Estava no almoço sozinha cutucando com força as ervilhas fazendo um purê delas porque ainda batia cabeça com aquela teoria maldita. Eu não posso acreditar nisso, isso não vai acontecer enquanto eu existi. Vão ter que me matar primeiro pra mim permitir isso. Porque não vou pra casa agora?
Joguei a colher dentro da bandeja ainda cheia de comida e a levei marchando de raiva até o balcão das bandejas e coloquei a minha lá indo em direção ao campus depois esfriar minha cabeça. Eu preciso de um tempo sozinha, Jucylen não tinha vindo hoje. Oque me deixava solitária nessa escola. Mas é bom quando eu preciso pensar sobre isso um pouco, mais do que já pensei, pela história que ele me contou sobre ela... Eu não quero ter a conclusão de que isso tem sete por cento de probabilidade de acontecer. Não... Já chega de pensar nisso, vou pensar na aula prática que terei depois. Minha primeira aula de educação física, pode ser algo bom pra mim tirar o stress ou ficar mais estressada ainda...
Respirei fundo olhando os outros alunos do outro lado do campus felizes e sem se preocupar com tantos problemas assim como eu tenho, essa é minha única inveja nesses seres idiotas, a capacidade de serem felizes. E eu aqui, não quero me lembrar do que estou tentando me recuperar, mas não consigo mais afastar isso agora que já pensei.
-parece triste
Falou de repente me assustando. Eu olhei para todos os lados tentando ver ele porque não tinha como ter me visto vindo por trás. Esse garoto ainda me intriga, ainda não conseguir descobri sua identidade, então novamente coloquei as peças na minha frente e peguei a que significava que eu não o conheço ainda. A única que falta encaixar.
-na verdade eu estou... Chateada com uma coisa, não triste
Disse querendo dá uma de forte, mas não conseguir disfarçar a tristeza na voz. Seu silêncio de novo me deixando tensa, isso sempre acontece... Ele parece escolher as palavras com medo de alguma coisa.
-quer falar sobre isso?
...
-é bom compartilhar com alguém
Respirei fundo pegando aquela peça que indicava minha teoria de que ele ainda possa ser uma alucinação minha. Eu devo ter criado ele mesmo, ele me passa a sensação de segurança e me acolhe de forma estranha bem discreta sem menos ter intenção de fazer isso. -é que teve... Um garoto que me magoou muito
Contei unindo as sobrancelhas me complicando com isso, ele parece ser alguém confiante o suficiente pra mim contar qualquer coisa. Minha alucinação mesmo, não sei porque não criei uma antes quando tive mais problemas que gostaria de dividi e contar a alguém.
-bom... Se ele fez isso com você, deve ser porque ele não via que você gostava dele do mesmo jeito que você. E agora quem deveria está magoado é ele porque perdeu alguém como você sendo que deve ser raro de encontrar, não acha?
...
-obrigado
Foi só oque pude dizer vendo que me sentia melhor. Olhei para o lado vendo metade do seu corpo, eu queria poder curvar minha cabeça mais um pouco mas ele passou a mão no cabelo e eu me espantei virando de volta. Eu queria tanto conhece-lo, poder dizer esse obrigado na sua frente.
-Jean?
-hum?
Fiquei em silêncio por um tempo pensando sobre isso mais um pouco, me verei de novo decidindo ficar olhando pra ele pra ver se desaparecia como uma alucinação mesmo antes de perguntar.
-porque não posso te ver?
Esperei olhando para suas pernas e um pouco da sua cintura. Ele ficou em silêncio parado ali como de fosse uma estátua, eu não me aguentava ficar aqui esperando. Eu queria puxar seu braço dali pra mim poder ver quem ele era.
-tudo bem... Feche os olhos
-ok
Concordei ansiosa obedecendo ficando de olhos fechados na mesma posição mantendo minhas mãos sobre o colo. E eu senti a sua passar na frente do meu rosto me fazendo sorrir, depois eu levantei dali ainda sem olhar e fiquei encostada na árvore esperando pela sua autorização. Mas não aconteceu, em vez disso eu ganhei um abraço estranho e apertado me paralisando, abri os olhos com o coração acelerado sem entender nada, eu levantei os braços e coloquei por cima dos seus ombros muito confusa. Eu notei algo no seu cabelo, depois sua blusa, e sua altura. Eu me afastei segurando seus ombros com força encarando seu rosto arregalando meus olhos pela surpresa e depois pela raiva.
Minha mão voou na sua cara automaticamente sem eu nem perceber, joguei ele no chão ficando sobre sua barriga prendendo ele ali com meu joelho e ainda dando tapas no seu rosto e arranhões percebendo que as pontas dos meus dedos estavam escuras e deformadas de novo. Eu continuei mesmo assim por ter escutado sua risada idiota enquanto tentava me empurrar com suas pernas colocando seus joelhos no meu peito me afastando. E quando ele conseguiu fazer isso, eu me levantei esperando ele fazer o mesmo. Mas quando eu ia pra cima dele de novo, eu fui agarrada por alguém que tentou me impedir e eu só parei quando percebi a multidão ao meu redor observando todos chocados e filmando também. Eu nunca achei que pudesse ficar envergonhada no meio de tantos humanos.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasiaEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
