Capítulo 151

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Uma musiquinha enjoada lá no fundo da minha cabeça foi ficando mais alta e mais alta, até me acordar. Dei de cara com mais um despertador, tinha números rosas dessa vez, e piscava sete horas. Depois ele parou de tocar a musiquinha chata e se apagou, fiquei olhando aquilo com preguiça de levantar, até ele voltar a acender e bem devagar foi se passando a frase "bom dia minha pequena" na tela pequena com letras de forma. Eu entortei a boca apertando seu botão decidindo aceitar esse aparelho incrivelmente irritante. Na cadeira da penteadeira tinha o meu uniforme e do lado uma mochila simples com detalhes roxos e de cor preta, as sapatilhas no chão e eu fui atingida por uma coisa dentro do meu peito estranha. Uma insuportável vontade de gritar de raiva, aquilo me deixou horrível, me sinto humana no seu primeiro dia de aula. Eu não fui feita pra isso, e vou provar pra eles.
Fui até o banheiro e tomei um banho rápido com um pouco de medo daquela doida me deixar ir a pé. E quando estava me vestindo, eu sentia tudo coçar no meu corpo e me incomodar muito, pra quê gravata? Meias? Isso é exagero, só demora mais tempo pra se arrumar. Meu cabelo eu não molhei, deixei solto e sem me preocupar em pentear muito, porque simplesmente não sinto necessidade de me arrumar pra ir num lugar daqueles.
Olhei eu mesma no espelho do guarda roupas e fiz uma cara de dor e depois uma de nojo. Eu quase enlouqueci e começo a rasgar esse uniforme ridículo. Quase.
Desci as escadas com passos pesados arrastando a mochila no chão, dentro já sabia que tinha todo o material que ia precisar porque estava pesada. Uma pessoa na cozinha, um carro estacionado na frente de casa percebido pela janela, aquele alguém sentado na mesa me olhando com um sorriso que me provocou a retribuir uma careta. Me sentei lá também e deixei a mochila no chão, ela se levantou de lá e veio na minha direção segurando meus ombros e me virando de frente pra ela, arrumou a gravata que incomodava muito meu pescoço e isso me fez perder a paciência de vez. Oque se resultou em um tapa na mão dela e depois minha mão puxando aquela gravata estúpida do meu pescoço. Joguei ela no chão e a encarei enfrentando sua raiva de frente. Pegou a gravata do chão com ignorância levantando meu rosto com força e voltando a coloca-la no meu pescoço apertando duas vezes, mantive meus braços imóveis porque não podia li largar um tapa na cara. Ela é louca, eu não sei oque ela pode fazer comigo. E no final de tudo isso, ela sorriu e passou a mão na minha bochecha, eu virei meu rosto com raiva limpando onde ela tinha passada sua mão nojenta.
-tome café
Fez um sinal para o pacote de pão de forma na mesa e a vasilha de manteiga também. Eu apanhei minha mochila do chão ignorando sua ordem dessa vez, caminhei até a porta e peguei a chave de casa parando ali esperando ela parar de mexer naquele aparelho que eu tinha vontade de quebrar. Depois de alguns segundos ela percebeu que eu já queria ir e levantou as sombrancelhas em surpresa abrindo outro sorriso idiota, eu só queria acabar com meu sofrimento de uma vez! Ela não tá cooperando!

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Quando eu sair do carro, bati a porta com tanta força que olhei depois para ver se não tinha quebrado a janela. Por minha sorte estava inteira ainda, encarei a merda do estacionamento cheio de seres burros e alegres rindo alto e fazendo palhaçadas. Eu forcei meus passos a irem na direção da porta e procurando a maldita sala número dois do senhor Evans, até o nome deles me irritam. Eu tenho que admitir que mandaram muito bem nesse meu castigo, eu nem sei porque me deram ele!!
A sala não era algo que eu esperava, moleques em cima da cadeira jogando bolas de papel em todo mundo e pra completar uma acertou na minha cabeça, fechei os punhos e ignorei caminhando em direção a uma cadeira que tinha lugar para dois. Mas eu coloquei minha mochila do lado para ninguém sentar e afundei meu corpo ali ficando com as pernas encolhidas em uma posição que não significava respeito numa sala de aula, eu queria que o professor tivesse essa visão de mim quando chegasse na sala.
Mas quando ele chegou não aconteceu nada, simplesmente se sentou na mesa e ficou mexendo nos papéis enquanto dois alunos traziam uma mesinha com uma televisão, eu olhei aquilo e pensei que estivesse errada sobre atividades no quadro e perguntas. Mas não estava reclamando, o filme que estava passando ali, era antigo, preto e branco. Eu fiquei entendiada depois de três segundos encarando a tela, olhei pela janela e tentei me acalmar. Minha cabeça explodia de tanto ódio desse lugar, eu não sabia oque estava acontecendo comigo por sentir tanta raiva assim. Eu já suportei ficar presa num porão durante cinco dias, como não posso aguentar algumas horas aqui?
Porque é diferente, tem humanos em sua volta, tem medo de alguma coisa. Eu posso sentir isso aqui dentro.
Fiquei em silêncio não respondendo à isso, não sabia direito oque ela quis dizer. Na verdade não sinto medo, sinto raiva, raiva de não poder fazer oque queria aqui, e isso pode ter a ver com atacar cada um que está nessa sala abafada. Eu sentia vontade de descontar minha raiva derramando o sangue nojento deles.
Sente medo porque não pode fazer isso, tem medo de mim.
Certa ou não, não posso fazer nada.

