Enquanto ele estava lá olhando pela janela, eu procurava saber oque exatamente eu havia pegado para vestir. Era uma blusa comprida branca que ia até minhas coxas, ela era fina e mangas que iam até meus cotovelos. Tinha uma largura perfeita para meu corpo. Vesti primeiro meu tope confortável e com alças grossas, depois a parte baixo que também não era apertada nem muito folgada, deixei a toalha na porta do guarda roupas e soltei meu cabelo arrumando ele me olhando no espelho. Porque estou me arrumando? Não vou dormir?
-estava sentido sua falta, nunca mais nem me deu carinho
Falava com a voz engraçada e fina de sentando na cama deixando seus ombros caído. Olhava ele pelo espelho e depois me virei li dando um sorriso fraco andando até poder me sentar do seu lado, ele me olhou com os olhos grandes e fofos juntando suas sombrancelhas fazendo seus lábios tremerem. Isso me deu pena dele porque na verdade eu não me lembro da última vez que o tratei com carinho. Sinto falta disso mas ao mesmo tempo fico confusa.
-você prefiriu ficar com a alma condenada do que comigo!
Falou agora emburrado cruzando seus braços no peito com força, eu levantei uma sobrancelha e o encarei perguntando se isso era sério mesmo. Mas eu tive que puxar um de seus braços de lá abaixando eles, depois me aproximei e dei um beijo na sua bochecha de leve e depois passei meu dedo lá puxando seu rosto na minha direção vendo o brilho que se acendeu nos seus olhos. Mas ainda estava fraco.
-porque não voltamos a ser como éramos antes?
-porque como nos éramos antes, me trazia muitos problemas, e ainda me trás
Explicava passando meus dedos no seu cabelo perto da sua orelha mantendo meus olhos na minha mão me lembrando daquele problema. Ainda é um problema, até agora já tive muitos com ele e meu pai. Tenho a impressão de que isso talvez nunca acabe, pai não vai aceitar ele de jeito nenhum.
-eu sei disso, também acho que eu só ganho esculhambação estando perto de você
Mesmo com essas palavras, ele sorriu se aproximando de mim de novo passando um braço para o lado do meu quadril para se apoiar. Eu queria poder responder à isso, mas acho que meu pai vem me buscar aqui daqui a pouco porque ele ainda deve está desconfiado de mim. Sempre foi...
-eu não posso dormir aqui com você
-porque não?
Apertei meus lábios e olhei pra baixo antes de voltar a olhar pra ele, eu pensava nas palavras do meu pai sobre isso. Palavras horríveis e constrangedoras, mas não quero fazer ele perder o último pingo de confiança que tem em mim. Então acho melhor ir lá pra baixo e dormir no quarto dele.
-ele pensa que eu ainda estou tomando banho, daqui a pouco vem aqui saber se eu estou com você ou não
Expliquei de novo usando um tom seco e sem graça. Depois me levantei e caminhei devagar até a porta me sentindo horrível de ter deixado ele desse jeito, acho que só fiz aumentar seu ódio pelo meu pai que só quer que eu não me estrague desse jeito. Só estou indo pra lá para mostrar que eu obedeço ele e que não aproveitei esse banho para ficar naquele quarto esperando por jass.
E quando eu cheguei lá, o encontrei sentado na beira da janela que tinha um tipo de banco onde cabia seu corpo inteiro. Fechei a porta atrás de mim e fiz uma cara de quem diz "estou aqui saco, satisfeito?". Mas eu sei que ele entendeu, então eu me joguei na cama mais macia do que a minha e me embrulhei no lençol grosso tentando dormir de uma vez. No relógio em cima da mesinha perto da cama indicava os números em 23:45, eu não sabia ver essas coisas direito ainda, mas acho que daqui a alguns minutos vai dar meia noite.
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Sr. Clóvis me acordou andando na minha frente com sua patinhas macias e silenciosas. Ele se esfregou na minha testa ronronando baixinho me dando bom dia, eu retribui abraçando seu corpinho pequeno colocando ele debaixo do lençol. Eu não ligava se ele anda pelas ruas por aí pisando em tudo que é coisa e comendo porcaria como ratos ou passarinhos, eu não me importava porque de qualquer forma eu sou parecida com ele. Andava por aí pisando em tudo e nunca ficava doente com uma infecção.
Mas já está de dia e eu preciso sair dessa casa e entrar na floresta um pouco, estou sentindo falta. Viver iguais aos humanos não é algo que se acostuma a fazer. Me virei de frente para janela para ver se estava claro...
-ha!! Caramba pai parece uma assombração!!
Me espantei com ele parado em pé do lado da cama como se fosse uma... Assombração mesmo. Mas depois sorriu quando eu estava mesmo assustada passando a mão no peito tentando acalmar meu coração.
-bom dia
Falou ainda sorrindo se sentando na beira da cama, não sei porque ele está tão atencioso comigo. Mas até o diabo desconfia quando ele fica assim, mesmo sendo tão bonzinho comigo, eu joguei um travesseiro na sua cara com força e corri para cozinha rindo com minha brincadeira sem graça. Mas quando eu ia dobrar para ir pra trás do balcão em uma tentativa de fuga, eu senti ele me abraçar com força e dessa vez me fazia cócegas de uma forma mais agressiva e eu não conseguia sair do seu abraço e não pude fazer nada além de continuar rindo. Pisei no seu pé com força e ele gemeu, corri para o balcão de novo e fiquei lá rindo feito uma criança brincalhona.
-você continua sendo infantil, não consegue perde isso não é?
Falava pegando uma blusa de frio pendurada em um pau marrom do lado do armário escuro. Seu rosto ficou sério enquanto ele passava os braços pelas mangas da blusa. Onde ele vai?
-o senhor vai sair?
Perguntei triste me aproximando dele colocando minhas duas mãos no balcão ainda tendo cuidando caso ele queira me atacar de novo. Mas ele só fez balançar a cabeça dizendo que sim e caminhou até a porta sem nem me dá um tchau. Mas fiquei calada observando ele saindo e fechando a porta atrás de si, fiquei sozinha me sentindo entediada assim que se passaram dois segundos da sua ida. Não sei onde ele pode ter ido essa hora da manhã... Mas uma parte da minha cabeça me dizia algo que tinha a ver com Marie. Eu não conseguia saber direito oque era, mas balancei meus pensamentos e joguei isso bem longe. Se ele fizer isso eu mato ela uma segunda vez, dessa vez arranco sua cabeça e queimo seu corpo depois de ter tirado todos os seus membros.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
