O céu estava quase escuro e acho que eram na faixa das seis horas pela claridade. Subi as escadas da varanda e abri a porta respirando fundo porque não queria ter que suportar mais está na mesma casa que essa mulher, eu sempre foi ter um certo ódio por ela. Mas até que estava silêncio quando entrei, somente as luzes da cozinha acesas mesmo ainda sendo um pouco cedo. Fui até a geladeira tomando um susto de novo com Sr. Clóvis que atravessou meu caminho e se esfregou nas minhas pernas, como sentia falta desse gatinho. Peguei ele do chão e o beijei fazendo carinho no seu pescoço vendo ele piscar bem devagar pra mim, o coloquei no chão de novo e abri a geladeira pegando uma jarra de plástico com água. Virei um pouco no copo e bebi tranquilamente.
-onde estava?
Essa voz me fez engasgar e eu quase solto o resto da água pelo nariz. Limpei meu rosto e fiquei com as mãos sobre o balcão da pia quase me tremendo de medo pensando em oque responder. Mas primeiro eu coloquei um sorriso no meu rosto antes de me virar, eu acho que vou começar com um papo de que senti saudade dele. Pode amenizar alguma coisa.
Então fui até ele de cabeça meio abaixada mais sorrindo, passei meus braços pelo seu pescoço e o apertei com força contra mim respirando fundo tentando senti o cheiro de alguma coisa. Folhas, galhos, água da chuva? Me afastei e fiquei brincando com sua camisa enrolando ela no meu dedo tentando pensar em algo para dizer para amolece-lo de alguma forma. Mas eu podia senti seus olhos furiosos comigo no meu rosto.
-onde estava?
Repetiu segurando meus cotovelos ainda sendo delicado sem me apertar ou usar ignorância. Agora eu abaixei minhas mãos e simplesmente olhei nos seus olhos para explicar isso bem explicado, vou ser sincera.
-eu sair e comprei um sorvete
Disse meio seca tentando dá uma de coitadinha e inocente sobre qualquer umas das suas suspeitas de pai super protetor. Sua resposta foi levantar uma sobrancelha e fazer aquele olhar desconfiado pedindo mais detalhes, eu deixei minha expressão ficar zangada agora. Não escondi minha raiva pela sua falta de confiança em mim. Ficamos nessa durante sete segundo tensos.
-tudo bem então, quer ir pra minha casa?
Agora ele me mostrou um sorriso me amolecendo na hora, era claro que eu queria. Mas na hora do meu sim, algo limpou a garganta aparecendo no corredor e andando silenciosamente até a mesa colocando suas mãos nela. Depois olhou para nós dois e eu já fui xingando ela em pensamento só pela sua expressão olhando para meu pai.
-eu pensei que ela...
-pensou errado Marie, ela fica comigo
Sorri pra ela quase tendo vontade de esfregar essa frase na sua cara. Oque ela pensou? Que eu iria ficar aqui com ela?
-tudo bem então
Falou passando um dedo na mesa olhando para mim no final me jogando um sorriso e um olhar carinhoso e nojento que eu não gostei nenhum pouco. Depois nos deixou sozinhos me aliviando porque eu não queria mais sua presença irritante no mesmo lugar que meu pai está.
Meus pensamentos pegaram um rumo positivo quando eu senti ele me beijando na bochecha esquerda passando um braço por trás da minha cintura me puxando até ficar do seu lado. Eu sorri e abri a porta com vontade ainda sorrindo porque eu adorava essas noites que passava com ele. Como amo esse ser esquisito que é um ótimo pai apesar de não ser feito pra isso.
————
Chegamos na sua casa que eu achava mil vezes melhor do que a dela e eu e ele fomos para nossos quartos, eu decidindo tomar banho e ele eu não sei. Mas eu quase corri até lá tropeçando nos degrau da escada caindo de joelhos. Não sei oque foi isso, mas ele me perguntou se eu estava bem lá de baixo e eu respondi que sim. Me levantei e abri a porta do quarto tendo dificuldade para tranca-lá porque a chave parecia ter sido entortada e não encaixava de jeito nenhum na fechadura. Eu deixei isso pra lá e apenas a encostei porque não teria problema pra mim, a porta do banheiro tem tranca mesmo. Por questão de me sentir segura.
Procurei o interruptor e ascendo a luz passando meus olhos pelo quarto grande e perfeito pra alguém como eu. Mas algo estava sentado na cadeira da penteadeira de forma assustadora com olhos negros e o rosto totalmente ensanguentado, roupas rasgadas e sujas. Aquilo me fez tampar a boca engolindo um grito de pavor até perceber que aquele ser assustador era jass que ficou com os olhos arregalados quando me viu tomando um susto com ele.
Acalmei meu coração e abaixei as mãos indo até ele bem devagar quase me tremendo ainda sobre efeito do susto. Lentamente estendi minha mão e toquei sua testa vendo ele fechar os olhos e depois abri quando eu me afastei, estavam normais agora. Pupilas negras e ainda não estava no tamanho normal, mas um pouco menos assustadoras.
-eu...
Tossiu gofando uma pequena quantidade de sangue pela boca, eu rápido peguei a beira da sua camisa e limpei sua boca. O sangue no seu rosto parecia uma crosta vermelha seca ali, meu coração se apertou e eu só conseguia pensar em um banho pra ele e poder conversar com ele com calma dizendo que compreendia e que eu estava do lado dele pra sempre.
-vem aqui vem
Puxei seu braço levando ele até o banheiro com dificuldade, seus passos lentos e pesados e doloridos também porque eu vi uma mancha de sangue na sua cintura através da camisa clara e muito suja. Coloquei ele dentro do banheiro tirando sua blusa e deixando na coisinha que estendida roupas perto da pia, fui até o guarda roupas e peguei uma toalha qualquer entregando pra ele de olhos fechados na entrada do banheiro. Alguns minutos depois, eu escutava o barulho da água e seus engasgos porque ele vomitava muito e tossia. Eu estava sobre a cama batendo meu pé no chão impaciente segurando uma caixinha de curativos nas minhas mãos agoniada e morrendo de preocupação, eu não consigo aguentar ver ele assim.
Fiquei pior ainda quando ele saiu de lá ainda muito pálido novamente se segurando na porta enrolado na toalha que ia até seus joelhos. O chamei para se sentar na cama do meu lado e me ajoelhei no chão começando a tirar pedaços de ataduras e fitas, primeiro limpei com algodão o ferimento estranho na sua cintura e tampei com a atadura. Me sentei do seu lado respirando fundo enquanto guardava tudo e colocava embaixo da cama, fiquei ali olhando para minhas mãos até que eu tivesse coragem de dizer alguma coisa.
-pode parecer estranho... Mas... Me sinto um pouco melhor
Falava ainda rouco passando suas mãos no cabelo molhado e depois as enxugando na toalha. Eu fiquei um pouco melhor com seu comentário, mas agora pensei em não perguntar oque ele fez e me concentrar em conseguir roupas pra ele.
-você não tem mais aquela mochila né?
Negou com a cabeça olhando para trás e apontando para a penteadeira, eu olhei pra lá e percebi algo embolado do lado do banco. Fiquei confusa mas não queria pensar de quem eram aquelas roupas, fui até lá peguei e estendi uma blusa branca na sua direção desdobrando a calça simples e escura.
Mas eu comecei a escutar o barulho da porta sendo aberta quando eu estava o ajudando a vesti a blusa, tudo pareceu se silenciar quando eu vi o rosto do meu pai ali, sombrio demais olhando a cena na sua frente. Eu deixei meus braços caírem e depois precisei me sentar na cama pela fraqueza que atingiu minhas pernas. Ele não parecia bravo como pensei que ficaria, ao contrário, entrou no quarto e respirou fundo apertando os punhos colocando o dedo indicador e o polegar no meio dos olhos e voltou a nos olhar com uma paciência estranha.
-você se veste e vai embora, você lá pra baixo
Apontou para jass e depois pra mim usando uma voz suave e incrivelmente controlada, na hora obedeci e passei do seu lado me encolhendo completamente esperando uma mordida que não aconteceu. Desci as escadas quase gemendo imaginando oque aconteceria comigo agora, ele disse... Ele não quer... Ai meu Deus.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasíaEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