Nove horas, outra aula chata. Dessa vez era uma professora que ainda não tinha ouvido o nome, ela explicava o porquê que os números tinham que ser naquela ordem e que nós tínhamos que tentar fazer. Eu perdi a paciência e larguei o lápis em cima da mesa me encostando na cadeira ignorando sua voz irritante, era tão chato isso, pra quê aprender tantas contas? Eu simplesmente não entendo isso. Olhava pela janela de novo e ficava com sono com o ruído baixo de conversas dos outros e acabei até cochilando mas acordei e fiquei encarando a professora fazendo as respostas das contas. Copie elas só para dizer que estava fazendo alguma coisa, mas uma vez eu me distraia e começava a fazer rabiscos em cima da folha do caderno, escrevia o nome de jass sentido sua falta e depois várias ondas ao redor.
Quando finalmente o sinal do almoço tocou eu me dirigir junto com os outros em direção ao refeitório, onze e meia pelo relógio grande na parede em cima das cozinheiras. Apenas seguir os outros e entrei naquela fila pegando uma bandeja e suspendendo toda vez que chegava perto de uma das cozinheiras que despejava certa quantidade de comida em cada quadradinho da bandeja. No final da fila eu peguei um copo e esperei uma menina terminar de colocar seu suco que saia de uma máquina que tinha que por dinheiro para sair aquilo de lá. Por sorte eu tinha trago e conseguir encher meu copo.
Na hora de escolher a mesa, eu foquei direto numa que estava aquela menina estranha que foi agredida por aqueles garotos covardes. Eu andava até lá pensando em sentar junto com ela já que não havia mais ninguém do lado dela, ela não me percebeu e nem pareceu ligar para minha presença quando eu sentei na mesa silenciosamente. Seus olhos estavam na sua bandeja e ela cutucava o purê de batatas com aquele garfo de plástico parecendo triste e deprimida. Eu achei que tinha que dizer alguma coisa para ela sair desse estado.
-tudo bem?
Ela não respondeu nada e só entortou a boca sem olhar pra mim. Apoiava sua cabeça na mão esquerda e não parava de cutucar o purê me deixando um pouco tensa porque não conseguia pensar em nada para criar uma conversa. É tão diferentes dos outros, cabelos escuros caídos sobre os ombros, pele branca e sombrancelhas bem negras e desenhadas a perfeição. Eu me perguntava porquê não tinha amigos ou alguém pra conversar nessa escola tão grande.
-meu nome é Miah, eu gostaria de saber o seu
Sorri abaixando minha cabeça tentando ver seus olhos mas ela ainda tinha a cabeça abaixada. Achava que tinha que me apresentar com esse nome porque é oque deve está na chamada. Finalmente ela pareceu está um por cento menos triste e respirou fundo levantando sua cabeça para me olhar.
-é Jucylen
Voltou a cutucar o purê e dessa vez espetou uma ervilha no garfo levando até sua boca mastigando sem vontade. Eu queria tanto saber porque é tão triste, talvez seja porque aqueles meninos a tratam daquele jeito sem motivos.
-é seu primeiro dia também?
-quinto
Me calei e pensei um pouco em outra pergunta. Ela parecia mais animada, pelo menos estava comendo. E eu percebi que eu estava deixando as coisas na minha bandeja esfriando, comecei a comer também mastigando tudo sem produzir saliva o suficiente porque não tinha apetite nenhum no momento. Tentei engoli o máximo de coisa ali para terminar no mesmo instante que ela.
-quer ir no campus comigo depois?
Usei uma animação na minha voz que deu certo porque ela sorriu e balançou a cabeça concordando. Também retribui o sorriso ficando satisfeita por ter arrancado um sorriso dela. Alguma coisa me diz que isso está fazendo bem à ela.

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora