Capítulo 25

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Já estava quase no fim da tarde e ainda estávamos andando em silêncio, estava brincando com meus passos e os dele também. Eu tentava ficar no seu ritmo e fazer nossas pernas andarem em sincronia de tanto tédio. Quando eu conseguir, eu tentei olhar envolta para descobrir onde nós estávamos. Era fechado com pouca iluminação, árvores mais altas e com raízes enormes e profundas na terra umedecida demais e fofa. Eu me perguntava se ainda estava longe demais, mas não quis falar com ele por causa do que aconteceu à poucas horas. Não estava com raiva dele, apenas não consegui entender onde eu errei pra não ter passado aquela mensagem da forma correta.
Hum... Acho que quando ele tentar de novo eu vou fazer algo mais... Exagerado, já que aquilo não funcionou.
-olha!
Tomei um susto por ele ter dito isso do nada interrompendo meus pensamentos da pior forma possível.
Depois ele passou na minha frente pulando por cima de uma pedra de uma forma graciosa pousando no chão e depois correndo de novo para algum lugar. Não tive outra opção além de segui-lo, eu tentava ver por entre as árvores pra onde ele ia com tanta pressa. Conseguir ficar próxima dele correndo também me concentrando em não bater em um tronco de árvore e manter uma linha reta pra onde ele me levava.

Quando nós paramos, primeiro eu ajeitei meu cabelo bagunçado por causa do vento e depois eu levantei os olhos vendo pra onde ele olhava. E como eu pensei, fiquei impressionada de novo. Era uma casa de madeira próxima a um rio bem grande, a casa me chamou atenção por ter pés mantendo ela alta e salva da inundação quando o rio enchesse. Era grande e bem diferente da casa que ele tinha naquele lugar. Parecia bem mais moderna que aquela.
-vem
Ele me chamou passando na minha frente de novo e eu fui alegre e contente em saber oque teria dentro dela. Acho que mais coisas do que aquela, talvez uma coisa macia de novo, mas não quero pensar no caso de ser de algum humano. Ele não faria isso comigo.
Quando nos aproximamos da casa, eu percebi que tinha uma espécie de escadinha para subimos e entrarmos, isso antes de abrimos a porta que não estava trancada deixando bem claro que quem mora aqui não liga pra segurança. Ou não foi muito longe, por isso deixou aberta...
Não liguei pra isso e entrei depois dele dessa vez. Abri minha boca surpresa quando vi que era mais interessante do que aquela mesmo. Tinha mais uma daquelas coisas macias e móveis também, tinha uma mesa pequena com apenas uma cadeira encostada na parede e uma coisa grande na parede do meu lado direito, acho que é aquilo que os humanos chamam de fogão, só que mais antigo e velho. Seja lá quem for, deixou panelas descobertas e uma espécie de sopa dando moscas. Outra coisa que chamou minha atenção foi várias caixas estranhas do lado desse fogão, tinha uma tampa em cada uma delas, eu não aguentei e abri uma vendo um cacho de bananas ainda verdes e pequenas demais. A fechei e depois abri a outra que não tinha nada para saciar minha curiosidade.
-essa tem dono, mas não vem a cada sete dias, ele passa uma semana aqui e depois vai embora e volta depois de sete dias
Ele me explicou tirando a mochila das costas colocando ela em cima da coisa macia, era um pouco menor do que a outra, mas quase com os mesmos lençóis brancos e a pequena coisinha que servia para enfeitar. Me sentei ali vendo ele procurar alguma coisa dentro da mochila.
-então você vem aqui pra fazer oque?
Perguntei colocando minhas mãos dos dois lados do meu quadril realmente curiosa com isso.
-as vezes ele deixa algumas coisas interessantes por aqui
Ele deu de ombros tirando uma blusa preta com mangas curtas de dentro da mochila, ele examinou e depois colocou ela sobre a coisa macia como se tivesse vendo se ela servia para alguma coisa.
Eu desconfiei do que iria fazer, então eu levantei dali e caminhei até uma janela com cortinas claras, observei o rio só para ele terminar de se trocar porque não queria estragar meus olhos como ele fez com minha boca. Era tão tranquilo aqui, queria dormir e descansar um pouco de tanto que caminhei. Sinto meu corpo pedindo por uma coisa macia e confortável, mas esperaria escurecer.
-olha isso Lucy
Me virei e percebi que ele estava abaixado na frente de uma caixinha que eu suspeitei de que ele tivesse tirado debaixo da coisa macia, ele segurava um troço que parecia uma ferramenta, só que tinha a semelhança de uma faca, só que era pontudo demais. Não, não era uma faca.
-oque é isso?
Me aproximei e me ajoelhei ali também sentando nos meus pés cutucando a caixinha, peguei um outro trocinho que era afiado e eu segurei de uma forma que fez eu me cotar de pura burrice. O corte era no meu dedo mindinho e logo começou a sangrar me deixando desesperada.
-ai droga
Reclamei apertando minha mão no meu vestido tentando fazer o sangue parar. Não doía tanto, só me incomodava com a ardência, e também estava sujando meu vestido tão querido por mim.
-deixa eu ver
Ele puxou minha mão dali delicadamente colocando seus dedos na minha palma com cuidado para não encostar no meu mindinho. Fiquei me espremendo de dor enquanto ele examinava como se fosse um doutor, já estava agoniada vendo a gota de sangue escorrer quase pingando.
Depois ele segurou minha mão com a sua direita, e com a esquerda pegou uma coisinha no seu bolso e descascou com cuidado sem largar minha mão. Ele jogou uma parte fora e a outra ele colocou no meu machucado apertando de leve e depois levou até sua boca para dá um beijo e logo em seguida sorriu pra mim vendo minha reação. Eu apenas fiz uma cara de dor e nojo, ignorei seu sorriso que esperava que eu demonstrasse outra coisa, queria que ele soubesse que não sinto nada do que ele pensa. Mesmo assim eu deixei minha mão na sua até ele soltar e continuar mexendo nas coisas dentro da caixa.
Gostei do curativo, mas não do jeito que ele o beijou.

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora