Capítulo 135

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Eu ia começar a falar, mas a chuva piorou muito. O vento bateu ao contrário e trouxe a chuva para debaixo da árvore. Fui para as raízes dela, onde tinha um buraco esquisito com uma parede dos galhos que eu cobri com outras folhas para fazer barreira para não deixar a chuva entrar aqui dentro. Ficou perfeito, aqui dentro está quente e...
Não percebi que ele estava do meu lado e eu olhei pra ele quase tendo vontade de chuta-lo daqui. Mas eu já havia fechado a entrada desse buraco, ou eu aguento ele aqui ou destruo meu abrigo improvisado. Essa noite vai ser horrível, eu pensava em jass, meu pai, e no caso de nos encontrarem aqui. Seria possível? Meu pai deve ter pelo menos pena de jass e... Eu estou torcendo pra ele salvar ele. Mas no momento é a única coisa que posso fazer agora. Torcer.
-pensa em que?
Fiquei calada por alguns segundo porque não queria criar uma conversar com ele agora. Mas acho que dialogar com alguém pode me ajudar a recuperar e absorver a situação. Ainda sinto molesa no meu corpo por causa daquelas drogas que bay me deu. Mas eu espero está recuperada amanhã. Me lembrei de uma coisa...
-eu, não pude te agradecer
Disse seca demais sem olhar pra ele, eu não queria ter que agradecer. Mas era minha obrigação, se não fosse por ele eu ainda estaria naquele lugar. Respirei fundo fechando os olhos, tentei relaxar e curvei minha cabeça para trás ainda incomodada com meu corpo inteiro molhado.

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De manhã fui acordada com um raio de sol nos meus olhos me irritando muito. A preguiça me fez virar para o outro lado e estiquei as pernas percebendo que tinha mais espaço nesse buraco. Estava com algo sobre meu corpo, estava um pouco molhada mas ao mesmo tempo seca por baixo, uma blusa com certeza. Que nojo... Tirei ela do meu corpo e joguei no espaço com raiva, mas também quase chorei porque me lembrei de jass. Tive que sair daqui e levei a blusa junto comigo segurando pela manga fazendo questão de arrastar pela terra ainda molhada mesmo com o sol forte. Já passou do meio dia.
O encontrei sentado em uma rocha perto daquela lagoa suja, ele cutucava um sapo que não se mexia com uma varra de pau. Parecia triste pensando em alguma coisa, parei com os braços cruzados esperando ele me olhar. E isso demorou três segundos, mas sei que ele estava fazendo de propósito porque sorriu depois se levantando de lá. Estendi a blusa à ele e fiz um sinal pra ele pegar logo antes que eu jogasse no chão.
-você dorme muito
-eu não perguntei nada
Falei me virando de costas e andando em alguma direção, procurava uma árvore alta e que seja fácil de escalar porque queria ver onde estávamos. Me lembrei das palavras do meu pai, infelizmente preciso ir pra casa daquela mulher que diz ser minha mãe. E também preciso de roupas, parei e olhei pra mim mesma e estava com pequenos furos na calça que eu usava na parte da coxa. Isso me irritou e eu rasguei aquela parte dos dois lados fazendo um short e a blusa eu amarrei embaixo do peito fazendo um nó bem apertado. O resto da calça comprida, eu rasguei mais uma vez e tirei uma parte que eu usei para amarrar meu cabelo. Depois eu conseguir encontrar uma árvore e pulei o mais alto que conseguia agarrando um galho bem grosso, comecei a escalar pelo tronco usando minhas unhas com aquela resistência estranha que eu tinha quando fazia isso. Usava minha raiva de ter que encontrar a casa daquela mulher e conseguir ir bem alto machucando a ponta dos meus dedos dos pés e das mãos. Não liguei pra isso e olhei em minha volta enxergando... Nada. Apenas árvores e mais árvores, nenhum tipo de civilização, estamos perdidos.
Desci com cara de depressão e fiquei em silêncio na frente dele. Pensei no que fazer, precisando pensar em oque fazer daqui pra frente. Preciso aprender a tolera-lo, por mais que pareça impossível, temos que trabalhar juntos agora. Se eu quiser encontrar a cidade.
-olha, eu...
-tudo bem não precisa explicar, eu sei que quer encontrar a cidade, sem problemas... Eu conheço muito bem essa parte da floresta, principalmente aquele lugar, já vim aqui mais de uma vez e sei como voltar pra civilização
Piscava surpresa com isso, mas depois me recuperei e cuidei de andar do seu lado sem dizer uma palavra.

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Andamos por hora, eu não aguentava mais tantas árvores ao meu redor e galhos me chicoteando nas pernas e nos meus braços. Eu abraçava minha barriga arranhando meus cotovelos de novo, eu sabia que eu não ia aguentar muito tempo. Eu preciso saciar esse desejo, mas... Não posso, não tem nenhum tipo de vida humana por perto. Ela sabe disso... Só se contorce e fica gemendo dentro de mim. Está fraca, não sabe oque fazer para me obrigar a fazer oque ela quer, nós duas sabemos que não podemos fazer nada além de continuar andando. Mas não aguentava mais, parei de andar e fiquei gemendo baixinho apertando meus olhos e tentando não escutar ela porque gritava agora. Já faz muito tempo... Muito tempo.
Por favor...!
-Louise?
Ele me chamou se aproximando de mim e eu me afastei porque achava que poderia machuca-lo. Me abracei mais ainda e fechei os olhos com força ainda gemendo. Era com se fosse uma dor de barriga muito forte, mas era na cabeça também. Eu não sei oque fazer pra controlar. Preciso muito saciar o desejo dela...
-quer vim para um lugar que eu gosto? Lá eu costumo me acalmar, eu sei oque está passando
Sua voz calma me tranquilizou por dentro. Mas ainda sentia a dor, levantei os olhos e vi que ele estava realmente tentando me ajudar. Estendeu sua mão na minha direção e eu hesitei antes de estender a minha também e pegar a sua. Não sei se devo confiar nele, mas acho que posso.

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora