Capítulo 113

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Estamos contornando a rua principal e eu não sei mais o que fazer pra ele parar de me acompanhar, nesse momento eu me pergunto até onde eu vou pra ele me deixar seguir sozinha. Nem eu e nem ele dissemos nada pelo caminho longo e tenso, de vez enquando eu notava ele me observando pelo canto dos olhos, eu também vazia isso. Mas era como se fosse um gesto pra mim ter certeza de alguma coisa, ele ainda me assusta e me deixa desconfiada sobre suas intenções que não me deram significado nenhum até agora. Eu só sei que ele quer me acompanhar, mas não sei porque.
-quem você está procurando?
Quebrou o silêncio e torcendo um pequeno galinho mas suas mãos enquanto olhava pra mim esperando minha resposta que não queria dá. Mas se passaram alguns segundos e eu decidi fazer isso da maneira mais... Leve, então respirei fundo e olhei pra frente o tempo todo.
-minha mãe, descobri recente que ela existe... E agora estou atrás dela
Minha voz estava baixa demais meio fraca e afetada com isso. Me controlei para não mudar as cor dos meus olhos e deixei meu cabelo cobri o lado do meu rosto. Ainda não consigo deixar de senti aquela tristeza idiota, mas também significa que eu realmente estou incomodada pelo fato de ter sido abandonada. Ha... Não consigo parar de tentar justificar o motivo dela ter feito isso, eu já sei que era porque não era normal. Mas o que levou ela me chamar de todas aquelas coisas e dizer que não queria me queria mais na sua vida, nem eu e nem meu pai? Ainda não... Engoli isso.
-também estou procurando meu pai, ele é o único da minha família que está vivo, fiquei sabendo disso pela minha mãe adotiva, e você?
...
-foi... Pelo meu pai...
Passei a mão no nariz disfarçando minha expressão de ódio dele ainda. Eu não sei porque ele insisti em saber disso, eu não quero mais dizer nada sobre a porcaria da minha mãe e nem sobre meu pai idiota. Eu queria que todos desaparecem da minha vida, mas a mamãe... Eu faria questão de dá um fim nela eu mesma. Já meu pai, eu não sei direito... Ele quem cuidou de mim... Me viu crescer. E ela não.
-e onde ele tá agora?
Com certeza me procurando andando pela floresta feito um animal atrás da presa que no caso sou eu! Eu não quero que ele descubra onde estou, vai tentar me impedir de novo. Percebi que estava fechando minhas mãos com força tentando me manter calma, mas ela gritava dentro de mim e rosnava palavras violentas me obrigando fechar os olhos e respirar fundo pra ver se adiantava alguma coisa. Mas nada... Tudo que ela repetia na minha cabeça era quero mata-lá! Quero mata-lá!
Lembrei que tinha que responder calma e de forma educada.
-ele não mora por aqui, e eu meio que fugir de casa pra vim atrás dela porque quero muito... Conhece-lá
Sorri escondendo minha maldade, dessa vez encarei seus olhos por dois segundos e depois desviei suspirando bem fundo e soltando o ar pela boca. Ele não falou mais nada depois disso, mas também ficou muito calado me deixando tensa porque sua energia era pesada me atingindo também. Queria tanto ficar a tarde toda contando minha história à esse estranho que eu sentia facilidade em dialogar sem vergonha ou medo de reprovação, mas também fazer ele me contar a sua também. Parece tão misterioso.

Parei atrás de um tipo de loja que estava fechada e era bem alta pela muralha de tijolos que a protegia. Ele também parou e ficou de frente pra mim passando uma mão na nuca enquanto a outra estava no seu bolso. Eu sorri de repente apertando a alça da minha mochila esperando ele ir embora erguendo as sombrancelhas dizendo que eu estava esperando alguma coisa dele.
-bom... Acho que já vou, eu queria poder te ajuda nessa busca, eu também queria sua ajuda porque não faço ideia de como encontrar meu pai... Tive poucas informações sobre ele... Mas tudo bem, sei que é estranho ser acompanhada por alguém como eu
Fiquei triste por ver ele quase se culpando dessa forma, mas também fiquei em silêncio porque não queria mais que ele viesse comigo mesmo. Eu poderia ajuda-lo, mas já tenho minha ajuda. Então não dá pra andar por aí procurando nossos pais desaparecidos juntos, eu sinto que vou ver ele mais vezes por aí.
-desculpa não poder ti ajudar
Falei querendo consola-lo de alguma forma usando uma voz baixa. Ele só fez balançar a cabeça e entortar o canto da sua boca. Depois dei uma volta completa e andando na direção oposta da cidade indo para floresta levando minhas perguntas não respondida e o mistério que ele escondia também. Eu queria saber mais sobre ele, mas não posso fazer nada agora... Ele já foi. Melhor eu procurar jass, eu acho que ele não deve ter voltado ainda, mas acho que ele vai trazer más notícias sobre mim e meus crimes.

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora