Capítulo 122

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-pegue esse lençol e um travesseiro, desça as escadas e entre na primeira porta à direta
Bati meu pé no chão com raiva antes de obedecer pegando tudo que ele falou meio em dúvida sobre o travesseiro, mas peguei uma das coisas macias porque não tinha nada além dele ali para ser esse tal travesseiro. Enrolei tudo nos meus braços e sai de lá batendo a porta com raiva de jass por ter invadido meu quarto que eu gostaria de ter dormido nesta noite nele. Desci as escadas ainda batendo meus pés no chão fazendo um barulho alto como se eu tivesse cascos. Abri a porta que ele falou lá em cima e percebi que não era tão ruim assim, uma janela fechada coberta por uma cortina escura e o quarto tinha uma iluminação amarelada por causa de um abajur de forma cilíndrica soltando pequenas bolhas que subiam e desciam pela água lá dentro cor de fogo. Quando fechei a porta, eu bati ela na cara dele meio de que de propósito mas pedi desculpas depois me jogando na beira da cama. Ele se sentou lá também me olhando com reprovação e desgosto, eu acho que ele está com um pouco de raiva de mim. Mas não tive culpa em nada nisso tudo. Foi aquele imbecil!
-chamou ele não é?
-não!
Neguei me sentando na cama perto dele batendo no travesseiro que tive vontade de coloca-lo na minha cara de vergonha. Formei um "V" na minha testa de irritação da sua falta de confiança na sua filha... De sangue!
-porque o senhor insinua isso!?
Perguntei com a voz triste me jogando de costas na cama cobrindo meu rosto com o travesseiro não aguentando mais. Eu queria poder gritar, porque ele tem tanta insegurança em mim? Se ele quiser conversar sobre aquilo de novo, eu saio correndo daqui.
-porque sei que você gosta dele, só não quero que ele estrague você nesse sentido, tudo que eu já vi me fez duvidar...
-mas não vai acontecer tá bom?! Tá feliz?
Falava com a voz abafada morrendo de vergonha está discutindo com ele sobre isso. É um assunto vergonhoso! Ele não vê isso? Porque insiste então?
-na verdade estou sim, se desprendesse de mim eu matava ele só para isso não acontecer com você
-humm!!
Rosnei fazendo um barulho de choro apertando o travesseiro ainda mais no mesmo rosto de tanta vergonha. Ele ria ali se divertindo com isso enquanto eu me contorcia aqui tentando fazer ele perceber que eu não gosto de conversar sobre isso.
-e você!? Não teve nenhuma interrupção quando engravidou aquela mulher!!?
Perguntei sem pensar mostrando meu rosto dessa vez vendo o seu ficar duro e frio deixando sua mandíbula apertada. Eu falei isso sem querer e agora deixei ele irritando... Eu não sei como apagar isso...
-isso não é um assunto de se discutir dessa forma
-mas e oque você estava falando comigo à poucos segundos?
Revidei de novo ficando estressada porque quando o negócio todo vai por lado dele, ele encerrar e pronto! Tem que acabar aqui mesmo!
-você nunca me contou direito sobre isso...
Falei triste agora ainda sem tirar meus olhos dos deles ficando curiosa. Eu vi ele fazer suas sombrancelhas tremerem, mas depois pararam e ele voltou a fazer uma expressão de forte enquanto pegava minhas duas mãos me puxando até poder ficar sentada e bem na sua frente.
-não é algo que você deve se culpar, porque na verdade quem foi o responsável por tudo isso sou eu. Você só foi fruto de uma coisa que dois seres diferentes não deviam fazer, mas não se considere tão azarada assim porque você é algo que me deixa feliz todos os dias amaldiçoados da minha vida
Pegou no meu rosto com carinho me mostrando um brilho forte nos seus olhos quase iluminando minha alma de tão profundo que isso foi. Sorri em resposta me sentido um pouco melhor sobre isso tudo, mas ao mesmo tempo culpada por ter feito aquilo com aquela mulher que era minha mãe. Me deitei no seu colo mas ele me puxou até eu poder ficar do outro lado da cama me abraçando depois. Fiquei ali em silêncio pensando no que exatamente eu fiz, ele não parece senti falta dela, e nem eu dela. Não vai fazer falta nas nossas vidas, podemos viver em paz agora. Só eu e ele.
-sobre... A sua mãe...
...?!
-eu acho que já é hora de te contar oque realmente aconteceu...
Fez uma pausa sugando o ar para seu pulmões antes de começar.
-ela quem era aquela criança que eu salvei da beira da morte, na época, seus pais viviam de cama por causa da tuberculose que não tinha cura ainda. Ela fazia tudo em casa mesmo ainda sendo apenas uma criança, ela cuidava dos seus pais assim como eles cuidaram dela quando era menor. Até que um dia a doença a atingiu também, foi aí que eu agi e... A salvei, mas acabei a amaldiçoando. Quando já tinha ficado melhor, foi levada para longe de sua casa e seus pais também, dois dias depois, ela ficou sabendo da morte deles e entrou em depressão por quase dois meses. Morou com seus avós durante vinte anos, sempre boas nos estudos e em seu trabalho também, ela os ajudava com seus problemas de saúde e eles estão vivos até hoje. Até que um dia eu surgi na sua vida para explicar tudo de estranho que acontecia durante seu dia a dia. Pois ela não era normal... Contei também que eu a acompanhei durante sua vida inteira como se fosse seu anjo da guarda que era mais parecido com um demônio, acabei me apaixonando por ela cada dia que eu passava conversando com ela sobre isso a ajudando a compreender... Mas eu não sei oque aconteceu que ela se transformou numa mulher horrível e arrogante quando você nasceu, você crescia anormalmente a cada dia que se passava muito diferente das outras crianças, quando você completou um ano já parecia ter cinco por causa do seu tamanho e suas habilidades em entender as coisas que outras crianças jamais entenderiam naquela idade. Sempre foi mais amada por mim do que por ela, dizia que você não era normal e chegou a brigar comigo feio por causa de você. Mas disse que ela estava se esquecendo do que ela era também por causa do que eu fiz com ela para salvar sua vida, mas ela não acreditava que poderia ter algo a ver com você e... O resto você já sabe
...!

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora