixava as roupas do mesmo tamanho e empilhadas a perfeição.
Disfarcei quando ele fechou as portas e pegou outro tecido branco nas suas mãos andando para perto de mim entregando ela pra mim de novo.
-pode vestir isso se quiser
...?
-atrás da porta
Ele apontou sorrindo do mesmo jeito e depois se virou de costas pra mim caminhando na direção da coisa com portas e ficou lá mexendo de novo com a cabeça abaixada.
Analisei o lugar que ele falou, tinha uma parede do lado da caixa grande que ficava quase perto da porta, era um cantinho escuro e pequeno. Mas perfeito para me trocar, então eu fui lá carregando o tecido branco que ele me deu e ainda coberta pela manta sem coragem de tira-lá ficando com um pouco de frio.
Me coloquei ali dentro e tirei primeiro a manta deixando ela pendurada na parede e logo em seguida meu vestido. Mas eu peguei a manta de novo para me enxugar e passei ela pelo meu cabelo tentando fazer ele ficar menos molhado, porque seco só amanhã. Também vi oque ele tinha me dado naquela hora, era só uma blusa grande demais que ia servi como um vestido pra mim, era comprida o suficiente para cobri meu corpo até meus joelhos. Então eu a vesti rápido mas com cuidado para não molhar ela com meu cabelo.
Quando já estava seca e com a blusa de mangas curtas e finas, eu peguei a manta de novo e me cobri com ela de forma parecida com uma capa e sair dali com meu vestido na mão.
Voltei a mesinha pequena e percebi que a sua blusa não estava mais ali, somente uma mancha escura onde ela ficou.
-me dá isso
Ele pegou meu vestido de repente e andou até a bacia prateada jogando ele lá dentro sem a menor delicadeza. Eu fiquei acompanhando ele com meus olhos tentando ver onde ele tinha enfiado a blusa, eu queria leva-lá comigo ainda, ele guardou?

Fiquei pensando se ainda poderia perguntar onde ela estava, mas decidi deixar isso pra lá. Procurei uma forma de secar meus cabelos e os puxei para meu lado torcendo-os para água sair, eu não gostava de esperar eles secarem, ficam finos e parecem poucos demais molhados.
Comecei a sentir frio com o vento que estava vindo por baixo da porta, começou pelos meus pés e depois eu os recolhi juntando minhas pernas sentindo que estava subindo pelo meu corpo. Logo em seguida fiquei com os braços congelados mesmo embaixo do pano da manta eu tentei evitar isso pegando uma parte dela que estava sobre a mesa e fiquei encolhida vendo a chuva pela pequena janela do lado da porta. Era alta mas eu podia ver o cinza do dia lá fora pelos vidros sujos e arranhados pelos respingos.
-de quem é essa casa?
Perguntei baixo pra ele ainda olhando lá fora, eu queria saber muita coisa ainda, mas comecei com o mais importante no meu conceito. Descobri que estava curiosa sobre tudo em minha volta de repente, eu estou no desconhecido e não faço ideia de como esse lugar surgiu aqui sendo que eu ando por essa floresta inteira. Mas nunca encontrei casas.
-encontrei... Abandonada
Me espantei com ele sentado na beira da coisa macia, virei meu rosto até encarar o seu como se quisesse que ele continuasse. Ele havia trocado de blusa e estava com uma branca quase cinza, seu cabelo ainda jogado sobre o olho. Aquela vontade de toca-lo voltou e eu obriguei minhas mãos a permanecerem embaixo da manta.
-acho que não morava ninguém, eu só venho aqui de vez enquando passo mais tempo por aí
Ele fez um gesto com a mão indicando o por aí, percebi que ele estava fugindo dos meus olhos e se arrastou até encostar suas costas na parede pegando aquela coisa que servia para enfeitar essa coisa que ainda não sei o nome e o abraçou contra seu peito olhando o nada na sua frente.
-posso te dá um nome?
...?
Olhei pra ele de novo e fiquei confusa com sua pergunta, eu não entendi.
-eu também não tenho um
Ele levantou um canto da sua boca sorrindo torto. Eu fiquei estranhamente olhando aquilo meio sem entender ainda. Ele quer dá um nome pra mim?
-eu pensei em Louise
Hãm?
-posso te chama de Lucy
...
Acabei de ser batizada por esse estranho?

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora