Dois segundos fora de casa e eu fui atingida por uma corrente de ar muito fria e úmida que me pegou de surpresa. Não parei de caminhar e observava ao redor tentando entender o tempo que estava cinza como suspeitei e muito frio, o solo ainda está encharcado e lamacento. E o sol nem se sequer aparecia através das nuvens brancas com um leve tom cinzento deixando o dia sem graça como sempre fica depois de uma tempestade daquelas.
Senti novamente uma coisa cobri meus ombros e dessa vez eu aceitei segurando as duas pontas daquela blusa com um cheiro familiar demais.
-está indo aonde?
Perguntou andando do meu lado curioso comigo, mas eu estava concentrada vestindo aquela blusa vermelha que eu conhecia muito bem. Era quente e grossa e tinha mangas largas demais que tive que enrolar para ver minhas mãos, tão macia e que me lembrava momentos irritantes e prazerosos ao mesmo tempo, só que eu ainda não tinha descoberto porque senti atração por ele quando estava disfarçado. Meu nível de atração para o jass aqui do meu lado caiu para nove por cento e ao contrário do que senti por aquele que vestia essa blusa, eu sentia o triplo disso. Mas ainda não consigo entender.
-não acha um presente estranho para dá à alguém como você?
Parei quando percebi que tinha algo brilhando balançando na sua mão que estava da altura do seu rosto rodando ela nos seus dedos em movimentos rápidos e hipnotizantes. Mas como...?
-eu peguei quando você ainda estava dormindo, tive medo que tentasse me matar ainda e escondi embaixo da cama
Fiquei tentando entender como ele fez isso sem eu perceber, mesmo depois de ter explicado tudo isso de forma bem clara. Eu ainda não conseguia acreditar que ele só pegou isso com medo de que eu o matasse... Como é que ele pôde desconfiar de mim dessa forma?
-me dá
Pedi estendendo minha mão olhando pra ele séria porque não quero que ele fique girando ela desse jeito. Tenho medo dele se corta e porque eu não quero que ninguém mais toque nela além de mim, é um objeto bonito demais pra está nas suas mãos. Mas ele não me deu e segurou o cabo dela com o indicador e o polegar balançando na minha frente de uma forma divertida me irritando porque já sabia oque ele ia fazer. E eu não gosto nada dessa brincadeira idiota e infantil que nunca termina até que você tenha escalado a pessoa que está com algo que é seu.
-me dá jass eu não tô brincado!
Rosnei ainda mantendo minha voz controlada, mas ele só passou ela para sua outra mão e balançou novamente na minha frente. É perigoso brincar com isso, mas eu tentei pega-lá rápido e acabei agarrando o ar porque ele puxou duas vezes mais rápido que eu e a jogou para sua outra mão em um movimento arriscado. Não tive escolha além de ficar rodando ao seu redor tentando alcança-lá mas não conseguia e eu estava quase perdendo a paciência pensando em usa-lá nele quando conseguisse pegar.
-quem manda ser baixinha!
Sua voz era uma risada irritante e reconhecível a distância, eu ainda rodava ao seu redor até ter a ideia de agarrar seu braço e abaixa-lo usando toda minha força e estava tão perto que eu até sorri comemorando minha vitória antes da hora. Ele tinha passado ela para outra mão quando eu ia levantar a minha para pega-lá. Foi aí que tive vontade de chorar e desisti, e fiz isso me virando de costas pra ele passando as mãos nos olhos fingindo um soluço.
-ho... Desculpa criança, aqui eu te dou de volta olha
Eu gostei da sua voz nesse momento, e ele estendeu a adaga na minha frente permanecendo atrás de mim falando essas palavras fofas no meu ouvido. Eu sorri mas quando fui pega-lá, ele saiu de perto de mim e a levou também me deixando pasma porque pensei que ele ia me dá mesmo. Tive que me virar bem devagar tentando entender porque tanta maldade comigo, até achei que eu estava ficando triste com isso. Mas estou mesmo...
-que isso? Cadê a Lucy? Quero falar com ela
-não está, quer deixar recado?
Fui pra cima dele agarrando seu braço que estava com a adaga e conseguir pegar o cabo que estava dentro dos seus dedos antes que ele conseguisse passar ela para outra mão. Sair de perto dele apontando ela para ele mantendo a lâmina bem perto do seu pescoço e ele deu dois passos para trás levantando as mãos. Realmente era muito bom sentir que esse pequeno objeto te deixa mais corajosa e mais segurança sobre si mesma.
-nossa agora me pegou, mas vai fazer oque com isso?
Eu tinha certeza que ele não se referia a adaga quando congelou meu corpo na hora e dessa vez a pressão ao meu redor estava forte demais, meus braços se juntaram dos lados do meu corpo e eu deixei a adaga cair da minha mão de propósito porque não ia conseguir fazer nada com ela. Assim não dá...
E pirou quando eu sentir minhas pernas perderem o equilíbrio atingidas por uma fraqueza estranha que nunca sentir, cair deitada sem conseguir impedi minha cabeça de bater no chão com força porque não podia mover meus braços. Ele se colocou em cima de mim me prendendo ainda mais e eu percebi que ele ria enquanto colocava suas pernas dos lados do meu corpo e apontando a adaga para meu nariz.
-a melhor parte é que eu posso fazer isso sem nem precisar tocar em você e também que eu posso manter você aqui até o tempo que for preciso se eu me concentrar
Ainda ria da minha cara enquanto colocava mais pressão sobre mim me agonizando e me deixando desconfortável com a ponta da adaga no meu rosto, eu só me perguntava oque ele queria demonstrar com isso, porque já sei que não tenho saída quando ele faz isso.
-sai de cima da minha filha Jack
...
Pai?
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Uma garota sozinha na floresta
FantasíaEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
