A rua estava quase deserta, de vez em quando passava carros e algumas pessoas nas calçadas indo para suas casas como todo ser humano normal. E eu indo para casa da minha mãezinha fazer uma última visitar à ela. Eu estava tentando não chamar muita atenção e dava certo porque ninguém me percebia aqui, eu era só mais um ser humano normal andando pela calçada. Mas eu escutei um noticiário em uma das televisões de um bar que passei em frente, diminuir meus passos e fiquei atentamente observando aquela pequena tela no canto da parede daquele lugar fedorento. Minha imagem, era eu atacando os polícias quando estava entrando na delegacia, eles deram um jeito de pegar somente meu rosto quando eu tinha me rendido a tentativa de fugir das correntes. A reporte dizia que eu estava foragida e que se alguém me visse era pra ligar para um número que apareceu na tela. Respirei fundo e continuei andando correndo risco, mas mesmo assim eu continuei e não liguei para mais nada quando cheguei perto da casa da minha querida mãe.
Subir as escadas da varanda e bati na porta levemente três vezes mantendo minha respiração presa durante alguns segundos até ela abri a porta sem deixar aquela correntinha presa à ela. Foi aí que eu sorri e ela tentou fechar a porta rápido depois de ter se espantado comigo. Mas eu fui mais rápida e empurrei a porta com o dobro de força abrindo ela inteira deixando ela mais assustada ainda dando passos para trás pelo pequeno corredor. Fechei a porta e tirei minha blusa pendurando ela na coisinha de casacos do meu lado. Peguei a faca e tirei o pano dela jogando no chão, depois eu a segurei pela mão direita e balancei na minha frente me divertindo quando ela estava ofegante morrendo de medo olhando para o lados tentando fugir enquanto já chegava na cozinha andando pra trás.
-não tá feliz em me ver mamãe?
Perguntei mostrando meu sorriso começando a caminhar bem devagar na direção dela. Chegamos na cozinha e ela ficou no canto perto da pia e do armário, assim ficava mais fácil, mas primeiro quero fazer ela sofrer.
-eu sei oque você fez, eu sei oque você é, mas não vai adiantar nada me matar... Só vai piorar as coisas, a cidade inteira está apavorada
Sorri ainda mais brincado com a faca na minha mão enquanto ela me elogiava com essas palavras. Sentei no balcão e fiquei encarando ela esperando o momento certo, seu medo está em um nível baixo... Parece mais nervosa do que com medo.
-antes de te matar, eu queria saber se mora com alguém
Perguntei calma olhando para os lados procurando alguma coisa que poderia me dizer que ela não fica sozinha o dia inteiro aqui. Deve ter pelo menos um filho. Ela parece ser jovem pra não ter se casado.
-não...
Hum.
-você cresceu tanto... Eu queria poder ter feito parte da sua vida durante todos esses anos, o motivo de tanto ódio de mim é porque eu não fiz não é?
Se aproximando de mim devagar tomando cuidado, olhava fundo nos seus olhos e eu mantive minha expressão séria dizendo pra ela parar por aí. Mas ela ficou a centímetros de mim me olhando com as sombrancelhas juntas e os lábios tremendo como se tivesse quase chorando. Eu me controlei por alguns segundos, mas depois que ela levantou sua mão com a intenção de tocar no meu rosto, eu conseguir cortar a palma dela espirrando um pouco de sangue no meu rosto. Ela gemeu e foi até a pia para lavar aquilo.
-não quero que toque em mim
Disse passando um dedo na faca pintando a lâmina de vermelho e espalhando seu sangue por ela. Virei meu dedo para cima e depois coloquei ele na minha boca sentindo o gosto do seu sangue que não me impressionou nenhum pouco. Que decepção. Minha mãe não tem nada demais no meio de todos os outros humanos, é só mais uma nesse mundo deles. Não vai fazer falta pra ninguém.
-vira pra cá
Pedi descendo do balcão indo até ela puxando seu cabelo e depois jogando ela no chão com força de frente pra mim. Seu olhar desesperado me deu prazer quando percebi que agora seria o momento certo que voltaria pra casa feliz da vida sabendo que a desgraçada que fez isso comigo, está morta. Fiz a faca ficar de frente pra lá e apontei para sua cabeça tentando não me desconcentrar. Mas algo estava me impedindo de fazer isso, eu não conseguia saber oque era... Mas gritou na minha cabeça e a dor me fez deixar a faca cair no chão e eu bati meu corpo contra o balcão com força. Eu me sentia horrível de repente, parecia que minhas unhas queriam sair das pontas dos dedos que estavam formigando e coçando. A dor de cabeça continuou e eu tentava me controlar tentando formar palavras da voz dentro dela, mas não era voz, era um rosnado violento tirando minhas forças. Era uma tortura, eu não sabia oque estava acontecendo.
-eu sei que não quer matar Miah, por favor pare com isso
Ela pedia atrás de mim alimentado essa coisa em mim que não quer fazer a mesma coisa que eu quero... Tem... Alguma coisa lá fora... Está me observando?
A dor havia parado de repente e eu fiquei calma quando não senti mais a presença daquela coisa lá fora. Me virei para a mulher jogada no chão encolhida e meu foco voltou de novo e não pensei duas vezes antes de pegar a faca e decidi acabar logo com isso de uma vez antes que tenha mais interrupções estranhas.
Antes de eu poder cravar a faca na sua cabeça ela desviou e eu acertei seu ombro em cheio afundando ela lá enquanto ela gritava de dor e se arrastava para longe de mim. Meu corpo inteiro ficou dolorido de novo e eu perdi os movimentos das pernas caindo no chão tentando entender oque estava acontecendo comigo.
Ela havia se levantando levando a faca enfiada no seu ombro e correu até a porta de trás em direção ao quintal. Foi aí que eu recuperei os movimentos e me levantei rápido indo atrás dela correndo e rosnando de raiva porque a deixei fugir de burrice.
Quando abri a porta que dava no quintal, não havia ninguém lá, não tinha como ela ter fugido porque tem essa cerca de arames, ela não teria como ter pulado com aquele ferimento.
Bati meu pé no chão rugindo de ódio tentando entender como um ser humano burro conseguiu desaparecer sem mais nem menos.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
