Capítulo 10

1.6K 184 2
                                        

Tive um pequeno infarto pelo susto que tomei quando ele abriu os olhos muito rápido olhando direto pra mim. Estavam normais mas me assustaram como sempre.
-que foi?
Ele perguntou abrindo aquele sorriso de novo, tive que balançar a cabeça como um "nada" e depois eu virei meu rosto de novo para janela. A chuva parecia está querendo me prender aqui, já estava quase no final da tarde, eu estou ficando nervosa pensando em não conseguir voltar de novo. Não quero sair daqui e entrar debaixo disso me molhando de novo, não vou ter alguém como ele para me oferecer tudo isso. Preciso agradecer depois por tudo. Mas agora eu batia minha cabeça preocupada demais porque a chuva não passava, se escurecer mais do que isso eu vou embora assim mesmo, preciso muito esclarecer algumas coisas com meu pai. Principalmente justificar meu motivo para não ter chegado na hora naquele dia...
Ele estava quieto demais ali e eu já estava ficando outra vez incomodada com o silêncio, eu queria dizer alguma coisa e só veio uma coisa na minha cabeça, não custa nada fazer isso.
-a pessoa que eu tive que me encontrar ontem, era meu pai, pelo menos eu o considero porque me lembro que foi ele quem cuidou de mim desdo do começo eu acho, não me lembro da minha infância e nem se tive uma... Pra mim ele é a pessoa mais especial que conheço, ele quem cuidou de mim todo esse tempo, passo muito tempo sozinha e só vejo ele de noite e ontem eu não conseguir chegar à tempo por causa de você
Contei olhando para o vidro da janela imaginando aquele momento que ele me atrasou, mas não era pra ele se senti muito culpado, somente o necessário para pagar pelo oque fez, minha raiva não era tão grade agora que ele fez tudo isso por mim.
-ele é uma pessoa?
-não, é mais um ser das sombras mas não um demônio, ele diz que ajuda as pessoas mas tem que levar algo em troca, eu sou proibida de saber mais do que isso sobre ele
Classifica-lo como um ser das sombras não era o suficiente, contei tudo isso quase sorrindo lembrando dos dias dos meus anos antigos com ele. Na época que ele chegava a brincar comigo e passear pela noite me contando histórias que eu adorava, sempre obscuras demais, mas eu gostava.
-é quase parecido com o homem que tirou minha vida normal e acho que a vida do meu pai também
...
Olhei pra ele curiosa e vi seu rosto sério e um pouco triste, ele encostava sua cabeça na parede e ficava olhando para frente e eu esperei que ele continuasse porque me deixou muito curiosa.
-foi só uma noite que o vi, morava com meus pais e minha irmã pequena mais nova, meu pai sofria de câncer, não tínhamos dinheiro o suficiente para pagar os medicamentos que ele precisava. Ele vivia deitado em uma cama e quase sempre acordava de noite gritando de dor e agonia, eu ficava com minha irmã o tempo todo tentando fazer ela esquecer um pouco tudo aquilo brincando com ela, mas aí o estado dele pirou e não podia passar um dia sem tomar os comprimidos necessários para os ataques que ele tinha à noite, minha mãe me mandou comprar os remédios dele sozinho. Estava muito tarde e não tinha tinha ninguém na rua, eu entrei na farmácia, comprei os remédios e voltei, mas aí um homem misterioso e que eu não me lembro o rosto disse que tinha a cura para meu pai doente, eu primeiro perguntei como ele sabia disso, ele não respondeu e disse que eu só precisava apertar sua mão que tudo ia se resolver no dia seguinte. Eu não acreditei mas ele insistiu muito e começou a dizer coisas sobre minha vida que nem eu sabia direito, ele disse que sua proposta era muito séria e me avisava o tempo todo que oque ele queria em troca eu não iria sentir falta. Então eu aceitei, e apertei sua mão e depois ele foi embora andando normalmente. Quando cheguei em casa não tinha nada de incomum, meu pai do mesmo jeito de antes e só fiz entregar os remédios para minha mãe e fui dormir. No dia seguinte simplesmente eu acordei me sentindo muito estranho, e quando eu me olhei no espelho percebi que tinha perdido minha cor e eu fiquei pálido como sou agora. Assustado eu não sabia oque fazer para entender oque tinha acontecido comigo, meus olhos nem sempre eram negros como são agora, mas aí eu percebi que eles tinham ficado totalmente pretos preenchendo o branco de forma assustadora que eu não conseguia mais olhar no espelho por sentir medo de mim mesmo. Minha irmã havia entrado no quarto e eu nunca vi ela tão assustada quando me viu jogado do lado da minha cama, oque me deixou mais machucado e magoado foi ver ela indo embora correndo descendo as escadas desesperada gritando pela nossa mãe, aí eu decidi ir embora dali e nunca mais voltar para a segurança deles, eu sentia que eu era algo perigoso pra eles naquela casa...
Ele parou de repente me fazendo piscar duas vezes por está tão ligada à história. Eu nunca poderia imaginar que ele passou por tudo isso. Eu queria conforta-lo de alguma forma por ele parecer muito triste agora, seus olhos perderam o brilho e eu fiquei com muita pena e compaixão por ele agora.
-eu nunca mais voltei, nem sei ainda se estão na mesma casa, não sei se meu pai ficou curado por eu ter pagado um preço tão alto como isso
Ele completou com um tom seco fechando seus punhos com força em cima da sua barriga, agora ele ficou irritado por algum motivo e eu percebi ele apertar sua mandíbula. Eu não sabia direito que preço foi esse, ele já foi humano uma vez então? E vendeu sua vida para um estranho qualquer? Ele tinha uma família...
-sinto muito
Disse baixo ainda tentando conforta-lo.
Ouvi ele respirar fundo e fechou os olhos com força e depois os abriu me encarando, coloquei um leve sorriso no meu rosto por algum motivo que nem eu conseguir saber qual era. Mas ele também me devolveu um torto e eu fiquei sem graça na hora abaixando minha cabeça ficando tímida de novo.
-se quiser pode dormir aqui, essa chuva não vai parar agora
Olhei lá pra fora já percebendo que era de noite, quando tempo eu fiquei aqui meu Deus?!
-não! Não posso, eu preciso ir mesmo
-vai se molhar de novo
Droga...!
E agora???

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora