Fomos até a cozinha e eu conseguia ouvir seus tropeços. Eu não sei oque exatamente fizeram com ele, mas estou começando a me preocupar. Tentei me concentrar em oque comer de acho que... Já almoço. O relógio indica alguns minutos à mais depois do meio dia, então peguei oque eu quis na geladeira. A geleia de morango e o pão no armário, fiz um sanduíche me lembrando de como ela fez pra mim naquela hora.
-você quer?
Ofereci meio com dó de ver ele mais pálido que o normal sentado na cadeira da mesa com uma mão cobrindo a boca. Ele negou com a cabeça e abaixou os olhos ficando mais branco ainda chegando a me assustar, eu me sentei do seu lado e fiquei preocupada enquanto comia sem vontade me concentrando somente nele. Mas depois eu tomei um susto quando ele correu para algum lugar indo em direção ao banheiro do meu quarto desesperado. Fiz uma cara de dor antes de correr atrás dele também, eu escutei ele batendo a porta do banheiro quando a abriu com muita força. Fiquei no meio do quarto esperando ele terminar, eu queria poder ajudar, mas que tipo de remédio se dá a um... Garoto igual a ele?
-estou preocupada com você
Falei para disfarçar minha cara de espanto quando vi sua expressão horrível quando ele saiu do banheiro se apoiando na porta meio tonto. Meu coração se apertou e eu fui para seu lado segurando sua cintura levando ele até a cama onde se deitou e ficou... Pálido feito um cadáver, ele me assustou mais ainda quando ficou olhando pra janela sem mexer os olhos como se tivesse morrido mesmo. Fiz carinho nas suas costas nuas e tomei um choque quando senti sua pele gelada demais, parecia que eu tinha metido minha mão na parede do congelador da geladeira. Ele percebeu meu susto e me olhou confuso perguntando oque aconteceu. Mas eu neguei com cabeça dizendo nada e o cobrir com o lençol, procurei sua camisa em algum lugar em cima da cama e a encontrei amarrotada embaixo do travesseiro.
-veste
Pedi entregando a blusa pra ele que demorou demais pra tirar seu braço debaixo do lençol, então eu joguei no seu rosto e fui para cozinha de novo parando bem no centro dela pensando no que fazer agora. Oque pode ajuda-lo? Não vou esperar ele se recuperar sozinho, será que remédios de humanos ajudam? Devo perguntar? Oque eu faço?
Na minha confusão, eu escutei a porta sendo aberta e fiquei mais confusa ainda quando Marie entrou segurando várias sacolas de pano em seu braço. Ela sorriu e eu entortei a boca sem entender sua presença aqui.
-não foi trabalhar?
Perguntei como se fosse sua filha mesmo que convivia com ela muito tempo.
-hoje e sábado...
Falou colocando as sacolas em cima da mesa começando a tirar as coisas de lá. Era comida, coisas de limpezas, produtos de higiene. Eu não aguentei e comecei a fuçar também feito uma criança curiosa. Ela permaneceu calada enquanto guardava as coisas no armário e eu ficava pensando se pedia a ajuda dela ou não. Vou me arrepender...
Vai.
-tem... Remédio pra... Vômito?
Não sabia direito oque ele tinha então perguntei dessa forma, bati meus dedos na mesa porque ela só me olhava confusa e curiosa demorando pra entender minha pergunta tão simples.
-tem porque?
Perguntou indo para uma gaveta no armário menor do lado do que guardava as latas de comida. De lá ela tirou uma caixinha branca com coisas escritas na frente, peguei da mão dela com presa e comecei a abrir curiosa. Era uma cartela de comprimidos pequenos e azuis claros. Eu não sabia se ia funcionar, mas não vou conseguir esconder a presença de jass nessa casa.
-meu... Amigo está doente
-que amigo?
Levantou uma sobrancelha parecendo meu pai desconfiado. Eu apertei os lábios ganhando tempo pra responder batendo a caixinha na minha mão fingindo está lendo ela.
-eu trouxe ele pra cá e... Está no quarto descansando, ele está vomitando
Explicava sem olhar pra ela como se isso fosse a coisa mais terrível do mundo. No fundo eu desconfiava dela contar à meu pai. Fiquei em pânico quando ela se dirigiu até o quarto depois de ter lançando um olhar sério pra mim... Sim ela vai contar.
A segui apertando meus olhos com o problema que iria arrumar com isso. Como sempre. Entrei no quarto e ela estava emburrada no meio dele do lado da cama onde jass se encontrava a encarando, ela me olhava com aquele mesmo olhar do meu pai. Agora pronto!
-vou contar pro seu pai
-ha! Pelo amor de Deus! Ele tá doente, eu só quero ajudar
Falei meio implorando pra ela não fazer isso. Mas escondia minha raiva também por trás disso, não aguentei ficar aqui em pé olhando pra cara dela e de braços cruzados me lançando aquele olhar irritante. Fui até a beira da cama e me sentei puxando jass até ele se virar e eu poder pegar na sua testa que estranhamente estava muito quente agora. Que diabos...?
-essa coisa não vai se curar com esses remédios
...?
-"essa coisa"?
Repeti olhando pra ela pasma com seu modo de se referir à jass. Olhando pra ela nesse momento, eu vi seu lado ruim, aquele lado que eu pensei que nunca ia ver até essa palavras serem pronunciadas por ela. A criatura que me abandonou estava na minha frente agora. Fiquei horrorizada.
-seu pai me contou pra onde vocês foram, lá eles dão tipos de drogas diferentes para cada vítima. Seu amigo aí recebeu uma mais forte, uma doze que o organismo dele não aguentou, por isso está vomitando e com febre
Falou pegando na testa de jass também, depois puxou o lençol e suspendeu a blusa dele pegando na sua barriga usando as duas mãos fazendo um tipo de massagem. Jass gemeu e eu fiquei com raiva dela, fez de propósito?
-isso te deixa mais fraco e vulnerável a doenças mais graves, você tinha uma defesa contra todo esse tipo de coisas, mas ela foi rompida pela droga que te deram
...
Como ela sabe de tudo isso?
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Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
