Quando me aproximo dele, ele coloca as mãos no cabelo e puxa como se tivesse tendo um ataque ficando louco. Eu me afastei um pouco sentindo pena de vê-lo assim, depois ele se acalma parando de rosnar e foi se sentando bem devagar no chão se encostando na árvore rachada. Não me preocupei por ele parecer tão bem, fisicamente. Mas eu sabia que ele estava com um problema agora e sabia que era minha culpa. Depois que ele já estava mais calmo, eu volto a me aproximar e sento do seu lado tentando ver seu rosto que estava abaixado entre seu braços apoiados nos joelhos. Eu levantei minha mão direita pensado em toca-lo mas eu desisto e volto a ficar quieta pensando em outra maneira de começar uma conversa.
-eu peço desculpa, sei que tenho culpa em alguma coisa nisso tudo
Falei baixo usando um tom carinhoso tentando ver seu rosto que ainda estava abaixado sobre os braços. Eu estava ficando agoniada com esse silêncio, não sei porque ele está agora. Parece que está pensando em alguma coisa profunda. Mas eu ouvi ele respirar fundo como se tivesse soluçando, e só depois eu percebi que ele estava chorando. Isso me fez doer o coração e eu quase acabei chorando também por ver e sentir seu mesmo sofrimento.
-jass...
Chamei com uma voz mais baixa ainda, tentando abraça-lo colocando meu braço envolta do seu pescoço deixando ele no seu ombro esquerdo. Me aproximei mais um pouco e beijei com carinho seu pescoço congelando meus lábios, isso me fez sentir vontade de continuar, então eu dei outro e outro abraçando ele ainda mais puxando seu rosto dos seus braços, mas eu vi só seus olhos umedecidos e uma tristeza profunda no preto das suas pupilas. Isso pirou meu estado e passei isso pra ele também com certeza.
-não fica assim por favor...
-como quer que eu fique Lucy? Acabei de saber que meu pai estava curado todo esse tempo, e foi culpa minha ter sofrido todos esses anos por ter fugido de casa
Ele me interrompeu de forma grosseira levantando seu tom de voz a cada palavra que me deixava magoada com ele. Apenas fiquei calada o encarando tentando não falar oque tinha pra dizer de verdade.
-meu pai de alguma forma foi justo com você, sinto muito por ter perdido seus...
-acha que foi justo Lucy?! Ele acabou comigo me transformando nisso que sou agora, acha que foi justo?
Apertei minha boca e mordi minha língua porque ele estava começando a me deixar nervosa, também estava quase chorando pela ignorância que ele usava essas palavras fortes comigo.
-não disse que ele tinha falado de um preço?
...
Droga.
-tá do lado dele então né?
-não tô do lado de ninguém, os dois estão errados nessa história
Tentei explicar fazendo uma voz calma, mas eu sei que acabei de criar uma discussão, eu não quero brigar com ele por causa de uma coisa que não tem como se resolver. Não adianta falar nisso agora, preciso terminar oque comecei.
-eu sei que ele é seu pai e tal... Mas pra mim é um demônio
...!
-jass assim você me machuca, ele cuidou de mim, você escutou a história! Se ele fosse um demônio teria ficado com minha alma não acha?
Perguntei também levantando o volume da minha voz sem querer ficando irritada. Assim não consigo me desculpar, tive que responder desse jeito.
-eu sei Lucy... Olha, eu preciso ficar sozinho
Disse seco se levantando do chão deixando meus braços caírem por estarem sobre seu corpo. Tive que levantar também pensando em dizer alguma coisa para isso não acabar assim, não quero saber se meu pai estragou sua vida. Eu vou defende-lo mas também tenho que ver pelo lado dele, como saiu dessa?
-jass...
-chega Lucy, preciso mesmo ficar sozinho
Fiquei vendo ele se afastar de mim com uma expressão de dor indo embora para algum lugar que não podia ir junto. Meu coração parecia ter sido pisoteado por ele quando disse essas palavras. Eu queria dizer alguma coisa fazer ele voltar e me desculpar por... Alguma coisa, eu não sei. Ele parece magoado comigo. Não vou conseguir dormir sabendo que ele ficou assim comigo. Mas fazer oque?
Em pânico e desesperada eu comecei a ir atrás dele e quando o alcancei eu puxei seu braço fazendo ele parar de andar ficando na minha frente, mas me olhava sério e frio me transmitindo uma energia pesada de novo. Eu tive que ignorar ela dessa vez, preciso resolver isso agora.
-não fica bravo comigo por favor, não posso ir atrás de você, ele me proibiu de atravessar o rio
Implorei e expliquei segurando seu rosto nas minhas mãos. Mas ele continuava frio desviando os olhos em outra direção, eu percebi que não tinha convencido de nenhuma forma. Isso foi mais um chute no meu coração e eu quase ponho a mão no peito pela dor chegar a ser física.
Seus olhos me diziam que ele não tinha ligado pra nenhuma palavra que eu disse agora. Então eu o beijei segurando seu pescoço e ficando nad pontas dos pés, eu estava sentindo falta disso. Era como uma coisa que eu necessitasse agora. Isso me fez ir um pouco mais longe encaixando meus lábios nos deles delicadamente, usei a ponta da minha língua de novo, foi quando eu fiquei sem ar mas antes de me afastar para recuperar. Ele me segura pelos cotovelos me empurrando de leve para não me machucar. Mas não adiantou nada, seu olhar ainda sério me deixou pior. Isso não funcionou?
-só preciso pensar um pouco, eu volto depois que estiver melhor
Ele falou isso me olhando de outro jeito cuidadoso passando um dedo na minha bochecha me provocando arrepios e eu fechei os olhos com a esperança de um outro beijo. Mas ele me soltou e me deixou na vontade indo embora com as mãos nos bolsos me deixando sozinha e ferida.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasíaEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
