Capítulo 77

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De manhã eu estava encostada na parede sentada no chão sujo, só eu e meus pensamentos sozinha. Tinha me esquecido de como era ruim. Eu vou ficar até meu pai decidi o tempo que for preciso, não entendi pra quê esse tipo castigo. Mas todos os castigos são ruins, não sei porque estou reclamando, talvez seja porque não fiz nada. É injusto oque ele está fazendo comigo, mas não posso fazer nada. Não posso sair daqui, não posso fazer nada além de pensar nisso. Também pensava em jass, não sei se ele está bem, meu pai pode ter ido atrás dele... Eu só espero que nada de ruim aconteça com ele. Essa é uma das minhas preocupações, a outra é o tempo que tenho que ficar presa aqui, não sei oque vou fazer aqui esse tempo todo.
Observando o lugar direito, eu percebi que tinha mesmo várias coisas acumuladas no espaço pequeno que é grande ao mesmo tempo. Móveis estranhos antigos cheios de poeira e alguns cobertos por panos brancos sujos. Aquilo me deixou curiosa pensando no que trouxe elas até aqui, humanos moraram aqui com certeza. Mas o mistério é porque abandonaram. Consegui me lembrar que eu entrei aqui uma vez atrás de algo que chamou minha atenção, por ser criança eu tive medo é claro, ainda tenho mas sempre fui curiosa e tinha que saber oque tinha aqui dentro. Até não aguentar a curiosidade, eu tive que me levantar do meu lugar e caminhar até o móvel que era o mais interessante por ser alto como aquela coisa com portas na casa de jass. Estava coberto por um pano branco também como os outros, então eu parei na sua frente pensando duas vezes antes de puxar ele de lá para revelar oque tinha por baixo.
Dei um passo para trás quando a poeira veio junto com o pano e deixei ela se abaixar até eu poder olhar para o armário estranho de madeira com três prateleiras que estavam organizando três tipos de objetos de vidro. Na primeira, copos grandes e atrás tinha mais, no total eram vinte e quatro porque eram doze na fileira da frente somando com a de trás. Na segunda, eram taças pequenas mas também estavam organizadas da mesma forma que os copos. Na terceira... Era os dois objetos misturados de forma estranha, alguns rachados e quebrados, como se alguem tivesse pegado um pedaço de pau e batido ali destruindo eles.
Deixei isso pra lá e procurei outra coisa para me distrair e encontrei uma mesa escondida atrás de caixas estranha grandes de papelão que estavam muito pesadas e tive trabalho para empurra-las para longe da mesa porque queria descobri como ela era por baixo do pano, curiosa feito uma criança.
Mas não me surpreendeu, era uma mesa pequena da altura dos meus joelhos, de madeira escura que tinha gavetas dos dois lados, uma coisa que me deixou mais curiosa ainda e eu abri a primeira devagar porque ela estava dura. Dentro tinha talheres prateados organizados também um do lado do outro, facas, colheres e garfos. Suspirei em desânimo por não ser oque eu esperava, fui até a outra gaveta e tinha apenas um livro estranho de capa preta onde estava escrito álbum em uma letra preta em um quadrado branco. Abri e percebi que só eram fotos de humanos, todos sorrindo alegres e eu passava as folhas absorvida pelo mistério que essa casa escondia como se eu fosse desvendar através desse livro.
Mas na décima folha eu comecei a sentir uma dor de cabeça de novo, mas era forte demais e veio acompanhada de uma tontura me deixando agoniada e eu deixei o livro cair no chão tentando me equilibrar apoiando a mão em alguma coisa que não conseguir ver porque minha vista escureceu de novo me deixando desesperada porque isso não pode tá acontecendo agora.
Mas era tarde demais e eu percebi que estava perdendo pra ela que estava muito mais forte agora tomando conta do meu corpo me dirigindo até a porta, mas era um tentativa inútil fazer isso.
Óbvio que ela não está aberta!
Não quero saber!!!
Como uma forma de seu protesto, eu me joguei contra o armário deixando os copos e tudo que tinha lá cair junto comigo me cortando na hora que me choquei contra o chão ferindo meus braços e minhas pernas principalmente meus joelhos. Senti cada caco de vidro entrar na minha pele e bem devagar comecei a sangrar. Tive que me arrastar dali sem conseguir evitar que mais cacos me cortassem, minhas mãos também estavam feridas e eu não conseguia colocar elas no chão para me ajudar a sai dali porque cada vez que fazia isso os pequeno pedaço de vidro afundavam mais ainda na minha palma.
Me levantei de repente me assustando comigo mesma porque sentia muita dor e não sei como conseguir fazer isso mas fui em direção a alguma coisa que não conseguir identificar e a peguei jogando até a porta que estremeceu mas não quebrou como eu queria. Isso me deixou mais irritada ainda e eu gritei para aliviar isso procurando mais coisas para jogar nela e achei uma caixa preta pesada que parecia um cubo mas eu não quis saber oque era o arremessei ela também na porta e conseguir quebrar a maçaneta. Depois corri até lá mas descobri que não dava para puxar ela de nenhuma forma e eu comecei a passar meus dedos pelas brechas tentando puxa-lá mas não conseguia, tentei isso várias vezes até ver que meus dedos estavam ficando feridos. Sabia eu não ia conseguir sair daqui desse jeito e a única coisa que fiz foi me sentar no canto embaixo da janela onde estava mais cedo, fechei os olhos com força e finalmente senti a dor voltando, estava ferida... Tinha vários cacos de vidros em mim...
Tive que começar a tira-los com minhas próprias mãos chorando de dor e de desespero ao mesmo tempo de não conseguir sair daqui.


Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora