Capítulo 143

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Eu me lembro de ter dormido no sofá ontem à noite. Acordei me sentido coberta por um lençol que me trouxe lembranças pelo simples fato de ter pensando em quem deve ter colocado aqui pra mim. Esfreguei meus olhos e olhei envolta como gosto de fazer quando acordo, as janelas ainda fechada deixava um escuro que me confortou porque não gostava de claridade quando acordo. Sinto que ainda está cedo, o barulho de prato me fez olhar pra trás rápido por cima do sofá, era ele passando algo parecido com aquela geleia de morango em dois pães de forma e sorriu sem olhar pra mim percebendo que eu estava o encarando. Eu sabia que aquilo era pra mim, por isso me levantei logo e fui até lá com o olhar desconfiado e ainda fria com ele por causa de ontem.
Ele se sentou à uma cadeira de distância de mim e ficou sorrindo fraco enquanto eu comia silenciosamente sem fazer nenhum tipo de contato visual com ele. Bebia o café quente bem devagar pensando no que iria fazer hoje, tinha muita coisa pra resolver com aquela mulher. Espero que ele não tente me impedi. Terminei o sanduíche e bebi o café de uma vez saindo queimando minha garganta enquanto descia.
Afastei as duas louças de mim e cruzei os braços em cima da mesa olhando para ela sentido que ele queria falar comigo. E eu sou besta o suficiente para ficar aqui e escutar. No fundo quero ouvir isso, só tenho medo de não ouvir oque quero.
-sei que está chateada comigo, peço desculpas mas...
-não vai mudar de ideia né?
Perguntei interrompendo-o de uma forma ignorante, apertei minhas unhas na palma da minha mão e tranquei minha mandíbula quando ele não respondeu e ficou encarando a mesa também. Essa raiva não era só com ele, a fonte de tudo isso eu sei exatamente quem é. Por isso me levantei da mesa empurrando a cadeira com raiva, depois me dirigir até a porta sem hesitar quando a abrir decidida do que eu iria fazer.
-onde vai?
-falar com a puta que me pariu!
Respondi cuspindo e fechando a porta com força o suficiente para ter quebrado-a. Fiquei dois segundos parada na varanda me espantando comigo mesma, mas depois voltei a ficar naquele estado e comecei a andar para a casa daquela mulher marchando de raiva esbarrando nas pessoas que passavam do meu lado não querendo dá espaço. Um homem me xingou quando eu bati no seu ombro, eu ignorei e continuei andando alimentando minha raiva para despejar tudo nela.

————

Chegando lá, eu abri a porta até ela bater na parede, depois fechei com a mesma força e fiquei encarando ela que estava sentada na mesa tomando café e mexendo em um aparelho pequeno e que parecia um celular. Rosnei indo até lá batendo minha mão na mesa fazendo o prato e o copo de suco tremerem.
-porque fez a cabeça do meu pai dizendo que queria me botar numa escola!?
Ela simplesmente tomou um pouco de suco e depois desligou o celular cruzando os braços e me encarando de forma calma e paciente como se eu não tivesse chegado aqui aos berros.
-eu não fiz nada, estava conversando com ele sobre você, disse que tinha seus documentos antigos de escola... Ele quem teve essa ideia
Explicou pagando o copo de novo e tomando o suco bem devagar me ignorando aqui. Perdi a paciência e dei um tapa no copo fazendo ele voar para a direta caindo no chão se quebrando em pedaços pequenos. Depois eu a encarei com raiva, mas também recebi a cara mais feia que já tinha visto ela fazer. Em um movimento rápido ela puxou minha mão me fazendo ficar do seu lado e torceu meu braço me arrancando um grito de dor e depois me empurrou me colocando de joelhos no chão. Ela manteve meu braço atrás do meu corpo ainda sentada na cadeira me olhando de uma forma que me deixou mais irritada ainda. Mas eu não conseguir fazer nada, eu fiquei imobilizada... Não conseguia pensar me fazer nada.
-cansei da sua rebeldia Miah, agora senta nessa mesa e conversa comigo direito
Virei meu rosto encarando o chão respirando pesado de tanta raiva que não sabia oque fazer com ela. Ela soltou meu braço me aliviando, mas também eu cair com as mãos no chão e depois me levantei rápido ainda encarando ela que voltou a ficar com o rosto normal e até sorriu fazendo um gesto para cadeira ao seu lado onde eu tive que me sentar porque não sabia mais oque fazer. Meu corpo e meu cérebro estão congelados, eu não sei oque aconteceu aqui.
-então, eu acho que você pode se dá bem naquela escola, não deve se lembrar dela...
Fez uma careta quase debochando de mim que arranhava a mesa de tanto ódio dela que fez uma pausa grande dando uma mordida no pão no prato à sua frente.
-bom... Você já foi pra uma escola antes, mas infelizmente não deu muito certo porque eu tinha medo das pessoas desconfiarem de... Alguma coisa, seu crescimento era anormal e diferente das outras crianças. Na verdade, você parecia ter cinco anos quando tinha dois, tive que menti sua idade para você entrar numa escola. Seu comportamento intrigava os professores porque você não falava com ninguém nem fazia as atividades escolares, então eu te tirei de lá
-e desistiu de me criar
Completei mordendo minha boca depois encarando ela que afirmou com a cabeça como se fosse algo simples a ponto de poder ser respondido com esse gesto. Mas pra mim só aumentou meu ódio por ela, oque será que ainda estou fazendo aqui conversando com ela?
-bom... É isso, já fiz sua matrícula com os documentos antigos seus e agora só precisamos esperar seu uniforme ficar pronto, você começa daqui à duas semanas
Falou resumindo tudo isso que só me deixava apavorada, se levantou da mesa colocando o prato na pia e pegando seu celular colocando no bolso da calça. Se virou pra mim e depois olhou para os cacos de vidro no chão perto do armário, passou a mão no cabelo e fez um gesto para a sujeira ali.
-pode limpar isso?
...?!
-aproveite lave essa louça pra mim
Fiquei pasma com isso vendo ela sair da cozinha olhando para o relógio e depois indo para a sala com o celular novamente na mão. Simplesmente se sentou no sofá e ligou a televisão normalmente.
-não estou escutando o barulho da torneira
Passei as duas mãos na cara e depois levantei da mesa batendo meu pé no chão quando sair da cadeira. Fui até a pia e peguei uma esponja jogando ela em cima do prato resmungando enquanto derramava quase todo o detergente sobre as louças. Que diabos estou fazendo obedecendo-a?!

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora