Passei a noite em uma árvore bem alta e com pouca folhas pois eu fiquei acordada a noite inteira com medo daquilo aparecer, eu estava abaixada em um galho bem grosso segurando o tronco para manter o equilíbrio. Ainda estava muito cedo, podia senti um pouco de frio do começo do dia, mas eu não me incomodei com isso e resolvi descer já que não vi nenhum sinal daquela coisa.
Pousei no chão com cuidado e fiquei parada aqui durante alguns segundos olhando meus dois lados, o lugar onde estava era bem aberto e com poucas árvores e plantas, ainda me lembrava da direção do rio que eu ficava, mas não queria voltar lá.
Comecei a andar mantendo meus passos bem leves e silenciosos, a direção não importava. Eu só queria me distrair um pouco, talvez tentar encontrar alguma coisa para comer, não estou com tanta fome mas quero ocupar meu tempo hoje.
Olhava para trás o tempo todo escutando passos que só estavam na minha cabeça, eu tenho que parar com isso, não tem ninguém me seguindo porque estou tendo essas alucinações? Talvez seja só meu medo brincando comigo.
Parei em um lago muito raso e fiquei lavando meu rosto em uma tentativa de sentir mais acordada e tirar tudo isso da minha cabeça. Eu queria mergulhar nesse lago, mas era raso demais. Estava imunda, meu cabelo era oque me preocupava ainda mais. É liso mais precisa ser lavado, eu não gosto de me senti suja.
Escutei outro barulho na floresta, parecia um galho se quebrando. Mas foi o suficiente pra mim entrar em pânico de novo e imaginar um monte de coisa que não fazia sentindo nenhum. Fiquei em pé encarando em vez de correr, mas não saiu nada de lá. Passei minha mão no meu rosto de novo e apertei meus olhos tentando parar de fazer isso comigo mesma.
Voltei a molhar meu rosto me agachando na beira. Vi meu machucado que não era mais nada além de três marcas que estavam quase sumindo da minha pele. Respirei fundo e me levantei, mas meu pé ficou enterrado na lama que a beira do lago tinha e cair de joelhos ali me sujando ainda mais, minhas mãos pareciam duas luvas negras de tanta lama que tinha nelas. Fiquei com raiva e sacudi elas dentro da água tentando limpar.
Mas eu escutei novamente aquela risada maldosa e agora eu tinha certeza que aquele alguém estava em observando, e está muito perto. Em choque, eu continue ali parada olhando somente para uma direção que era a mesma que tinha escutado aquele galho se quebrando, permaneci imóvel e tentei me levantar, mas parecia que a lama estava mais pegajosa e eu não conseguia nem tirar minha mão do chão.
-olá estranha
...
Meu coração acelerou e eu arregalei os olhos ficando congelada no mesmo lugar sem ter a coragem de levantar minha vista para ver se era quem estava pensando. Mas eu consegui escutar passos se aproximando de mim, eu fiquei agoniada tentando tirar minhas mãos do chão para tentar correr daqui o mais rápido possível. Eu não sabia oque fazer além de fugir dessa coisa.
-sabe falar?
Não respondi a voz estranha aveludada muito próxima de mim, meu coração acelerou ainda mais e eu ainda não conseguia me levantar. Ouvi ele andar mais dois passos para perto de mim e eu pude ver seus dois pés descalços, minha respiração disparou e eu conseguir tirar minha mão esquerda do chão e depois tentei tirar a outra sem olhar pra ele ainda.
-está com medo de que?
-me deixa em paz!
Gritei me levantando do chão empurrando ele com minhas duas mãos e depois não olhei se ele tinha caído no chão ou não. Eu só quis saber de fugir o mais rápido que conseguia em qualquer direção, eu sentia que não conseguiria ir muito longe. Eu tenho medo dessa coisa e não sei como fazer para ele me deixar em paz.
Comecei a ver que já estava bem longe, eu vi um campo enorme com um tipo de grama amarelada e alta, corri naquela direção sentindo um pouco de alívio por bem longe daquele... Garoto.
Me encostei em uma pedra grande já do outro lado da floresta quando atravessei o campo. Parei de respirar para ouvir se estava sozinha mesmo, depois eu soltei um suspiro bem longo e me sentei no chão abraçando meus joelhos e coloquei minha cabeça para trás encostando ela na pedra e fechei os olhos para me acalmar um pouco. Eu só sei que ele não é humano, mas parece um, ele sabe falar e entende o mesmo idioma que eu. Eu não consigo entender, pensei que não existisse mas... Minha espécie, acho que ele é da mesma que eu... Mas não quero voltar e perguntar. Queria que meu pai tivesse aqui, eu quero abraça-lo e sentir a segurança que sinto quando estou perto dele, mas a acho que ainda está bravo comigo.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
