Capítulo 116

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Continuei acariciando Sr. Clóvis enquanto pensando no que fazer agora. Primeiramente preciso arrumar um jeito de atrair meu pai pra cá, segundo preciso que ele apareça e me perguntei alguma coisa que tenha a ver com aquela mulher no porão. Vai ser tão prazeroso ver sua expressão chocada com o que eu fiz, talvez ele me agradeça nó final de tudo isso. Pois dei um fim na mulher que o mandou ir embora comigo e ainda disse que não queria nenhum de nós dois na vida dela que agora não tem mais. Não tem como ficar melhor, acho que vou procurar algo pra dá a esse gatinho que deve está com fome... Sinto tanta pena dele.
-quer comer alguma coisa Sr. Clóvis?
Perguntei à ele fazendo carinho no seu pescoço e ele me olhou piscando devagar fofamente, um sinal de que ele gostou de mim de verdade. Então eu fui procurar comida de gato no armário de baixo perto das caixas de coisas que não conhecia, me abaixei ali e ele se colocou do meu lado me observando o tempo todo chicoteando sua cauda pro lado e pro outro esperando educadamente. Encontrei uma vasilha vermelha que tinha algo parecido com ração dentro, parecia mais uma vasilha que se grudada macarrão do que comida de gato. Tirei uma de lá e ofereci a ele vendo que ele nem se aproximou pra cheirar, também fiz uma cara de desgosto tampando a vasilha de volta e procurando outra coisa. E achei carne enlatada, abri puxando uma coisinha que tinha na tampa fazendo meu dedo doer um pouco mas pelo menos o gatinho gostou porque dessa vez ele veio pra mais perto de mim e comeu um pouquinho que eu tinha colocado no meu dedo.
-prometo vir aqui pra te alimentar, só que você também vai precisa se virar sozinho agora, vou deixar a porta aberta se você quiser fugi de vez enquando
Falava com ele como se estivesse entendendo e continuava alimentando-o devagar fazendo carinho nele com minha outra mão. Era um bichinho tão dócil quando não está em um beco de rua mexendo no lixo... Será que o levo junto comigo? Ele pode sobreviver melhor comigo do que aqui sozinho sem ninguém.
-quer vim comigo Sr. Clóvis?
Perguntei sorrindo quando ele parou de lamber meu dedo e me olhou profundamente me encantando com seus olhos amarelos vivos e cheios de mistério. Não vou conseguir deixar você aqui Sr. Clóvis...
Decidida em adotar esse gatinho, eu peguei mais duas latas de carne e coloquei dentro dos bolsos da minha blusa. Lavei meu dedo que usei pra alimentar ele e o peguei do chão com carinho colocando ele contra meu corpo segurando-o só com um braço. O outro eu usei para abri a porta de trás colocando primeiro minha cabeça para fora verificando se tinha alguém por perto. Mas a área estava limpa de humanos indesejáveis e eu pude sair. Depois tive que colocar o gatinho em cima de uma das latas de lixo enquanto pensava em como passar pela cerca sem deixar ele aqui, acho que eu tenho que passar ele primeiro. Encontrei uma brecha na parte da cerca que estava presa a parede da casa e o coloquei por aquele buraco deixando ele passar por conta própria, ele ficou lá me olhando como se perguntasse se que não vinha também. E eu fiz isso logo depois me agarrando na cerca e passando por cima quase rasgando meu vestido porque tinha um arame saliente quando pulei saindo puxando a saia do meu vestido. Mas o tecido grosso e resistente não deixou ele se rasgar.

Caminhei com Sr. Clóvis do meu lado me acompanhando como um cão fiel sem sair um centímetro de distância das minhas pernas. Eu me perguntava porquê ficamos com essa ligação de repente, mas ele parece confortável comigo e confiar em mim também. Seremos grandes amigos se ele não sair de perto de mim por resto da minha vida. Eu vou cuidar dele, é o mínimo que posso fazer depois de ter matado sua dona.
-quer conhecer o jass Sr. Clóvis?
Ele miou em resposta olhando pra frente com seu andar gracioso e lento do meu lado. Ele parecia entender o que eu estava falando, sorri com sua gentileza e educação. Com esse nome ele parece um gato importante pro meu gosto, gostei dele...
Mas não sei o que aconteceu que ele parou de repente olhando para o lado com a cauda reta para cima. Começou a fazer um barulho estranho e depois correu para dentro da floresta assustado me deixando com medo porque não tinha entendido o motivo disso. Mas eu comecei a senti olhos me observando e de repente meu corpo inteiro pareceu receber um alerta me dizendo pra ficar atenta a qualquer tipo de coisa estranho que acontecesse. Meu instinto foi correr dali em direção a rua que jass que disse que iria me esperar, mas antes de eu chegar lá. Eu ouso passos pesados e apressados atrás de mim e eu congelei perdendo os movimentos sendo atingida por uma corrente elétrica de medo e adrenalina dando resultado a fuga que não aconteceu mesmo depois de ter aparecido dois homens cujo os rostos eu não via por causa do escuro. Usava roupas que pareciam ternos e seguravam coisas parecidas com espadas, mas na ponta de cada uma delas havia uma espécie de luz esquisita, como se fosse a energia de um raio acumulada naquele objeto. Depois que eles se aproximaram um passo de mim eu corri desesperada e quase gritando pedindo ajuda, mas meus gritos não saíram e eu só continuei correndo agoniada para sobreviver porque aqueles homens estranhos estavam atrás de mim e não parecem que só querem me prender.
-Louise!
Escutei alguém me chamando à minha direita, mas antes que eu pudesse virar minha cabeça para ver quem era, algo se choca contra meu corpo me desequilibrando. Aquilo me segurou com força pela cintura e eu rolei uma vez parando embaixo de um tipo de tronco oco que cobria meu corpo que estava sobre o de alguém que tampava minha boca com força. Eu fiquei quieta por dois segundos porque ainda escutava os passos daqueles homens, mas depois que eu não os escutei mais, eu comecei a me debater agoniada sobre o corpo de alguma coisa. Tentei gritar mas pensei que poderia chamar atenção daquelas coisas, vi algo se movendo como se fosse uma onda no meu lado e arregalei meus olhos quando percebi que era algo parecido com um tentáculo ou uma cobra negra sem cabeça, apenas a parte do rabo. Mas não foi isso que me assustou de verdade, porque só pirou quando eu vi outro do meu lado esquerdo quase sobre minha barriga. Foi aí que eu comecei a me debater contra aquilo com mais força desesperada e morrendo de medo daquelas coisas.
-calma!
Pediu com a voz falhando finalmente tirando a sua mão da minha boca e me soltando dos seus braços. Sai de cima dele agoniada querendo levantar mas acabei tropeçando e caindo de quatro no chão, mas logo me virei de frente pra aquela coisa. E minha respiração acelerou ainda mais quando vi aquela figura familiar se levantando do chão sem aquelas coisas... Mas ainda parecia algo assustador com os olhos esquisitos, não eram mais vermelhos, as pupilas estavam brancas e ao redor era negro quase como se fosse um vazio ou apenas um buraco escuro. Meu corpo voltou ao normal quando eu coloquei minha mão sobre uma pedra que me causou um pouco de dor me acordando. E eu realmente não estava tendo um pesadelo porque ele ainda estava na minha frente estendendo suas mãos na minha frente arriscando um passo. Mas eu recuei ainda mais finalmente conseguindo me levantar, mas fiquei em choque ainda encarando seus olhos e sua postura na minha frente. Meu corpo não queria me obedecer e sair correndo.
-não se assuste por favor
Pediu caminhando lentamente na minha direção ficando na claridade da lua, e eu pude ver que ele estava sujo coberto por um tipo de pó negro pegando uma tonalidade de roxo. Suas mãos também estavam sujas empoeiradas e essa visão me ligou na realidade e me fez correr realmente assustada me sentindo em perigo. Pra mim aquilo ia me matar ou me machucar... Aquilo veio de onde...? Dele...?
-Louise!
Ignorei continuando a correr desesperada em direção a rua principal à procura de jass. Mas não escutava seus passos, oque me deixava menos apavorada. E sei que nunca mais quero olhar para aquela criatura monstruosa, eu me sinto em perigo perto dele, mesmo tendo me salvado daqueles homens. Eu não quero mais vê-lo.

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora