Estava sentada no chão brincando com os talheres que eram como se fosse uma fonte de diversão pra mim, não tinha muitas opções aqui. Era como se fosse um exercício para eu não enlouquecer e manter meu cérebro ocupado. Dois dias já se passaram, fazendo as contas já estou aqui à cinco dias. Eu torcia para ser somente uma semana, pensei na possibilidade de meu pai ter me esquecido aqui. Parece mesmo que fui abandonada, nunca fiquei tanto tempo aqui. Talvez ele pense em me matar de fome, mas será que ele seria tão... Cruel assim comigo?
Balancei minha cabeça me concentrando de novo nos talheres, separei os garfos na minha direita, colheres no meio e facas à esquerda. Eram nove de cada, esses pequenos objetos conseguem me manter ocupada e que me fazem esquecer tudo isso em minha volta. Mas mesmo assim não deixo de senti solidão quando passo muito tempo sem fazer nada. Preciso me manter ocupada, sinto que posso mesmo enlouquecer. Não sei por quanto tempo vou aguentar, é como lutar para sobreviver. Me peguei me distraindo de novo com esses pensamentos.
Com uma das facas, eu risquei o chão fazendo desenhos sem sentindo, formas e ondas. Eu não sabia como me manter firme para não chorar ou quebrar alguma coisa para aliviar minha raiva. Percebi que minhas mãos estavam tremendo de novo, apertei a faca nos meus dedos e comecei a fazer mais desenhos com mais força no chão deixando a lâmina da faca arranhada.
Depois eu a soltei quando deixei ela escapulir da minha mão quando conseguir me cortar, olhei aquilo começando a sangrar, apenas fiquei observando deixando ela encostada no chão vendo o sangue pingar. Não acreditei em mim mesma quando comecei a desenhar com ele mesmo, fiz um círculo e depois me levantei de lá rápido quando percebi oque estava fazendo. Isso é só uma das coisas estranhas que faço quando me distraiu. Não vou enlouquecer por mais que ela queira, tenho que me controlar.
Peguei um pedaço do pano que cobria aquele armário e rasguei para limpar minha mão e fiquei olhando pela janela percebendo que estava ficando escuro, eu esperava várias coisas quando isso acontecia. Primeiro jass, por mais que eu esteja desse jeito eu sinto a falta dele, um dos sentimentos que ela não consegue mais controlar por está fraca demais. A única coisa que ela ainda manipula é as coisas estranhas que faço quando deixo meus pensamentos irem em um lugar que tenho que evitar.
De noite começou a chover, uma coisa que pra mim era um meio de conseguir água. Então peguei aquele copo e coloquei do lado de fora esperando ele encher com toda paciência do mundo, também era uma forma de me distrair, qualquer coisa eu tento me concentrar, tudo pra não ficar louca. Mas sinto que já estou, e tudo que eu faço é uma forma de não admiti isso de uma fez.
Quando o copo encheu eu bebi a água desesperada de sede e depois fiquei olhando lá fora de novo me imaginando correndo desse lugar, eu já fiz muitas vezes, algo que só me deixa pior porque parede que nunca vai acontecer.
-cinco dias já né?
Pulei para trás quase caindo de cima do banco com essa voz que parecia ter vindo da minha cabeça, mas está lá fora. Tentei acalmar meu coração colocando a mão nele e encarando ele se sentando na frente da janela abaixando sua cabeça até me olhar aqui dentro. Ele estava molhado por causa da chuva se protegendo somente com o capuz da sua blusa, eu tive quase certeza que era coisa da minha cabeça, mas mesmo assim eu andei devagar até lá ficando em cima do banco de novo olhando pra ele sem acreditar ainda. Eu não falei nada, só fiquei olhando pra ele porque sabia que não era real. Já que estou louca mesmo, não tem problema interagir com minhas alucinações.
-vim trazer isso pra você, mas não posso ficar muito tempo
Meus olhos foram para um pequeno saquinho redondo do tamanho da sua mão molhado, ele também segurava com cuidado na sua palma estendendo na minha direção até passar pela abertura da janela. Olhei pra ele que sorriu mostrando seus dentes como se eu estivesse prestes a cair numa armadilha, mas depois eu olhei para o saquinho. Não era algo que parecesse uma armadilha... Se ele está me enganando ou não, é só uma alucinação, não é real. Então eu peguei o saquinho devagar com cuidado, era um pouco pesado. Olhei pra ele de novo e depois comecei a abri-lo, com um pouco de medo eu vi que era só...
Meus pensamentos ficaram estranhos e eu não percebi que o cheiro era maravilhoso quando conseguir abri o saquinho inteiro, tinha alguma coisa lá dentro, são várias, não sei oque é. Mas peguei um e mordi mastigando rápido, era doce... Não parei e peguei outros e coloquei tudo dentro da minha boca tentando não engasgar e mastigar com calma, mas era tão bom e eu estava com tanta fome que acabei muito rápido me deixando mais estranha. Fiquei triste quando acabou e eu rasguei o saquinho tirando as migalhas e lambendo minha mão. No final eu olhei pra ele e percebi que estava sorrindo pra mim satisfeito com alguma coisa, mas eu não estou, eu queria mais. Passei cinco dias nesse porão e ele trás isso pra mim!
Eu podia agradece-lo... Mas me vez disso, eu comecei a xinga-lo na minha cabeça. Eu queria mais, mesmo sendo o suficiente para sobreviver mais dias aqui presa, eu queria mais do que só isso.
-obrigada
Consegui dizer depois de alguns segundos pensando nisso. Acho que eu ainda não estou louca totalmente porque ele não é uma alucinação, se fosse uma não teria trago isso pra mim e oque comi não seria real.
-tenho que ir desculpa, se a alma penada me pegar aqui vai me matar
Ele começou a se levantar me olhando pela última vez antes de se virar e começar a andar, mas eu fui mais rápida agarrando seu tornozelo antes que ele pudesse dá um passo. Ele me olhou rápido e confuso mas não soltei seu pé e fiz uma expressão triste pra ele entender oque eu queria. Não quero ficar sozinha.
-fica aqui por favor
Pedi agarrando seu pé com minha outra mão colocando meus braços o máximo que conseguia para fora da janela tentando prende-lo aqui porque eu comecei a perceber que sua expressão estava séria, eu comecei a ficar triste de verdade porque não quero ser abandonada de novo. Não por ele...
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Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
