Capítulo 153

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Não precisei explicar o motivo do meu atraso, o professor estava escrevendo um pequeno texto no quadro sobre algo que não me interessei. Sentei na minha cadeira e fiquei olhando o lugar que eu estava sentada no campus pela janela, eu não parava de me perguntar oque exatamente aconteceu lá. Talvez só uma coisa da minha cabeça? Mas como poderia ser algo da minha cabeça se eu ouvir a voz e tudo? Isso que acontece com uma pessoa louca, mas me sinto normal. Porque meu cérebro faria isso comigo? Se foi real ou não... Que explicação tenho a dar à mim mesma para ele ter desaparecido assim do nada? Evaporou feito fumaça? Será que amanhã ele pode aparecer de novo?
Ainda olhando pra lá pensando nisso, eu olhei para o relógio onde estava marcando duas e quarenta e cinco, eu já podia suspirar aliviada e guardar minhas coisas encerrando esse dia misterioso e estressante. Amanhã espero ser um pouco melhor já que vou ter que aguentar bastante tempo aqui.
Quando sair do prédio, eu notei que aquela vaca não estava onde deveria está me esperando para me buscar como prometeu. Eu não fiquei com raiva porque gostava de andar, e também não queria ficar dentro daquele carro aguentando seu "e aí? Como foi seu primeiro dia?". Respirei fundo e caminhei até a rua seguindo um grupo da minha sala que não me percebiam aqui, meus olhos foram para um garoto que usava os mesmo sapatos que ele usava. Olhei para seu rosto não me surpreendendo, estava conversando com seus amigos normalmente rindo como todo adolescente comum. Não podia ser ele, eu até duvido que ele tenha voltado pro prédio naquela hora.
Passei na frente deles sem ser percebida e andei um pouco mais rápido querendo chegar em casa e descansar. Meus pés estão doendo de tanto ficar abafados nesses sapatos apertados. Só pensava na minha cama e num banho também.
Dever de casa!
Me assutei com isso lembrando desse detalhe que ela só me lembrou para me irritar, eu não sei fazer aquelas contas, mas posso tentar porque cheguei a memorizar a ordens dos números.

————

Chegando lá, eu percebi que estava sozinha. Sem ninguém para me fazer aquela pergunta idiota. Então fui direto para o quarto deixando meu uniforme em cima do banco da penteadeira e indo direito pro banheiro me jogando embaixo do chuveiro sentido prazer na água gelada mesmo me deixando com frio lavei meu cabelo quase querendo tirar as... Coisas humanas que eu achava que tinha grudado em mim para está me esfregando desse jeito.
No final eu vesti uma blusa de frio e uma parte debaixo folgada para ficar confortável. Me senti obrigada a fazer aquelas contas malditas, fiz uma careta quando percebi que eram muitas mesmo. Eu não me lembro de ter escrito tudo isso.
Coloquei o lápis na folha pensando em fazer a primeira coluna de números quando sou interrompida por um barulho na janela que me assustou, mas também me fez senti uma explosão de alegria quando pensei no que poderia ser. Fui até lá abrindo ela com pressa, ainda bem que meu pai não resolveu pregar ela de novo. Ele estava lá embaixo me olhando de uma forma que me fez ter vontade de pular daqui e ir abraça-lo. Eu olhei pra trás escutando um barulho suspeito me preocupando quando pensei na possibilidade de ser meu pai, fiquei ali durante cinco segundos e olhei pra ele de novo quando não escutei mais o barulho.
Onde ele foi...?
Gritei feito uma menina pelo susto quando eu senti seus braços gelados na minha cintura, me recuperei e o encarei com raiva mas depois o abraçando com força quase chorando pela saudade que eu sentia dele. Beijei sua bochecha duas vezes e depois segurei seus rosto vendo seus olhos com um brilho que eu tinha esquecido como me alegrava e me transmitia a mesma coisa, ia me aproximar pra li dá um beijo de verdade mas me lembrei de uma coisa. Por onde esse idiota andou!!?
-porque sumiu desse jeito!?
Bati no seu peito com minhas mãos o empurrando para trás o encarando com raiva agora. Ele só deu uma risada besta indo em direção a cama se sentando lá e pegando meu lápis, bufei desistindo de brigar com ele e fui me sentar na cama também. Tomei meu lápis da sua mão e olhei pra ele apertando meus olhos dizendo que ainda quero explicações.
-é assim que me recebe depois de... Acho que... Um dia e meio?
Colocou a mão no queixo e olhou pra baixo pensativo e depois levantou os olhos até me encarar fazendo aquele negócio com os olhos me deixando muito assustada porque ele também usou seu sorriso. Meu coração pulou pelo medo e por outro sentimento que eu sentia, a atmosfera ficou pesada de novo, como se tudo fosse cair em cima de mim a qualquer momento. Ele consegue me assustar e me fazer ficar com raiva ao mesmo tempo, eu ainda não tinha tirado meus olhos dos deles que estavam maiores agora, mas depois diminuíram bem devagar junto com aquela pressão ao meu redor. Eu não entendi porque ele fez isso comigo, depois começou a rir feito um idiota.
-porque você faz isso?
-ainda é divertido fazer você sentir medo de mim
Sorriu daquela forma de novo e dessa vez eu ignorei rolando os olhos e olhando para meu caderno de novo, aqueles números me irritavam muito eu não sei porque mas isso parece se transformar em um código estranho toda vez que tento descifrar a porcaria da conta certa pra poder monta-la. Ele passou pro meu lado se sentando na cama encolhendo as pernas e ficando olhando para o caderno também me desconcentrando porque depois ele me olhou virando sua cabeça bem devagar se aproximando de um jeito estranho chegando até meu pescoço onde me mordeu com força e doeu muito!
-para com isso! Eu tenho que terminar essa merda e você não tá me ajudando!
Gritei como se tivesse usado a raiva que se acumulou em mim pelo dia estressante que tive hoje. Eu fiz ele se escolher me olhando assustado pelo jeito que gritei, eu fiquei séria depois percebendo que eu tinha exagerado.
-nossa...
Disse se afastando unindo as sombrancelhas fazendo uma expressão que me fez pensar que ele tinha ficado magoado. Eu sabia que eu tinha exagerado com ele, eu sabia que tinha que pedi desculpas também. Mas ele pegou um travesseiro e o abraçou ficando quieto e me deixando melhor pelo meu lado irritado com ele, mas o lado que eu me sentia mal por ter gritado com ele, ainda me obrigava a pedi desculpas. Argth...
-desculpa, é que...
-tudo bem, precisa fazer isso aí... Não vou te atrapalhar
Apertou o travesseiro e encarou a parede do quarto ficando com o olhar perdido depois, suas sombrancelhas ainda unidas se transformaram em um "V" e eu percebi que ele estava irritado. E isso significava que ele preferia morrer com isso do que me falar e eu poder pedi desculpas. Eu tinha que fazer isso senão ele vai ficar assim pra sempre.
-tá chateado?
-tô
-quer conversar?
Me olhou ficando mais irritado ainda fazendo uma careta horrível quase como se fosse voar no meu pescoço sendo que eu estou tentando pedi desculpas.
-queria mas parece que você não tem mais tempo pra mim
No final ele deixou sua voz morrer como se tivesse segurando um choro que me partiu o coração porque eu nunca vi ele triste desse jeito escondendo tudo em uma irritação que chegava a ser fofa. Eu me arredei até ficar do seu lado e me virei de frente pra ele. Mas ele não olhava pra mim formando aquela expressão de novo me deixando impaciente porque o nome disso é birra.
-não é que eu não tenho tempo, é que eu tô... Praticamente presa aqui nessa casa, meu pai pregou a janela! Não posso sair com medo de que alguém me veja e tem essa escola agora!
Estava começando a ficar histérica discutindo com ele olhando para o chão porque não queria que ele levasse meu stress pro lado dele. Quero que veja como uma conversa normal onde eu explico minha falta de tempo com ele.
-e eu tentando te trazer mais problemas com essa discussão, desculpa, acho melhor eu ir porque pode ser que aparece aquela alma penada de novo
Ele se levantou e largou meu travesseiro caminhando na direção da janela como se eu fosse deixar ele ir ainda com essa cara de quem se considera parte dos meus problemas, mas ele está virando um se fazendo de um.
-ei jass eu... Eu não quero que você vá com essa cara
Fiz ele parar com a mão na janela, mas me olhava da mesma forma parecendo se contorcer por dentro. Seus olhos no chão agora me deixaram nervosa porque ele estava em silêncio muito tempo já. Tenho que resolver isso para poder dormir. Como percebi que ele estava paralisado lá pensando sobre alguma coisa, eu o puxei para se sentar do meu lado. Empurrei o caderno para ficar do outro lado da cama e não soltei sua mão fazendo carinho na costa dela com meu polegar tentando trazer aquele jass que chegou aqui de volta.
-fica assim não
-mas não dá, você não parece mais a mesma, isso me deixa triste porque sinto que você nunca mais vai voltar
Isso me deixou horrível e quando ele me olhou eu pude senti a mesma dor que ele sentia agora. Era uma tristeza estranha que eu tive vontade de chorar mas segurei e tentei pensar em alguma coisa para dizer porque não queria que ele pensasse desse jeito sobre mim, eu nunca vou mudar... Eu não se mudei... Mas não quero que ele sinta isso.
-me diz Lucy...
Se aproximou de mim segurando meu rosto me forçando a encarar seus olhos muito profundos cheios de um sentimento forte o suficiente para me deixar mais triste ainda porque isso parecia correr risco de se acabar. Mas eu lutei com isso guardando somente pra mim e fazendo de tudo para não desviar os olhos ou chorar.
-sente isso por mim também...? Estou querendo dizer... Se é forte o suficiente para eu poder me assegurar de que você jamais poderia me esquecer ou desisti de mim mesmo que aconteça algo ruim com agente?
Segurei sua mão direita sem conseguir segurar as lágrimas que caíram muito rápido pela pontada de dor que recebi com essas palavras. Me fez abaixar os olhos e ele soltou meu rosto segurando minhas mãos com firmeza e esperando minha resposta que ficou presa na minha garganta.
-responde Lucy, você me ama?
Solucei agora apertando suas mãos nas minhas e depois criado coragem para encarar seus olhos ainda mais profundos ainda. Eles me causavam muita dor, eu não conseguia explicar, mas doía muito. Algo me dizia que isso está correndo e risco, e eu não sei oque fazer para fazer ficar mais forte de novo. Ainda não conseguia dizer nada e tentei fazer minha voz sair abrindo minha boca quase engasgando, foi aí que percebi que era tarde demais. A pequena faísca daquele sentimento nos olho dele, se apagou.

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora