Capítulo 145

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A viagem de carro foi silenciosa, eu ficava olhando pela janela com um pouco de frio do ar condicionado. Me perguntava porquê ela me obrigou a usar calça comprida jeans, eu odeio, é apertada e desconfortável. A blusa nem tanto, mas eu me contorcia de ansiedade para me... Apresentar aos diretores. Na primeira vista vou ser normal, decidi fazer isso porque quero que ela veja que eu estou me esforçando. O caminho não era tão longo como pensei, trinta minutos de carro, eu consigo vir a pé.
Ela estacionou na rua apesar de ter um espaço bem grande na frente da escola que não me impressionou muito, um prédio normal grande e com bastantes janelas, o campus era enorme também, uma área aberta visível mesmo de frente para escola. Vou gostar de lá, pode ser um lugar onde eu vou poder ficar sozinha e sentido uma parte da floresta comigo.
Entramos e a primeira coisa que tinha era o refeitório, claro que tinha vários alunos também, nenhum deles nos deu atenção. A mulher que nos guiava até a secretária era um tipo coordenadora, ela chamava atenção dos alunos pelo corredor que passávamos, eu ia atrás de Marie começando a ficar agoniada com o barulho e o ar abafado. Finalmente chegamos na sala onde Marie cumprimentou a diretora e ficou conversando com ela coisas sem interesse algum pra mim então se transformava em um ruído na minha cabeça. Fiquei em pé no canto de braços cruzados esperando essa conversa com risadas e elogios de puxação de saco acabar. Eu me entediei muito fácil, quando as duas deram uma pausa na conversa, eu disse que esperava Marie no carro e sair da sala indo pelo mesmo caminho que viemos. Mas é claro que não ia pro carro, em vês disso, eu fui direto para o campus onde se encontrava mais alunas do que alunos, elas estavam sentada no chão de grama macia que afundavam meus pés de uma forma que me lembrava a floresta. Pena que estava de calçados e não podia senti isso como queria. Fiquei por ali andando ignorando todos os olhares curiosos porque não usava o uniforme, algumas sorriam e outra simplesmente me ignoravam. Melhor assim, os meninos brincavam de bola feito crianças na área que estava sem árvores. Todos pareciam alegres aproveitando o intervalo depois do almoço. Aqui vai ser... Um saco.
Voltei para o prédio dando uma volta pela calçada de concreto contornando o estacionamento e indo para área de trás. Onde tinha um ginásio a campo aberto com arquibancada e tudo, dentro deve ter um também, estava acontecendo um tipo de aquecimento para algum jogo que não conhecia, somente doze meninos estavam lá gastando o tempo do intervalo com jogos em vês de descansar.
Me sentei no banco mais próximo do chão e fiquei observando tentando me distrair e pegar um pouco das coisas que os humanos faziam para imitar, era uma coisa bem chata esse jogo. Só estou aqui para gastar meu tempo.
Mas depois de dois minutos entediada, eu resolvi voltar porque queria ir pra casa. Não me sinto bem aqui, é muito barulho muito movimentado, fico rodeada de humanos burros... Vou ter que fugir de casa pra faltar aula pelo visto. Já que estou sendo obrigada a fazer parte dessa... Sociedade idiota.

Estava olhando para a parede enorme do prédio quando escuto alguém dizendo "para" bem na minha frente. Eram dois meninos que pareciam ser três anos mais novos do que eu, no chão, estava uma menina chorando tentando pegar suas coisas do chão enquanto os meninos chutavam sua mochila que já estava suja de tantos pisões que eles davam nela. O caderno e outras coisas, estavam sujos também, eles ainda chutavam e chegaram a empurrar a menina quando ela tentou ir até seu caderno. Eu fiquei parada assistindo tudo até eles me perceberem aqui.
-oque é estranha?
Fiquei incomodada com a audácia do pirralho de quinze anos se fazendo de valentão pra mim. Mas não precisei fazer nada pra eles irem embora, foram logo depois de terem empurrando a menina novamente fazendo ela chorar ainda mais e ajuntando suas coisas com mais pressa ainda soluçando. Eu fiquei com pena dela porque não pôde se defender e nem parecia saber como fazer isso, eu resolvi me aproximar e fui bem devagar até pegar uma caneta rosa e estender para ela que me olhou ainda com o rosto vermelho por ter chorado tanto.
-brigado
Tomou a caneta e começou a arrumar as coisas dentro da mochila sem olhar pra mim. Achei estranho seu tamanho numa escola onde só tem adolescentes da minha idade.
-você tem quantos anos?
-quinze
Respondeu rápido passando a mão na bochecha e depois começando a andar depois de ter arrumado a alça da mochila. Eu a acompanhei porque achava que aqueles garotos ainda podiam encontra-lá.
-está no primeiro ano não é?
Respondeu afirmando com a cabeça um pouco encolhida e tímida do meu lado. Talvez esteja com medo de mim, ou apenas seja tímida mesmo. Olhei envolta quase procurando aqueles meninos covardes, eles estavam indo para o campus e conversando entre si e rindo também, acho que não nos viram. Acompanhei a menina até a rua e ela não parou de andar então eu tive que dizer o tchau e voltar para o carro onde já tinha que está à muito tempo. Marie já estava lá me olhando com raiva com a chave na mão encostada na porta, eu levantei uma sobrancelha dizendo "oque foi?" e continuei andando até entrar no carro.

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora