Capítulo 26

1.2K 120 3
                                        

Ainda massageando meu machucado por cima do curativo, eu observava as inúmeras coisas que ele separava, montava, estalava, sacudia e quebrava quando dobrava alguma ferramenta para o lado oposto. Eu fiquei vendo ele separar várias pecinhas da mesma semelhança daquela que me cortei, só que claro que ele era cuidadoso e não pegava na parte afiada.
-oque vai fazer com tudo isso?
Perguntei quando ele tinha formado uma fileira das pecinhas no chão do seu lado.
-podem servi pra alguma coisa, elas são afiadas
Disso eu sei, mas pra quê ele quer essas coisinhas?
Deixei isso pra lá um minuto e me sentei na coisa macia ainda com a mão no meu machucado, vi ele pegar algo maior e mais enferrujado do que o resto das coisas que estavam ali dentro. Não consegui identificar então não me esforcei para descobrir ficando entediada com isso.
Procurei alguma coisa pra fazer me arrastando até sua mochila ficando sentada cruzando as pernas uma na outra do lado dela, abri o zíper e não vi nada demais lá dentro além de uma muda de roupa dele e só mais uma maçã que estava embrulhada em um saco estranho e transparente. Simplesmente tirei ela de lá e comecei a comer tirando o saco primeiro e jogando em qualquer lugar pelo chão porque a casa não é minha.

Terminei também jogando o miolo no chão e procurei algo interessante pelos outros bolsos da mochila, encontrei nada e decidi observa-lo de novo. Ainda falta muito pra escurecer?
Cansada eu me joguei de costas na coisa macia me virando de lado ainda observando ele fazer outra fileira de pecinhas maiores e menos enferrujada do que as da primeira fileira.
Comecei a ter uma vontade insuportável de tocar no seu cabelo bagunçado que dava a impressão de está arrumado. Não percebi que eu estava começando levantar minha mão e conseguir passar meus dedos pelos fios macios e escuros se misturando com a cor pálida da minha mão. Ele não parecia ter percebido meu toque, ou se percebeu está ignorando, então eu continuei alisando seu cabelo satisfazendo minha vontade de toca-lo durante todos esses dias.
Depois de alguns minutos ali ele já fazia a terceira fileira de peças maiores, eu ainda estava me divertindo com seu cabelo pelo tédio e pelo cansaço que atingia até meu braço me dando preguiça até de recolhe-lo de cima da sua cabeça.
Mas depois ele respirou fundo fazendo o som da sua respiração e se encostou na madeira que contornava a coisa macia, dessa vez eu tirei meu braço dali e fiquei com ele embaixo do meu rosto.
-pode me dá um saco que tá no bolso direito da mochila?
Estava com preguiça de levantar, então eu só estiquei meu braço até o bolso da mochila e fiquei com raiva por que era do outro lado. Não tinha outra opção além de me apoiar nos cotovelos e arredar a mochila até conseguir pegar o maldito saco dentro do bolso.
Joguei por cima da sua cabeça e ele foi caindo bem devagar até ficar no seu colo, ele começou a colocar as pecinhas dentro dele. O processo me deixou mais cansada ainda e eu percebi que já estava escuro o suficiente para eu poder dormir de uma vez, mas antes eu fucei sua mochila de novo e peguei uma blusa sua que era perfeita pra mim dormir por ser confortável demais, e porque eu adoro suas blusas também. Vesti ela e deixei as mangas do mesmo jeito protegendo minhas mãos de não sentirem frio. Me coloquei embaixo da coberta que antes estava embaixo de mim e fiquei encolhida deitada de lado.
Mas alguma coisa cutucou meu braço me acordando de novo, olhei pra ele quase rosnando por ter atrapalhado meu sono. Então fiquei esperando ele se explicar ainda encarando-o em pé bem na minha frente.
-só tem uma cama... Então arreda pra lá
Mas de jeito nenhum que vou deixar você dormir comigo!
Pera aí... "cama"?
-anda, eu não estou brincando, eu sou metade humano então preciso dormir também
...!
Não queria concordar com isso, mas sei que não tenho opção. Eu queria pegar aquela faca antes. Mas sua mochila estava no chão agora, ele a colocou lá de propósito. Ele sabia que eu ia tentar pegar ela de lá!! Ele é esperto demais.
-se tentar alguma coisa você não acorda vivo amanhã
Ameacei primeiro e me virei de costas pra ele me arredando até ficar bem próxima da parede, não queria olhar pra ele e ver seu sorriso irritante. Eu só quero que ele encoste a mão em mim que eu vou chutar ele daqui e faço ele dormir no chão mesmo!
Pude sentir ele se deitar do meu lado e ficou parado. Relaxei um pouco porque estava com todos os músculos contraídos mesmo estando deitada.
Alguns minutos depois eu estava dormindo mas ainda um pouco acordada. Troquei de posição e voltei a dormir, estava tudo tão silencioso que não ouvia nem sua respiração do meu lado. Melhor assim, me sinto mais sozinha e menos irritada por dividi uma cama com ele.
Mas esse momento foi interrompido por eu sentir algo subindo pela minha cintura, aquilo se arrastava na direção da minha barriga como se fosse uma cobra. Fiquei assustada no começo, mas depois aquilo me apertou com mais força e me fez girar até ficar de costas para cama e quando eu abri os olhos eu vi que ele estava se colocando em cima de mim pegando meus pulsos colocando eles dos dois lados da minha cabeça. Minha respiração acelerou e na hora eu sentir a raiva me preenchendo quando eu vi seu sorriso assustador. Mas não sabia como sair porque ele me prendia com sua pernas.
-e agora, vai fazer oque?
Ele me perguntou ainda sorrindo do mesmo jeito, e eu já sabia do que ele estava falando. Não era uma tentativa de se aproveitar de mim, ele queria terminar oque eu comecei. E eu aceito o desafio.
-vou pedi que saia de cima de mim ou vai se arrepender depois
Ele me respondeu com uma risada alta e exagerada debochando. Isso, leva na brincadeira.
-não tenho medo de você Lucy, tenho uma coisa que você não tem
Ele tem razão, mas eu tenho a esperteza que ele não tem, porque se tivesse ia me prender de um outro jeito. Minhas pernas continuam livre, então eu girei meu corpo usando a força que tinha nelas e conseguir sair debaixo dele caindo acocada no chão perto da cama. Depois eu tentei chegar até a sua mochila ainda no chão, mas eu acabei caindo quando senti ele segurar minha cintura e a blusa que eu usava, o tecido acabou se rasgando quando eu tropecei e ele não o soltou enquanto eu caía no chão. Bati meu cotovelo com força mas não deixei isso me atrapalhar agora, me levantei rápido tirando o resto da sua blusa e joguei no chão me afastando dele que tinha os olhos negros visíveis no escuro. Não tinha nenhum pouco de medo dele agora, eu apenas sentia a adrenalina de querer o pescoço dele quebrado.
-tá bom, vou jogar limpo com você
Ele levantou os ombros se aproximando de mim de um jeito estranho, eu pude notar que dessa vez ele parecia não querer me machucar. Me encostei na parede quando não tive mais espaço para fugir dele, fiquei com os olhos apertados esperando o momento certo.
E quando ele chegou eu apenas sair por baixo dos seu braços que ele usava para me prender ali. Mas outra vez ele me puxou pela cintura e eu não fiz força para sair dali rasgando meu vestido. Bati contra seu peito e fiquei congelada de novo pela aproximação, fiquei presa nos seus olhos profundos e negros demais. Minhas mãos estavam próximas do seu pescoço, mas não pensei em enforca-lo porque estava sem poder pensar nesse momento.
-parou porque?
Ele perguntou de repente levantando uma sonbrancelha, algo me diz que ele já sabe o porquê, se não soubesse não estaria me apertando contra ele desse jeito.
Conseguir voltar a meu normal e o empurrei com toda minha força fazendo ele tropeçar e cair em cima da mesinha a quebrando em pedaços grandes. Eu sei que exagerei, mas eu gostei de ter feito isso porque ele foi se levantando de lá sério demais entendendo que agora eu não estou brincando de brigar.
-quer brigar então?
Agora você entendeu idiota?
Minha resposta foi sorri de leve esperando ele vir pra cima de mim. Mas isso não aconteceu do jeito que eu esperava, em vez dele usar força física, ele só me jogou contra a cama usando sua habilidade mesmo dizendo que iria jogar limpo comigo. Fiquei presa de novo com os braços presos no meu corpo tentando me soltar mesmo sabendo que isso não dá certo. Depois ele veio andando bem devagar para perto de mim e eu entrei em pânico quando percebi que não poderia ter como me soltar daqui.


Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora