-droga
Engasgou saindo de cima da cama rolando até ficar de pé, recolheu suas roupas apressado e se atrapalhando com a sua calça. Depois começou a procurar sua blusa mais desesperado ainda, eu o ajudei pegando ela debaixo do lençol amarrotada. Fiquei sentada na cama esperando ele acabar de se vestir, me encostei na cabeceira e me cobri com o lençol olhado pra ele que vinha na minha direção se sentando e segurando meus dois braços com força me sacudindo uma vez olhando fundo nos meus olhos agoniado com alguma coisa.
-me promete que isso só vai ficar entre nós...!
Quase gritou com a voz rouca me sacudindo de novo. Deu para perceber que ele estava com medo do meu pai por trás disso tudo, então eu só fiz concordar balançando a cabeça e depois tentando me soltar. Ele respirou fundo e saiu de perto de mim rápido indo até a janela, me olhou uma vez dando um sorriso torto e eu retribuir dando um tchau com a mão ainda um pouco confusa.
Olhei para meu quarto bagunçado e meus lençóis, respirei fundo antes de levantar e recolhi minhas roupas do chão e de cima da cama. Fui até o banheiro tomando um banho rápido e depois vestindo as mesmas roupas, me sentia diferente mas ao mesmo tempo feliz. Só um pouco insegura com meu pai, isso não devo me preocupar muito porque não vou contar mesmo. Isso morre comigo.
Fui até a cozinha e quando abro a geladeira, alguém bate na porta e eu vou alegre, contente e correndo atender. Puxei ele pra dentro para um abraço apertado, mas notei que ele estava rígido demais e não retribuiu com os dois braços. Pelo oque eu conheço ele, isso não é normal.
-tudo bem?
-cadê sua mãe?
Entortei a boca me afastando dele, dei as costas e me dirigir até a cadeira da mesa quando eu escutei os passos no corredor. Apoiei as mãos na mesa e fiquei encarando os dois se odiando na minha frente retribuindo olhares que com certeza expressavam coisas que eles não queriam falar na minha frente. Esperei e esperei e fiquei feliz quando meu pai me chamou com uma mão e abrindo a porta de novo e só de costas para ela que me deu um sorriso simples.
-porque ela não pode passar a noite comigo?
Paramos perto da porta e eu passei meu braço pela cintura dele encostando meu corpo no dele sorrindo de um jeito provocante pra ela, queria que ele desse outro daqueles tapas na cara dela. Mas ele ficou calmo e apenas relaxou o corpo respirando fundo enquanto passava seu braço por mim também. Olhei para seu rosto e percebi um leve sorriso ali, um sorriso diferente... Ho não...!
-tudo bem então, acho que vocês precisam se entender...
-paie!!?
Bati meu pé no chão e cruzei os braços fazendo uma cara emburrada, ele só fez apertar os olhos e me lançou um olhar de "cala essa boca e não discuti comigo". Eu não podia fazer nada, nunca posso! Não posso desobedece-lo...! Odeio esses dois!
Bufei com raiva e sair dali indo até a sala me jogando no sofá e pegando o controle remoto com força e uma almofada também. Liguei a televisão e fiquei a encarando sem prestar atenção no que estava na tela concentrada em escutar a conversa lá na cozinha. Alguns murmúrios e "estou fazendo oque posso" dela. Fazendo oque pode... Até parece que um dia esse seu esforço todo vai valer a pena. Eu nunca ou gostar dessa vadia, e não adianta ela tentar.
-filha?
Fiz um movimento no meu ombro porque ele tinha colocado sua mão ali, fiquei tensa quando ele se sentou do meu lado. Eu continuei olhando para a televisão ignorando ele aqui me encarando sem desviar. Sua expressão séria era notável até quando eu não estou olhando pra ele, isso está me deixando nervosa.
-olha pra mim
Pediu com a voz calma e carinhosa abaixando sua cabeça, eu me afastei dali ficando um metro e meio de distância dele, era a distância que o sofá permitia. Mas essa minha pequena estupideza o fez agarrar meu braço com força até eu gemer baixo com suas unhas machucando minha pele, ele me puxou e eu fiquei bem perto do seu rosto encarando seus olhos profundos e negros. Me encolhi e trouxe meu corpo para mais perto dele ficando sentada normal com a cabeça abaixada.
-vai ficar aqui entendeu? Eu volto amanhã pra te levar pra escola
Com isso, ele me deu um beijo na testa e fez carinho na maçã do meu rosto com seus dedos frios. Achei estranho ele ter mudado assim de repente, de nervoso para calmo e carinhoso. Mas isso também me deixou com vontade de ir pra casa dele e passar a noite lá. Mas não...
-quero ir com o senhor
Disse com voz de choro fazendo meu beiço tremer para ajudar na minha tentativa de implorar pra ele me levar com ele. Mas claro que não funcionou, não vi nenhuma mudança na sua expressão. Continuou fria e eu desisti, fiz aquela cara de emburrada de novo e empurrei ele de leve com minhas duas mãos no seu peito. Cruzei meus braços de novo e encarei a televisão de novo com raiva dele.
-eu volto amanhã
Apertei meus olhos e mantive meus braços no lugar quando ele se aproximou para me dar outro beijo na testa. Quando ele se afastou e ficou de pé, eu o olhei irritada e ele me jogou de volta uma outra careta pior do que a minha me deixando mais irritada ainda.
-vai logo embora
Pedi desviando os olhos de novo segurando minha expressão mas no fundo eu queria chorar de raiva e ir correndo para meu quarto abraçar meu travesseiro. Mas me veio uma ideia na hora que ele tinha fechado a porta atrás de si, e tinha a ver com eu passando pela janela do quarto e fugindo para sua casa.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasíaEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
