Capítulo 103

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De manhã eu estava sentada na beira da cama penteando meu cabelo bem devagar fazendo um rabo de cavalo simples deixando alguns fios na minha testa e do lado do meu rosto. Quando terminei, eu fiquei penteando a parte de trás com paciência e pensativa sobre oque vou fazer para me vingar daquela mulher. Talvez se ela tiver família eu poderia fazer ela sofrer mais ainda se matasse cada um até ela não ter mais ninguém. Morrer de depressão ou assassinato? Oque eu faço com ela...?
Me levantei da cama e guardei minha escova na mochila procurando a de jass que estava pendurada na maçaneta da porta do seu guarda roupas. Tirei de lá, minha adaga e também a bainha da sua faca que serviu perfeitamente na minha. Fechei sua mochila e procurei papel para deixar um recado pra ele, uma pequena explicação do meu sumiço de manhã. Só para não se preocupar e não ir atrás de mim porque quero ficar sozinha com minha mãezinha. Escrevi que eu precisava ir na cidade de novo e só, eu não quero que ele vá atrás de mim. Mas achei que se escrevesse isso, ele iria, então deixei o papel perto dele e li dei um beijo na testa antes de sair. Só vou me divertir um pouco.
Não troquei meu vestido para mostrar pra ela oque eu fiz e oque eu faço de diferente dos humanos, só para assusta-lá ainda mais. Não me importo se ela chamar a polícia dizendo que foi ameaçada por um louca ontem à noite. Mas é aí? Acho que não sou o tipo de pessoa que pode ser presa como os humanos.
-filha?
Reconheci a voz rouca e grossa dele e não parei escondendo a adaga do lado do meu corpo mantendo minha visita à minha mãe em segredo até onde for preciso. Eu não vou contar oque vou fazer, só quero que ele não tente me impedir. Se depender de mim eu posso acabar machucando-o.
-por favor para e me escuta um instante
Pediu aparecendo do meu lado do mesmo jeito de ontem, o observei pelo canto dos olhos e percebi que ele estava tentando me impedi mesmo. Mas permaneci calma e me arredei um pouco do seu lado e andei mais rápido mas marchando ao mesmo tempo pela raiva dele acumulada.
-eu mandei parar!
Rosnou agora agarrando meu braço e depois o outro percebendo que eu estava com a adaga. Fiquei parada encarando seus olhos totalmente negros e furiosos comigo, mas eu retribui o mesmo nível de irritação e puxei meus braços das suas mãos e fiquei em posição apertando o cabo da adaga nos meus dedos. Continuei encarando ele ficando nervoso e depois preocupado, nada disso teria acontecendo se não fosse pelo seu erro que mais parece um pecado pra mim. Um pecado sem perdão, nem mesmo de Deus. Um ser como ele deveria saber de tal consequência que isso teria antes de ter cometido esse erro.
-oque você vai fazer?
-uma visita, mas não se preocupe, vou acabar com isso de uma vez... E não tente me impedir porque pode ser pior
Falei entre os dentes apertando a adaga com mais força na minha mão e me virei de costas pra ele continuando a andar mais rápido quase com medo dele me obrigar a não ir. Mas eu estou preparada caso isso aconteça. Não vou deixar aquela cachorra em paz, custe oque custa.
-não faça isso filha por favor
Implorou lá atrás se aproximando de mim de novo enquanto eu ignorava e me divertia porque ele parecia não ter como me fazer parar, só implorar não vai adiantar. Eu quero fazer isso para me sentir melhor, e ninguém pode me impedir. Mas não parece que ele não quer mesmo que eu não cometa isso, se quisesse já tinha me arrastado até aquele porão me obrigando a permanecer lá para não machucar aquela mulher.
-me desculpe mesmo, mas não é culpa minha ser filha de alguém como você, eu tenho esse defeito que faz parte de você... E isso que está me controlando agora dizendo pra mim ir atrás daquela desgraçada!
-cuidado com as palavras que usa
A pelo amor de Deus!
Me virei de volta e deixei ele lá atrás em silêncio e meio bravo. Eu não me importo se ele gosta dela ainda, eu vou acabar com isso e depois posso até me divertir esfregando seu cadáver na cara dele dizendo que essa coisa que um dia ele amou está morta e pagou pelo oque fez comigo. Ele não entende meu lado, ele não sabe como me sinto sobre tudo isso...
Comecei a chorar pelo caminho me sentindo um erro nesse mundo, fruto de algo que não deveria ter acontecido entre duas espécies diferentes de criaturas. Tenho certeza que não sou uma criada por Deus. Se fosse não teria esse desejo de fazer isso com ela, aquela que me chamou de monstro e me entregou à ele por não ser do jeito que ela queria. Sou oque então? Metade demônio? Queria que não tivesse nenhum tipo de coisa dentro de mim de origem humana, queria que nada disso tivesse acontecido! Tudo culpa do meu pai! Preferia ser amaldiçoada do que ter tido uma mãe humana que fez isso comigo. Me pergunto oque estou fazendo aqui que não decidi oque fazer com aquela coisa que deveria ser chamada de monstra também. Eu era só uma criança anormal... Ela não me quis e só, resolveu me excluí da sua vida.

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora