De manhã eu fui acordada por um beijo na ponta do nariz, tive que sorrir ainda atuando meu papel de mentirosa. Mas foi um jeito carinhoso de começar meu dia graças à ele.
-bom dia
Sua voz suave e baixa me fez ficar com preguiça, mesmo assim eu conseguir abaixar minha cabeça e chegar mais perto dele colocando minha testa no seu peito procurando um jeito de recuperar a temperatura do meu nariz que estava gelado com certeza. Afundei meu rosto na sua camisa fina demais, mas não era do mesmo tecido que as suas de manga comprida que eu queria que ele estivesse usando agora, seu cheiro não tinha mudado, ainda era de erva doce. Isso me trouxe lembranças de quando o conheci e quando ele me deu aquela sua blusa para me aquecer naquela noite. Isso foi antes dele entender nossa amizade tudo errado, e agora estamos aqui tendo um falso relacionamento graças à mim.
-quero dá uma volta com você, se eu ficar aqui muito tempo...
-shh, só mais um pouco depois a gente sai
Disse interrompendo ele colocando um dedo na sua boca e depois abaixei meu braço colocando o outro envolta da sua cintura me prendendo contra ele querendo mais alguns minutos deitada, ele também me abraçou com força quase me sufocando se não colocasse meu rosto de lado buscando oxigênio. Aquele quatro por cento de atração por ele que me faz fazer todas essas coisas, infelizmente ela é fraca demais para eu não me sentir tão culpada por esta o enganando. Queria que fosse mais forte para eu não sentir mais isso, mas oque me impede de subir esse nível é nossos últimos momentos de amizade. Isso era importante pra mim. E agora tudo isso foi destruído por causa dessa sua ideia de ter algo mais profundo entre nós.
-vou ter que carregar você?
Neguei com a cabeça respirando fundo antes de me levantar e ficar sentada na cama ainda com as pernas cobertas pelo lençol. Esfreguei os olhos e tirei meus cabelos dos ombros deixando eles nas minha costas, ele sorria enquanto me observava o tempo todo. Realmente apaixonado por mim e eu fazendo isso com ele. Queria poder bater em mim mesma.
-onde você quer me levar?
Perguntei ainda esticando meus braços.
-já que você gosta dos humanos, eu queria te levar na cidade
Quê?!
-não, eu não quero ir não, quer dizer... Já que você foi tantas vezes eu não vejo porque não possamos ir, mas acho que não, eu prefiro continuar escondida do mundo deles
Abracei à mim mesma me imaginando andando por eles, isso era assustador. Sou tão diferente, é claro que notariam minha cor anormal e meu jeito, eu não uso calçados como eles usam, eu me considero uma selvagem ao lado deles. Prefiro mim vezes me esconder.
-tá bom, mas mesmo assim, eu prefiro fazer uma surpresa pra você, vamos?
Seu sorriso infantil e fofo me fizeram concordar com a cabeça, depois ele me puxou de cima da cama e eu quase cair no chão se ele não tivesse me segurado com força.
-foi o único jeito de fazer você levantar sem ficar com preguiça
Ele riu soltando meu braço e indo em direção a mochila colocando ela nas costas rápido, ele parecia alegre demais. Algo ele apronta, eu só não sei oque é... Mas ele está feliz demais, até eu desconfio.
Mesmo com minha desconfiança do seu otimismo sem explicação, eu concluir que isso seja da parte que aceitei ter aquele tipo de relacionamento com ele. Andávamos em silêncio apesar de eu sentir que sua energia por dentro era forte até demais chegando até me incomodar. Mas deixei isso pra lá e tentei pensar onde ele está me levando. Se for algum lugar que tenha humanos eu vou perder a paciência com ele porque disse que não queria ir onde humanos estão.
Eu posso gostar de observa-los e tal, mas é de longe, bem longe. Eu gosto de estuda-los e saber oque temos em comum, mas até agora as únicas coisas que temos semelhança é nossos corpos e nada mais. O jeito deles é diferente dos nossos, sua cores também, até mesmo o modo de falar, as roupas também são iguais a nossas.
Andamos até encontrarmos um rio muito bonito e iluminado pela luz do sol, era limpo e livre de folhas na superfície e no fundo. Dava pra ver o fundo de areia branca.
Não percebi que ele estava segurando uma muda de roupas pra mim, eu fiquei confusa mas depois entendi que era pra mim usa-lá para tomar banho. Se eu quisesse é claro, mas eu queria mesmo.
-obrigada
Disse pegando a muda de roupa procurando uma árvore bem grossa e que servisse como meu banheiro pra me trocar. Quando encontrei eu percebi que as roupas eram pequenas demais, uma blusinha branca e apertada que não cobria minha barriga e um short curto preto e apertado também. Não sei se ele fez isso de propósito, mas pelo menos não é como as mini roupas que as humanas usam. Eu já vi o tipo de elas vestem para tomarem banho assim em rios, mas eu gostei quando vesti e não era tão indecente como pensei.
Sair de trás da árvore e pelo menos ele não me olhou como naquela hora que vesti o vestido pra ele na primeira vez. Ele ainda procurava alguma coisa na mochila parecendo estressado.
-oque foi?
Perguntei entregando meu vestido para ele guarda enquanto mexia lá dentro com raiva.
-nada, só esqueci minha roupa
Ele respondeu colocando a mochila no chão pegando meu vestido. Por dentro eu estava morrendo de rir por ele ter vacilado desse jeito, mas também fiquei muito feliz quando percebi que ele planejava tomar banho comigo, mas pena que esqueceu suas roupas, essa era a parte que me deixava feliz.
Deixei ele lá se mordendo de raiva de si mesmo e entrei do rio me jogando de uma vez e mergulhado fundo. Passei a mão no rosto quando voltei a superfície e dei de cara com ele sentado no chão olhando pro lado ainda emburrado com ele mesmo, senti um pouco de pena dele nesse momento, mas nada forte o suficiente para ir até lá conforta-lo. Em vez disso eu dei outro mergulho e me diverti indo até o fundo tocando a terra branca que se levantou como poeira embaixo d'agua. Voltei e decidi encerrar meu banho.
Quando eu sair do rio, espremi meu cabelo e puxei a blusinha que ficou colocada demais em mim. Mas mesmo assim eu ainda contínuo gostando dela.
-ei vocês
Ouso uma voz estranha e desconhecida bem longe de nós, mas não também perto. Eu olhei diretamente para ele pensando que tinha sido ele quem disse isso. Mas ele encarava sério alguém que estava à sua direita.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasíaEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
