De manhã, eu percebi que estava com o rosto no chão. Não mais no colo dele. Levantei dali mais mole do que ontem e procurei ele pela sala mas não o encontrei. Antes que eu pudesse me interrogar, eu vejo duas pessoas na janela de vidro, ela ficam em pé me olhando e eu notei que era aquela mulher de coque e o homem de terno que parecia ter sorrido pra mim. Pelo chão... Tinha manchas de sangue e escorregões nele também, pensei logo na possibilidade dele ter sido atacado por alguém, ou ao contrário. Mas se isso aconteceu, porque não me acordei com o barulho?
A porta se abriu e se fechou muito rápido me assustando. Era bay de novo segurando uma pequena caixinha branca de papel, ele sorriu antes de começar a andar na minha direção. Eu me encolhi meio triste com ele por ter me deixado aqui, mas no momento, eu sabia que não ia valer a pena ficar com raiva dele.
-bom dia, eu vim conversar com você
Se sentou no chão perto de mim e colocou as mãos sobre a caixinha empurrando ela pra mim bem devagar. Depois colocou os braços no colo e ficou inclinado na minha direção sorrindo me deixando sem graça. Eu abaixei os olhos tímida até a caixinha e a abri vendo docinhos brancos em forma de bolinhas fofinhas e salpicadas de açúcar. Eu as devorei uma por uma sem esperar eu terminar de mascar a anterior engolindo tudo de uma vez, me sujei de açúcar e lambi minhas mãos sem vergonha de está fazendo isso na frente dele. Ele sabe que não sou normal nem educada. Terminei passando a língua no beiço e depois pegando o açúcar que ainda tinha no papel no fundo da caixa.
-precisamos te levar para uma sala onde tem uma visita pra você, mas... Eles me forçaram a te dar tranquilizantes antes por questão de segurança, mas não se preocupe, porque só deixa você um pouco mole
Sorriu mostrando seus dentes pra mim contando isso como se fosse algo normal e divertido. De repente, eu começo a senti meus olhos pesados, mas não era sono. Era uma molesa no corpo e eu percebi que queria desmaiar, mas não sei porque eu lutei em continuar de olhos abertos. Ele me segurou antes que eu pudesse cair de frente, seus braços me envolveram e eu apertei seu jaleco de novo li dando um abraço apertado colocando minha cabeça perto da sua fechando meus olhos de uma vez. Mas não dormi, ele me carregou como se eu fosse uma criança em seu colo, me fez carinho atrás da cabeça enquanto me levava para fora da sala sem fazer muitos movimentos em seu andar lento e que me deixava com mais sono ainda. Me lembrei de meu pai e respirei fundo sugando o cheiro da sua nuca que me confundia muito porque não sabia se sentia vontade de ataca-lo ou se era simplesmente um desejo de sentir seu cheiro e considera-lo como meu amigo de alguma forma. Como um cachorro faz para não atacar as outras pessoas.
Ele me colocou no chão quando chegamos perto de uma porta que parecia ser de ferro com três grades no meio a altura da nossa vista. Do lado tinha dois homens segurando aquelas armas de choque brilhando fraco em um tom de azul, eu nunca vi dois homens tão intimidantes na minha vida. Eles nos deixaram passar enquanto eu segurava o jaleco de bay com força nas minhas duas mãos enquanto ele segurava minha cintura por trás. Eu me encolhia casa vez mais quando o pequeno corredor de dois metros de comprimento ficava mais escuro a cada passo nosso. Mas no fim dele, tinha uma luz fraca e branca iluminando algo sentado encostado na parede, do lado esquerdo e direito dele, tinha correntes enormes. Como se tivessem mantendo preso um dragão, mas era somente um garoto de cabelos escuros e que usava roupas parecidas com as minhas também. Mas estavam rasgadas e manchadas de alguma coisa preta. Paramos a uma distância segura dele, eu ainda segurava bay como se fosse meu escudo me protegendo daquele garoto que só pode ser alguém bem mais perigoso do que eu e jass juntos no mesmo corpo.
E quando ele levantou sua cabeça em devagar até poder nos encarar, eu percebi que seus olhos eram vermelhos e brilhantes que me penetraram como duas facas em questão de segundos. Eu desviei os olhos e os coloquei no jaleco de bay que já estava ficando amassado de tanto que eu segurava. Mas eu notei que ele tinha tirado seu braço de mim e simplesmente foi se virando de costas. Eu segurei mais ainda fazendo ele parar no mesmo lugar e me encarar.
-não
Pedi percebendo que minha voz estava rouca demais. Talvez seja porque eu não ando falando muito nos últimos dias, mas isso parecia ter dado certo porque ele voltou na sua posição do meu lado e caminhou para mais perto daquele garoto me levando junto com ele. Eu me encolhia mais ainda quase me tremendo de medo que ele me transmitia me olhando com esses olhos vermelhos e arregalados de um jeito assustador demais.
-ele diz que quer falar com você
Bay falou do meu lado baixo demais curvando sua cabeça até poder chegar perto do ouvido o suficiente para dizer isso somente pra mim.
-Lucy...
Chamou o garoto que se mexeu ali tentando ficar de pé. Conseguiu com muita dificuldade parecendo senti muita dor, ele ficou com a cabeça abaixada com a respiração falhando. Só aí pude perceber que seu corpo inteiro tinha cicatrizes que a sua roupa rasgada deixava visível. Quando ele levantou a cabeça, parecia sofrer com algo que me deixava agoniada porque não sabia de nada sobre ele. A única coisa que fiz, foi ir para maior perto de bay ficando com meu corpo encostado no dele buscando segurança. O garoto de olhos vermelhos deu um passo para frente e parecia querer levantar sua mão para me tocar, eu recuei andando para trás levando bay junto comigo.
-sei que sente medo, mas precisa se lembrar de mim... Meu nome é Joseph, e você está aqui... Por minha causa... Eu sinto muito mas eu quero que saiba que eles me enganaram... Me disseram que não ia fazer mal a você...
Ele me explicava isso usando uma voz calma e suave. E enquanto eu buscava os significados das palavras dele, eu via imagens na minha cabeça que me causavam dor e raiva porque eu via nós dois sentados na grama de um algum lugar bem iluminado e bonito. Ele me ofereceu algo para comer e eu só me lembro de ter dormido sobre seu ombro, mas alguém me pegava no colo e me levava a algum lugar. Eu não me lembro de mais nada... Mas então foi ele quem teve a culpa deles me trazerem pra cá?
-você que deixou eles me trazerem pra cá?
Perguntei com a voz falhando, minha cabeça doeu no mesmo instante e eu já estava pensando em arrancar um pedaço dele aqui mesmo pela raiva. Mas quando eu olhei nos seus olhos, eu vi uma tristeza desnecessária porque não iria amenizar meu ódio por ele.
-eles me enganaram, precisa acreditar em mim
Pediu se aproximando de mim arrastando as correntes atrás de si. Eu me afastei mais ainda ficando em posição porque eu queria pular no pescoço dele nesse momento. Mas tinha coisa mais importante para fazer.
-de qualquer forma você faz parte disso tudo não é? Teve metade da culpa!
-eu já disse que mentiram pra mim!! Eu nunca faria isso com você se soubesse que você iria ser maltrata nesse lugar!
Estava quase gritando apertando seus punhos com raiva. Eu tranquei minha mandíbula quando me veio mais lembranças desse garoto esquisito! Nós éramos amigos? Se fôssemos, porque ele fez isso comigo?
-você não presta mesmo! Eu devia ter percebido isso desde o começo, olhando pra sua cara agora, me lembro que foi você que me pediu pra ir num lugar com você!
-eu só fiz oque me pediram! Disseram que ia cuidar de você!! Mas eles me enganaram, quantas vezes vou precisar dizer isso??
Olhando pra ele tentando ser forte nesse momento, eu comecei a sentir uma coisa quente e úmida escorrer pela minha bochecha. Não sei porque mas eu senti a tristeza invadir meu corpo porque tudo isso foi idiotice minha também, porque aceitei ir com ele naquele maldito lugar? Como fui tão burra? Porque não fiquei longe dele...?
-escute por favor, eu juro que vou recompensar isso... É questão de tempo até eu me recuperar, prometo tirar você daqui
Continuei chorando sem saber oque pensar dessa criatura. Bay me puxou e me virou de costas pra ele me levando para fora daquela sala com um braço por trás da minha cintura. Eu queria poder gritar de raiva e voltar pra lá e arrancar sua cabeça do lugar de tanta raiva. Mas agora não adianta nada, posso nunca mais sair desse lugar e a culpa é dele... Não quero saber se ele quiser me recompensar isso. Eu não vou perdoa-lo.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
