Capítulo 140

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Ela nos deixou sozinhos, dizendo que ia pegar algo que poderia ajudar. Jass estava de olhos fechados respirando pesado ofegante, ele estava suando frio, sua testa estava molhada. Eu me preocupava muito porque mesmo suando ele queria ficar embaixo do lençol. Eu me perguntava se isso iria piorar, eu torcia para que não. Ela disse que ia ajuda-lo, eu espero que não seja remédios porque desconfio de que não adiantaria nada.
Ouvi a porta sendo aberta e ela entrou segurando um saquinho e alguma coisa que parecia plásticos brancos na sua mão. Sentou na beira da cama começando a tirar aquela coisa que parecia uma caneta da embalagem. Percebi logo que era uma injeção, arregalei os olhos e por sorte jass ainda estava de olhos fechado. Ela pegou um frasco pequeno com o líquido que sugou para dentro da injeção e bateu na lateral dela para fazer as gotas saírem do espaço que mantinha o líquido preso. Engoli em seco e sair de perto já prevendo o resultado disso.
E como pensei, antes que a agulha pudesse penetrar a pele dele na região do braço. Ele enlouqueceu e bateu na mão dela soltando um rugido violento e descontrolado, ficou em posição de ataque em cima da cama com as pupilas pequenas e pretas, o olhar agressivo me deixou com um pouco com medo. Mas eu já esperava por isso, depois ele simplesmente foi em direção a janela e saiu deixando Marie pasma e meio brava com isso... E também por ter levado um tapa na mão forte o suficiente pra ter torcido seu pulso.
-bom... Já vi que não posso ajudar, vou deixar isso aqui caso ele volte, tente acalma-lo e... Se for possível aplique quando tiver chance
Falou como se fosse algo fácil de se fazer, deixou a injeção dentro do plástico em cima da mesinha do lado da cama e foi embora. Eu respirei fundo decidindo ir procura-lo. Ainda está fraco e não deve ter ido muito longe. Vesti roupas normais e simples, uma saia rosa claro e uma blusa de alças finas e branca. Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo para parecer normal no meio dos humanos e sair pela rua mantendo meu rosto abaixado e não olhando para as pessoas que seguiam suas vidas comuns indo para seus compromissos e trabalhos. Oque me incomodava muito era o barulho que eles faziam, carros, lojas de roupas anunciando promoções e carinhos de algodão doce com aquele sininho irritante. As crianças correndo pela rua feito doidas brincando, o dia nem estava bom para tudo isso está acontecendo. Estava nublado e quente, eles deveriam está nas suas casas assistido televisão bebendo chocolate quente. Balancei a cabeça e me concentrei em encontrar um garoto totalmente descontrolado por aí, não seria difícil, não... Acho que sim, ele deve ter ido para floresta se esconder.
Na minha mão estava uma note de cinco que roubei da caixinha lá da casa dela, procurei alguma loja que vendesse coisas doces. Qualquer coisa pra me distrair. Vi duas meninas saindo de um lugar que tinha o nome "Ice Cream" escrito em cima, eu fui direto pra lá subindo o degrau parando na frente do balcão onde estava uma mulher que me olhou de cima a baixo também entortando a boca. Eu não sei oque tem em mim pra eles fazerem isso comigo. Por isso em resposta eu apertei os olhos pra ela e me sentei no banco alto de lá estendendo meu dinheiro sobre o balcão apontando para uma figura na parede que indicava o valor que eu poderia pagar. Sem dizer nada também, ela pegou meu dinheiro e colocou na caixa, em seguida pegou um potinho e um lenço entregando pra mim deslizando sobre o balcão. Sorri dizendo obrigado e peguei uma pazinha numa vasilha de madeira bonitinha do meu lado. Sai de lá abrindo o potinho jogando a tampa no chão porque eu já vi muitos fazendo isso. Não era lá uma coisa impressionante o sabor daquilo gelado e meio amargo. Se eu vomitar acho que vai valer a pena, o lenço eu usei uma vez e joguei fora. Foi quando algo cutucou meu ombro me deixando assustada e curiosa, quando virei eu vi uma pessoa conhecida segurando o mesmo potinho que eu começando a andar do meu lado com um sorriso besta na cara. Eu ignorei e continuei comendo meu sorvete sem dizer uma palavra à ele.
-não sabia que gostava de sorvete também
Disse lambendo sua pazinha como quem tá afim de começar uma conversa sem importância e sem sentido algum. Oque me incomodava era o fato de não ter se passado nem dois dias que ele me deixou em paz. Mas eu prometi não me irritar muito hoje com ele, vou ser gentil porque eu no final eu vou me despedi de uma forma bem ignorante.
-de que é o seu?
Respirei fundo impaciente antes de responder sem olhar pra ele.
-acho que graviola
Disse cutucando o creme no pote meio vazio, os fios da fruta estão incomodando minha garganta, espero não me fazer mal. Minha única preocupação é acabar isso logo e continuar procurando jass, e principalmente fazer esse garoto ir embora. Ainda está do meu lado em silêncio como se só tivesse aqui pra me deixar incomodada com sua presença, isso está dando muito certo.
-qual é o que você gosta mais?
Rolei os olhos agora. Suas perguntas e a maneira que ele sorria pra mim quando me perguntava me deixava sem paciência.
-eu não experimentei tantos, mas gostei desse
Incrível como consigo deixar minha voz normal. Arrisquei até um sorriso em resposta fazendo o dele aumenta ainda mais, depois disso eu fechei minha cara e voltei a encarar o pote já vazio. Peguei a pazinha e lambi jogando tudo fora na lixeira da parada de ônibus que passamos. Comecei a olhar envolta procurando jass como se ele estivesse por aí andando normalmente, isso é inútil, eu acho melhor espera-lo em casa. Ele deve voltar...
-posso te acompanhar até sua casa?
Olhei para o céu e percebi que estava quase entrando o fim da tarde, meu pai pode voltar pra casa, eu não sei se ele já vai está quando voltar... Não quero que ele descubra onde eu moro.
-acho melhor não, já está perto, é logo ali
Inventei apontando para esquina quase com vontade de sair correndo, eu não olhei pra ele para dizer isso porque achava que ele poderia ver nos meus olhos que eu estava tentando fugir.
-que pena... Mas tudo bem, amanhã posso te encontrar na sorveteria esse mesmo horário?
Olhei pra ele levantando uma sobrancelha com a boca meio aberta e torta porque não tô acreditando nisso. Ele acha que isso é um relacionamento? Que...?
-eu... Acho que não... Eu vou... Está em outro lugar e ocupada
Menti passando a mão no rosto tentando fazer minha expressão ficar normal porque eu devo está parecendo nervosa com essa conversa. Só que ele desapareça por pelo menos um dia.
-há... Tudo bem então
Falou saindo do meu lado atravessando a rua apressado andando na outra calçada acelerando os passos dobrando na mesma esquina perto da casa de Marie.
Garoto estranho...

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora