Capítulo 159

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Voltando pra casa na chuva, é claro que Marie não apareceu lá para me buscar. Mal agradecida, não sei porque ela quer me ver andando, se quer recuperar o amor da sua filha é melhor começar me levando pra casa de carro. Mas não era tão ruim, a chuva está fraca, mas mesmo assim ainda me incomoda, se eu não arrumar um jeito de secar esse uniforme eu não venho amanhã. Oque estou pensando? Isso é perfeito pra mim faltar a escola amanhã, mas é claro que não vou poder simplesmente largar ele no chão e deixa-lo lá prendendo a umidade até outro dia. Vou ter que fazer alguma pra chegar e dizer "meu uniforme não secou" se houver alguma pergunta pra não ter me arrumado.
-oi
Não conheci quem era, mas andava atrás de mim e eu percebi que era aquele garoto insistente. Eu ignorei como sempre e continuei andando, desde o último acontecimento eu fiquei com raiva dele. Mas tenho que levar pelo lado que ele só estava se defendendo também. Suspirei passando a mão no cabelo e depois o encarando.
-você anda me seguindo não é?
-não, eu só vi você passando
Respondeu rápido demais significando que eu estou certa mesmo. Só acho estranho demais ter alguém de olhos vermelhos e esquisito me seguindo. Mas aí eu senti uma coisa estranha quando eu percebi que ele havia me coberto pela sua jaqueta me trazendo memórias estranhas. Eu segurei aquela jaqueta olhando fixamente o chão recebendo aquelas memórias, uma delas eu estava em um corredor escuro com luzes vermelhas brilhando e uma sirene no fundo, ele havia me salvado de homens estranhos daquele lugar, é difícil de lembrar onde eu o vi antes sem ser naquele lugar. Eu sei que existem memórias na minha cabeça, eu sei que me drogaram naquele lugar.
-você não é humano?
Perguntei de repente fazendo ele me encarar sério e depois de dois segundos desviou e olhou para a calçada, isso me deixou mais confusa ainda e com medo. Só o fato dele ter essa aparência, eu podia ter certeza de que não era humano, mas acontece que não conheço humanos o suficiente para saber que eles podem ter olhos vermelhos.
-não, e sei que você também não é porque nenhum humano ataca alguém do nada
Olhei para o lado me lembrando do que fiz, eu realmente não sabia porque tentei machuca-lo, mas naquele momento qualquer tipo de pessoa poderia satisfaze-la.
-me desculpe por aquilo
Pedi envergonhada sem olhar pra ele, de alguma forma me deixava desconfortável. Eu não sabia porque, sinto que não devia falar com ele como se fosse meu amigo.
-você não sente mais medo de mim?
Sua pergunta foi estranha porque ele parecia muito sério agora, eu até que sentir um pouco porque eu não o conhecia direito, e ele pode muito bem ser perigoso pra mim. Isso me fez dá um passo para o lado porque eu me lembrei de já ter ficado com medo dele, só não sei o motivo.
-pelo visto não se lembra não é?
...
-mas não precisa ter, eu nunca te machucaria
Sorriu de leve andando mais rápido passando na minha frente e depois entrou em uma sorveteria que eu reconheci e fiquei parada na frente dela me protegendo no teto dela. Mas eu não entendi porque ele resolveu compra um porque estava chovendo, não era um tempo bom pra ingeri uma coisa gelada.
Mesmo assim eu aceitei quando ele me ofereceu um também é continuamos andando em silêncio. Eu ainda tentava me lembrar de onde eu tinha o visto pela primeira vez, talvez na floresta, a segunda vez que eu não consigo aceitar que não tem como eu me lembrar. Ainda fico desconfiada e insegura do seu lado, as vezes ele parece ser duas pessoas, assim como sorri e depois fica sério como está agora chegando e me assustar de novo. Porque disse que não tenho mais medo dele? Será que ele poderia me contar?
-Joseph?
Olhou pra mim lambendo a sua pazinha e eu desviei os olhos de novo não conseguindo encara-lo, eu pensei direito antes de perguntar porque algo me dizia que não gostaria de saber.
-quando senti medo de você?
Um momento de silêncio me deixando tensa, ele continuava cutucando o potinho de sorvete parecendo concentrado, nem parecia que eu tinha feito uma pergunta. Pensei em perguntar de novo até ele colocar um pouco de sorvete na boca e depois deixar a pazinha dentro do pote jogando em uma lixeira de uma lanchonete e depois voltando para ficar do meu lado me acompanhando de novo. Já se passaram três minutos de silêncio...
-eu prefiro te contar depois
...?
-demorou tudo isso de tempo pra me dizer isso?
Ele levantando os ombros e jogou de lado ignorando minha raiva. Fiquei olhando pra ele tentando entender porque não quer me contar. Só pode ser algo que não devo saber... Ou ruim?
-vai terminar isso?
Estendi meu potinho pra ele e passei na sua frente subindo as escadas da varanda da casa do meu pai e comecei a abri a porta.
-vou te encontrar de novo?
Parei e o encarei deixando a chave cair porque estava com pressa para entrar em casa, mas infelizmente não deu certo tentar fazer isso antes dele me perguntar isso.
-calma
Gozou ali me deixando com mais raiva ainda e com vergonha da minha burrice por ter encaixado três chaves erradas. Até que na quarta. Eu conseguir e fechei a porta atrás de mim ainda deixando ela cair, mas aí eu fiquei com raiva disso e a chutei porque simplesmente estava com raiva dela. Joguei a mochila no chão e tirei a maldita gravata do pescoço e a jogando no chão também, subi as escadas e no caminho para o banheiro eu fui deixando meu uniforme pelo chão do quarto entrando debaixo do chuveiro de uma vez e me esfregando com o sabonete que não usava tanto. Mesmo se estivesse o tempo mais frio da época, eu tomaria banho para me desinfetar do dia perto de humanos.
E quando eu sair de lá, eu vesti calças que faziam parte de um pijama que eu substituir a blusa por uma de frio e branca. Tinha mangas compridas e tinha um perfume estranho que não identifiquei, parecia uma fragrância de chá. Mas aí eu tropecei na sua jaqueta que esqueci de devolver, peguei ela do chão e dobrei colocando em cima do banco do banco da penteadeira me jogando na cama e fechando os olhos refletindo sobre meu dia para não pensar no próximo porque era ainda mais estressante.
Me virei de lado e encarei sua jaqueta ali me confundindo de repente, se não fosse por ele ter me dado ela, eu havia molhado meu uniforme... Que idiota! Agora não tenho mais desculpas pra não ir no colégio amanhã!

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*LendarioEscritor*

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora