Abri a porta bem devagar percebendo que ele estava ali no sofá sentado de forma estranha. A televisão estava desligada dessa vez, estava tão escuro que na hora eu fiquei com medo porque sua figura ali me dava muito medo, então eu liguei a luz da cozinha deixando a da sala apagada, sei que ele gostava. Mas também eu precisei de muita coragem pra ir até lá devagar sem olhar pra ele, eu ainda tinha que pedi sua permissão pra isso. Me sentei ali no chão respirando fundo me encostando no sofá perto das suas pernas, seu silêncio ainda me assustava, eu esperava pelo menos um "onde estava? ".
-estava esperando você
Sua foz morreu no final, eu congelei ali mesmo porque eu percebi que ele estava tentando fazer ela ficar normal. Eu não sabia direito porque não perguntei isso lá da cozinha mesmo. Eu não entendi porque ele estava assim agora, não era raiva porque se fosse não faria esse comentário dessa forma. Eu não queria olhar pra ele então só virei meu rosto na sua direção.
-foi você que me fez atrasar, não sabia parar
Expliquei dura mas ainda sim com cuidado nas minhas palavras com medo de irrita-lo de alguma forma porque era a última coisa que queria nesse momento. O seu silêncio de novo ficou me agoniando porque agora escutava um ruído estranho, como se algo áspero estivesse sendo esfregando em alguma coisa que provocava esse som. Até eu cometer o erro pelo curiosidade que me fez virar a cabeça ainda mais vendo apenas sua mão totalmente deformada de novo daquela semelhante a galhos de árvores escuros. Engoli em seco me virando de lado subindo meus olhos até seu rosto que estava assustador, seu olho esquerdo estava escuro como era antes dele se tornar mais humano, o outro estava normal e eu pude ver que ele estava com medo de me assustar também. Mas eu já estava no máximo, mas não a ponto de sair correndo, e sim de ficar congelada. No seu pescoço tinha uma mancha escura esquisita parecida com raízes por baixo da sua pele como se fossem veias escuras subindo para sua garganta e depois sua bochecha. Eu não sabia oque o deixou assim. Mas era demais pra mim aguentar encara-lo dessa forma que depois de tantos anos ainda me assusta.
-desculpe...
Pediu quando percebeu que eu estava me afastando dali levantando do chão e ficando de pé ainda hesitando em não sair daqui de uma forma que o machucaria.
-oque houve pai?
Perguntei com a voz falhando de medo tropeçando na mesinha de centro quando andei para trás porque ele tinha se levantado. Eu quase sair correndo quando ele abaixou a cabeça colocando as mãos no rosto, as duas agora estavam deformadas. Eu não sabia oque fazer porque ele parecia está sentido dor. Não aguentei mais quando eu sem querer o encarei quando ele levantou a cabeça de novo, eu não corri, mas andei rápido para meu quarto e só correndo quando cheguei nas escadas com medo dele. Eu não sei porque... Mas fechei a porta quase tendo um troço quando eu me lembrei que não tinha mais tranca. Então só me sentei ali na frente dela mantendo ela fechada com muito medo quase chorando e rezando para não escutar passos na escadas.
Fiquei ali sentada durante trinta minutos ainda com medo de sair porque eu ainda pensava que ele poderia vir aqui. Não sei porque tenho isso, eu sei que ele nunca me machucaria... Da forma que penso.
Mais cinco minutos ali e eu resolvi sair deixando a porta encostada. Decidi tomar um banho porque estava suja demais. Peguei uma toalha e mais uma das blusas grandes que eu até que gostava por serem confortáveis, uma parte íntima debaixo e fui para o banheiro me jogando embaixo do chuveiro lavando meu cabelo e tirando as sujeiras das minhas unhas, sangue nas minhas pernas, e até mesmo escovei meus dentes mesmo não precisando porque na minha vida inteira eu quase não os usava. Só pra tirar o gosto de sangue da minha boca me incomodando.
Quando eu terminei eu senti fome, oque era um problema porque... Ele não deve está lá embaixo. Deve ter saído pra se recuperar, não tenho que ter medo dele. Isso era quando eu era criança, pelo oque me lembro eu o deixava muito magoado.
Descendo as escadas eu quase não fazia barulho, ainda estava escuro, só a luz da cozinha não era o suficiente para me deixar menos apavorada. Até eu escutar um estalo que com certeza deve ter sido dos móveis, mas foi o suficiente pra mim voltar subindo as escadas novamente mas parando na porta do quarto porque minha barriga roncou. Isso me fez voltar de novo e dessa vez eu fui rápido chegando até o interruptor e acendendo a luz da sala soltando um suspiro longo pelo alívio porque não havia ninguém ali.
Fui até a geladeira pegando um saco esquisito que chamou minha atenção por ter várias bolinhas lá dentro, eram grandes parecendo bolinhos. Eu abri e tirei um cutucando percebendo que era uma massa salgada e cremosa, era gostosa mas quando eu virei o saco, estava escrito quinze minutos no micro ondas, eu acho que é aquela caixa pequena que tem a semelhança a um forno, só que pequeno e que não precisa ligar com fósforo.
Então eu fiz isso colocando cinco bolinhos no prato dele lá dentro, liguei na tomada e esperei sentada no balcão com fome ainda e impaciente. Até não aguentar mais sentindo o cheiro tirando eles de lá assim mesmo.
E depois de ter comigo tudo, eu guardei o saco de novo e fui lá pra cima desligando as luzes e deixando tudo como estava antes.
—————
Acordei mais tarde com ele do meu lado fazendo carinho no meu cabelo em uma forma delicada de me acordar. Mas não funcionou porque eu tinha pulado de lá me encostando na cabeceira da cama levando o lençol junto comigo, mas quando o encarei, ele estava normal de novo e eu tentei ficar calma porque havia feito ele ficar triste de novo. Fiquei em silêncio e ele também porque eu não sabia oque dizer pra ele não pensar que eu fiquei com medo dele e ele também não sabia oque dizer porque eu me assustei com ele naquela hora. Então eu deixei o silêncio mesmo e ele se encostou na cabeceira também ficando do meu lado, eu não estava assustada agora, só preocupada porque não queria que ele se sentisse assim.
-desculpa
Pediu quase engolindo algumas letras parecendo envergonhado, mas eu não queria ele se precisasse fazer isso... Eu acho que eu tenho que pedi desculpa porque o deixei assim. Então respirei fundo o abraçando de lado e depois me confortando em cima do seu peito. Não sabia oque dizer porque eu sei que ainda tenho medo dele... E mais ainda em uma coisa que eu temia muito, só não sei se devo perguntar.
-queria perguntar uma coisa
Me arrependi depois quando percebi que já tinha dito isso, agora vou te que falar. Vai ser difícil.
-posso ficar assim também?
Era vergonhoso está tirando essa dúvida com ele, eu acho que ele entendeu que eu tenho medo disso acontecer comigo um dia. Sou filha dele... Isso que é estranhamente assustador pra mim porque eu acho que tenho mesmo medo disso...
-não sei se está preparada pra ouvir isso mas... Você pode ganhar chifres e um rabo também
-Quê!?
Meu pânico durou pouco quando eu escutei sua risada que nunca pode ser ouvida sem ter maldade por trás dela, e o motivo disso foi me assustar porque ele parecia sério no começo me fazendo acreditar por segundos.
-sem graça pai...
Resmunguei abaixando meu rosto com vergonha de ter caído nisso. Ele continuava rindo como se tivesse sido engraçado!!
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Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
