Capítulo 9

1.7K 187 12
                                        

-então Lucy, queria saber quem era a pessoa que você ia se encontrar naquele dia
Ele se apoio no seu cotovelo e ficou mais perto de mim me olhando de forma divertida, eu retribui uma expressão meio confusa com seu comportamento. Eu não vejo porque ele quer saber disso, mas também me lembrei de que vou embora quando a chuva passar porque não quero me atrasar hoje. Virei meu rosto para a janela séria pensando no que responder, e senti uma energia diferente no ar. Eu fiquei tentando identificar, mas não estava deixando a atmosfera pesada de novo... É como se tivesse me deixando mais um pouco a vontade, me transmitindo tranquilidade.
-tá fazendo isso?
Perguntei rápido olhando pra ele. Mas ele só respondeu aumentando seu sorriso mostrando seus dentes, era estranho demais mais uma vez. Eu estou acostumada com sua expressão séria, seus sorrisos me assustam.
-ainda não me respondeu
-eu não vejo porque seria do seu interesse
Disse virando meu rosto de novo e fiquei calada depois ignorando aquela energia que deixava eu me sentindo mais confiante à ele. Mas essa confiança não era forte o suficiente para fazer eu responder corretamente.
-não vai me contar?
Sua voz agora estava diferente, eu percebi um tom mais forte e mais firme. Se ele me obriga eu não vou ter como me proteger, continuei olhando a janela um pouco tensa mas também irritada porque esse assunto é pessoal e não deve ser compartilhado com qualquer um.
-tá bom, eu não vou mais te dá o vestido
Quê?
Olhei pra ele rápido torcendo para não ser sério. Mas ele sorriu de novo se ajeitando ali ainda abraçando a coisinha macia encolhendo suas pernas, agora eu não sei mais... Era sério ou não? Quem se importa? Não vou deixar esse assunto ser comprado por um simples vestido, não importa se é o vestido mais bonito que já vi na minha vida inteira.
...
Meu Deus! Meu pai vai me matar! Eu não deveria está aqui! Oque ainda estou fazendo aqui!!? Eu... Aí merda ele não vai gostar disso, deveria ter pensando isso antes de vi até aqui. Não... Pera... Eu vou embora depois... Ele não vai descobri se eu manter isso em segredo. Só por ter ido em uma parte da floresta que não conhecia, já é um motivo pra castigo.
Acalmei meu coração passando a costa da mão na minha bochecha pensando mais um pouco sobre isso. Talvez ele não descubra, mas também vou ter que mentir, isso é uma coisa que não gosto de fazer com ele. Mas não tenho outra opção.
-porque não quer me contar?
Ainda tá insistindo nisso!?
-pra quê você quer saber?
Perguntei brava usando um tom mais alto e estressado, eu fiquei surpresa comigo mesma, eu estava criando uma discussão. Mas também ele não respondeu e ficou olhando pra frente de novo abraçado a coisinha que eu estava ficando com vontade de abraçar também. Não pude deixar de ficar comovida pela sua expressão um pouco triste agora, há que se dane. Eu não vou falar nada da minha vida à ele.
Vou me arrepender de fazer isso que estou pensando...
-você não tem família?
-não
Agora fiquei calada pela sua resposta grosa, mas as perguntas continuaram flutuando na minha cabeça. Ele ainda olhando pra frente começou a passar a mão na sua cabeça bagunçando seu cabelo ainda molhado e mais escuro por causa da água. Aquela vontade voltou de novo e eu olhei para outro lado tentando não pensar nisso por um tempo, coloquei meus pés na mesinha também e fiquei abraçada a meus joelhos como gosto de ficar. Imaginei oque poderia contar à meu pai oque andei fazendo ontem que não voltei para casa.
Ouvi uma risada interrompendo minha concentração, sem entender o motivo dele ter feito isso do nada, mas quando eu olhei pra ele, vi seus olhos com as pupilas um pouco maiores e mais brilhantes. Que...?
-que foi?
Perguntei confusa ainda sem tirar os olhos dos deles presa tentando descobri a resposta neles.
-nada deixa pra lá
Há não, agora vai ter que contar.
-ninguém ri do nada
Só alguém com problemas, mas não quis completar desse jeito, é meio ignorante demais, e não sou desse jeito por ter tido a educação perfeita dada pelo meu pai.
-fique quieta um minuto, e olhe pra mim
Ele chegou mais perto de mim deixando a coisinha de lado, ele colocou as duas mãos sobre o tecido e me encarou ainda com aquele sorriso estranho mais levemente divertido. Também fiz a mesma coisa não querendo demonstrar fraqueza, virei meu corpo de frente pra ele e fiquei o encarando séria. É como se fosse uma briga de olhares, mas ele parece está vencendo porque eu estava começando a ver coisas estranhas dentro dos seus olhos, além de meu reflexo eu via algo estranho, uma coisa agoniante se contorcendo lá dentro, uma criatura? Uma pessoa?
Eu não sabia dizer oque era, seu sorriso se transformou em uma linha fina e reta, eu não desvie tentando descobri oque realmente tem ali com um pouco de medo agora que ele ficou sério.
Comecei a senti uma coisa estranha ao meu redo, uma agonia ficou novamente dentro do meu peito quase me sufocando. Tentei ignorar mais ficava mais forte ainda, mas depois isso simplesmente parou e eu sentir um alívio intenso agora. Continuei encarando ele vendo minha vantagem agora que isso parou, mas seus olhos foram ficando mais claros, suas pílulas ficaram brancas de novo bem devagar, eu percebi que elas não somem, só ficam mais clara e dão a impressão de que elas não estão mais lá.
Pisquei uma vez e continuei sentindo minha respiração acelerar e eu não sabia se eu desistia ou se continuava. Mas agora eu comecei perceber que eu estava ficando mais concentrada, minhas mãos formigaram de repente e eu tive aquela vontade novamente e eu tentei ignorar me concentrando mais ainda pegando seu olhar retribuindo outra energia mais pesada à ele.
-nossa...
Ele disse de repente ficando assustado, depois ele se afastou de mim e ficou com uma expressão estranha, eu não entendi então eu me afastei também. Recolhi a manta sobre meu colo para voltar ao normal sobre efeito disso, foi... Esquisito. Continue me cobrindo sentindo o frio de novo e olhei pra ele dessa vez séria muito confusa quando vi que ele estava do mesmo jeito me olhando. Eu confesso que também não sei oque aconteceu aqui.
-como faz isso? Você me bloqueia... Mas...
Ele mesmo parou olhando para baixo muito confuso com as sombrancelhas juntas se complicando com alguma coisa dentro da sua cabeça. Eu apenas fiquei esperando ele se recuperar, porque a única coisa que eu acho que aconteceu aqui foi uma troca de energias estranhas e que não sei nomeá-las. Também estou confusa.
-oque você é realmente?
-não sei
Respondi rápido levantando meus ombros, eu realmente não sei mas quero deixar isso pra lá. Não quero nunca mais fazer isso.
-então porque não consigo...
Ele parou de novo, eu fiquei esperando ele continuar mas ele só ficou me encarando de novo. Eu senti outra energia diferente, agora era bem mais forte. Uma coisa que me confundiu de novo mas... Era muito forte e eu estava ficando agoniada demais.
-para por favor
Pedi sem disfarçar minha expressão de dor agonizante. Abaixei minha cabeça tentando ignorar esperando ele pegar, mas em vez disso eu comecei a sentir outra coisa, era mais leve e estava me deixando mais um pouco calma, suspirei me acalmando um pouco até não poder sentir mais nada. Me concentrei em tentar pensar nele ali confuso e me transmitindo tudo isso me deixando louca.
-desculpa
Ele disse respirando fundo e voltando a se encostar na parede fechando os olhos pegando aquela coisinha macia de novo e colocando em cima da sua barriga, eu fiquei olhando ele com os olhos fechados sem eu saber o motivo. Alguma coisa tinha nele que me deixava muito curiosa, uma coisa que me atraía e me deixava com vontade de saber muito mais sobre ele, aquela coisa dentro dos seus olhos me deixou um pouco assustada mas eu não quis interroga-lo agora. Mas eu não consigo parar de pensar nisso.

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora