Capítulo 118

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Jass e eu estávamos sentados nas raízes da árvore que eu tinha subido com medo daquela coisa que tem um corpo de um garoto. Mas tenho certeza que não é, parecia tão... Amigável quando o conheci, eu não entendo porque ele se transformou naquilo, foi pra me salvar? Eu sei que ele me salvou daqueles homens, mas agora sinto medo dele. Pra mim não é um humano e nem um de nós, não tem as características para ser um. Eu não quero mais pensar nessa criatura...
-você não está bem não é?
Olhei pra ele virando minha cabeça um pouco sentindo preguiça de responder, então só balancei minha cabeça e voltei a olhar para a floresta à minha frente. Nela tinha um tipo de sombra negra atrás de uma árvore grande e grossa, aquela sombra me lembrava alguém... Mas eu acho que é só mais uma das árvores, só que bem menor e... Tem cabeça? Só aí pude ver que aquela sombra esquisita de mexeu ali, como se tivesse dado um passo para frente e ficado lá me olhando. Seja lá quem for, quer que eu fique curiosa, e deu muito certo. Estou sentindo algo estranho dentro de mim se formando, se eu ficar olhando aquilo muito tempo. Vou ter vontade de ir lá... Será que posso?
-jass, vem aqui comigo
Pedi me levantando sem tirar os olhos daquilo que deu mais um passo pra frente continuando na sua postura reta como se fosse mesmo um tronco de árvore. Segurei a mão de jass e o puxei na direção daquilo enquanto andava bem devagar curvando a cabeça para frente tentando identificar quem era, mas eu desconfiava de uma pessoa. Então quando isso me veio em mente, eu parei a dez metros daquilo ainda hesitando em continuar, porque de alguma forma me trouxe lembranças que me enojavam.
Mas foi ele quem veio na nossa direção com passos lentos e calculados também, e parou sobre uma claridade revelando sua expressão séria e fria olhando para nossas mãos juntas. Oque me fez largar a dele e o encarar com desgosto e ódio mantendo meu rosto duro sem expressão nenhuma.
-posso falar com minha filha a sós Jack?
Dessa vez ele pediu na educação cruzando os braços ainda nus no peito. Ele o encarava sério mas eu pude ver um pouco de raiva nos seus olhos que estavam negros como sempre foram, mas depois pareciam pegar fogo quando jass deu um passo e ficou do meu lado. Olhei pra ele tentando entender o motivo disso, mas ele só olhava para meu pai do mesmo jeito que ele o olhava também.
-melhor ir logo antes que eu peça na ignorância
Falou descruzando os braços andando na direção dele fazendo-o recuar medrosamemte ficando mais pálido que o normal de novo. Peguei no braço do meu pai e o puxei de leve para se afastar de jass, ainda sentia ódio da sua cara, mas não vou deixar ele descontar em jass.
-deixe ele, não quer falar comigo?
Perguntei ainda dura soltando seu braço quando meus dedos quase congelaram por causa da sua pele mais fria que o normal descoberta. Parecia tão humano quando voltou a me olhar unindo as sombrancelhas com os olhos normais e carinhosos de repente. Me afastei dizendo que ainda não estava de bem com ele, então cruzei meus braços no peito e passei a ponta da língua por cima dos meu lábios para umedece-los. Me preparando para essa conversa, alguns segundos depois eu resolvi começar a andar indo mais fundo na floresta sendo acompanhada por ele que quando olhei pra trás, fez jass parar de nos seguir e se virar levantando as mãos em redenção andando na direção oposta.
Enquanto me preparava para escutar oque ele tem a dizer, eu comecei a me sentir menos irritada com ele porque veio até aqui falar comigo sobre isso... Não queria brigar com ele, mas toda vez que me lembro do que ele fez, eu retorno a ficar no mesmo estado. Não sei oque ele pode fazer pra me curar desse remorso.
E percebi quando ele acelerou seus passos até poder me pegar pelos braços me virando de frente pra ele me dando um abraço não esperado e apertado. Meu corpo se contorceu por alguns segundos, mas depois eu aceitei passando meus braços pelo seu pescoço enquanto ele acariciava meu cabelo com seus dedos gélidos.
-por favor, só quero que me perdoe
Pediu me apertando ainda mais me deixando sem ar, pedi para ele se afastar quando eu coloquei minhas mãos no seu ombro empurrando-o um pouco. Fiquei de cabeça baixa por um tempo pensando um pouco no que ele fez e o seu lado inocente nisso tudo, depois ele tirou os braços de mim e segurou meu queixo com seu polegar e o indicador me obrigando a olhar para seus olhos profundos e carinhosos ainda normais. Sorriu mostrando seus dentes realmente alegre quando eu retribui um pouco sem graça me afastando mais ainda segurando suas mãos tirando elas de mim.
-pai...
-shh, só me diz sim ou não... Eu não quero ter que brigar com você por causa disso, mas tem um outra coisa que preciso contar, mas antes quero que me perdoe
Acariciou minha face com a mão direita de leve mantendo seu sorriso gentil que as vezes me confundia com um pai humano normal e bonzinho com sua filha. Eu não sabia oque realmente eu ia fazer agora, mas ele é a única pessoa que não me machucou tanto nessa história toda sobre eu ter tido uma mãe humana. Mas...
-tudo bem, eu te perdoou, você não sabe oque fez
Ele me abraçou de novo usando mais força me sufocando de verdade. Mas eu prendi minha respiração até onde conseguir e apertei ele contra mim também quase chorando pela saudade que eu descobri que estava sentindo somente agora. Não aguentei segurava o choro e derramei algumas lágrimas cravando minhas unhas nas suas costas chegando a soluçar.
-sobre oque eu tinha que contar à você, eu acho melhor... Descobri sozinha
Falou no meu ouvido me deixando curiosa, ele se afastou depois e passou a mão nos cabelos escuros bagunçado-os ainda mais. Parecia preocupado com alguma coisa, e quando me olhou nos olhos eu pude ver mais um segredo que ele guardava pra si mesmo, e que está perturbando-o.

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora