Fiquei andando de um lado pra o outro tentando me concentrar enquanto ela se debatia dentro de mim me deixando exatamente como ela queria, estressada, irritada, nervosa, inquieta. Tudo isso misturado só resulta em raiva, a raiva que ela sente por não consegui sair daqui. Não adianta ficar desse jeito porque não vai adiantar, infantil idiota. Mesmo assim eu não tinha motivos pra pensar desse jeito, no fundo eu me sinto irritada com meu pai. Mas eu sim aceito que não posso fazer nada! Mas ela não!
Não sei oque fazer pra ela entender isso, já se passaram três dias e ela continua nisso. Minhas mãos começaram a tremer, e eu me sentei no chão abraçando meus joelhos e abaixei minha testa nos meus braços, conseguir controlar minha respiração mas também me sentia muito fraca. Não consigo mais fazer isso de novo, ela também não sabe oque fazer pra se manifestar em mim, meu corpo está fraco e não consigo nem levantar daqui mais. Meu estado mental ficou controlado e meu corpo também, respirei fundo quando percebi isso e encostei minha cabeça na parede encarando o teto que no caso era o chão da casa. Não acredito que conseguir, mas tenho certeza que é só porque estou muito fraca.
...
Ouso um barulho lá fora que me alertou e eu me encolhi e fiquei em guarda ao mesmo tempo, olhando pela janela aqui debaixo me juntando a parede como se quisesse fazer parte dela com medo de que alguma coisa aparece na abertura dela. Mas eu escutei outra coisa, parecia passos, parou bem perto da janela. Meu coração acelerou e eu fiquei pensando em várias coisas nervosa, mas todas elas foram excluídas e ficou somente a possibilidade de ser meu pai.
-Lucy?
Jass...
Resolvi me levantar e puxei o banco que eu uso para ficar mais alta colocando ele embaixo da janela sentindo um sentimento misto. Mas um deles era mais estranho do que o primeiro. Não conseguir identificar, era...
-oque você faz aqui?
Minha pergunta esclareceu oque estava dentro de mim, oque sentia parecia ser raiva dele, o outro era saudades. Mas ela novamente brincou com minhas emoções e eu só conseguir me concentrar na raiva, eu sabia que era não raiva mesmo. Era um desejo estranho que não acreditei quando pensei no que poderia ser.
-pensei que ficasse feliz em me ver
Comentou com um sorriso que não me causou a emoção certa, ele estava sentado com as pernas cruzadas uma na outra em um posição entranha como se ele estivesse surgido de repente aqui. Me perguntei se era ele quem eu vi na floresta, mas ele começou a ficar sério olhando pra mim de forma estranha. Parecia está se assustando...
-jass... Ha...
Apertei meus olhos e tirei as mãos da beira da janela me afastando de lá. Aquela dor de cabeça de novo, pensei que estivesse desistido. Mas eu tive certeza que não quando me peguei correndo até a janela colocando meu braço direito para fora rápido como se quisesse puxa-lo para dentro quase rosnando de raiva porque ele pulou para trás. Não senti seu medo oque me deixou no nível máximo de agressividade e eu tentei alcançar sua perna que estava mais perto da janela desesperada e descontrolada sem saber oque estava pensando em fazer.
-uau quase me pegou
Ele tá me gozando!?
Parece que sim porque ele sorriu de um jeito estranho me provocando ainda mais. Agora eu não sabia mais oque sentia porque eu não estava acreditando que eu queria machuca-lo, ela chegou em um outro nível me bloqueando de vez sem eu conseguir mais me recuperar. A única coisa que se passava na minha cabeça era que eu tinha que sair daqui e pega-lo. Só isso.
-nossa... Você parece bem estressada, na verdade eu já cheguei a esse ponto, tá confesso que não tão descontrolado como você está agora
Ele se aproximou de mim de novo curvando seu corpo na minha direção até ficar com a cabeça abaixada o suficiente para poder olhar nos meus olhos, ele estava normal como se tivesse se divertindo com isso. Meu corpo relaxou quando ele me transmitiu uma energia calma me arrancando um suspiro de alívio. Eu pude ver que ele estava aqui de repente me olhando, não sei como não percebi isso antes. Olhando por esse lado, consegui senti oque queria, mas me fez senti uma dor também.
-seu pai não deixa eu me aproximar dessa casa, ele disse que ia me deixar vivo se eu obedecesse, mas eu não recebo ordens de uma alma penada
-não fala assim dele jass!
Gritei irritada mantendo meus braços na beirada da janela porque não queria que eu precisasse colocar eles pra fora pra fazer oque estava pensando. Estou controlada aqui porque ela permitiu, não sei se é um plano dela deixando ele mais confiante em mim pra poder ataca-lo de novo.
-está defende ele por que? Ele trancou você aqui por aquilo que falei? Não acha meio injusto porque não é oque ele pensou? Ele nem sequer ouviu você quando tentou explicar Lucy
Abaixei minha cabeça e fiquei sentindo a mesma dor que senti quando ele me abandonou naquele dia, apesar de tudo isso ser verdade, eu não sinto tanto ódio dele assim. Não importa se estou pagando por uma coisa que não aconteceu... Eu não vou ficar com raiva dele.
-se veio aqui só pra me pôr contra ele você não conseguiu, agora se já tiver terminado pode ir
Disse seca sem olhar pra ele saindo da frente da janela me sentando no banco decidindo permanecer aqui até ele ir embora. Se não for não tem problema, não quero mas falar com ele. Eu prefiro ficar sozinha... Pela primeira vez na minha vida depois de ter conhecido ele, quero me isolar. Não me faz diferença se o motivo da sua visita foi só me dizer isso, quero que ele vá embora.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
