O despertador me acordou com aquela musiquinha chata de novo, hoje vai ser um dia horrível. Abri os olhos desligando o despertador vendo que estava chovendo pela janela, está muito frio, não sei se isso pode ser uma desculpa pra mim não ir hoje. Ainda tenho tempo de conseguir convence-lo?
Não tinha certeza, a chuva não é tão forte. Só parece que não vai parar, eu acho que Marie vem me buscar, não tenho certeza também se ela vai me deixar ir andando dessa vez. Vendo que não tinha mais como fugir disso, eu fui me arrumar com a maior preguiça do mundo porque o piso estava gelado e água do banheiro também, isso me faz ter vontade de voltar pra cama. Tem que ligar o botão do chuveiro pra a água esquentar, enquanto isso eu aproveitei para ir lá pra baixo ainda na esperança de falar com ele sobre aquilo, e ouvi vozes bem baixas. Parei onde estava me abaixando até poder ver os dois conversando na mesa, Marie parecia bem melhor e o assunto que ela estava discutindo com ele era sério porque meu pai estava parecendo preocupado passando a mão na nuca. Pensei que nunca mais iriam se falar depois daquilo. Não ia ficar com raiva por isso, não interessa pra mim oque eles conversam. Dizia isso na minha cabeça enquanto tomava banho tentando não ficar com raiva, mas eu já estou porque comecei a perceber que estava me arrependendo mais uma vez de não ter deixado ela naquele lugar.
Falei pra você.
Ignorei admitindo que ela estava certa, porque eu a ajudei?
Me perguntava isso agora enquanto vestia o uniforme e penteava meu cabelo com força e apressada porque queria descer logo pra saber oque eles estavam falando. Eu não gosto dela preto dele. Mas não posso fazer nada! Isso que me irrita! Porque não deixei ela lá?!
Me acalmei pegando minha mochila e pendurando no ombro, desci devagar e sem disfarçar uma careta que mostrava minha raiva e dirigir isso pra ela quando a encarei dizendo um "bora logo" e "não te quero perto dele". Sabia que ela viria comigo de novo quando eu vi seu carro estacionado na frente de casa.
No caminho eu me contorcia de curiosidade e raiva porque queria muito perguntar oque ela estava falando com ele que o deixou preocupado. Mas eu não sabia se queria mesmo perguntar a ela ou esperava para falar com ele porque fico mais confortável pra xingar ela, por mais que queira não posso fazer isso aqui com ela agora. Mas eu não aguentava mais, estávamos nos aproximando da escola e eu estou entrando em desespero. Já entramos no estacionamento... Eu pergunto ou não...?
Ainda me perguntei isso mesmo depois de ter fechado a porta do carro, fui em direção ao prédio morrendo de raiva ainda roendo as unhas pensando sobre isso com medo de alguma coisa. Admito pra mim mesma, eu não quero ela perto dele porque eu simplesmente tenho medo de que eles...
-oi Miah
Essa voz me fez interromper meus pensamentos bem na hora que eu tiraria uma conclusão horrível que eu joguei bem longe depois olhando para a garota pequena e dessa vez um pouco sorridente. Eu dei um sorriso pra ela ainda sobre efeito do meu pensamento perturbador. Eu tinha que parar de me preocupar com isso, mas não dá, só vou ficar tranquila e esquecer isso quando eu souber que ela seguiu pra casa dela. Mas isso não pode acontecer porque no momento estou na escola como toda a adolescente normal da minha idade, não mencionei adolescente humana, porque eu não posso pensar sobre mim como uma. Me sinto sendo contaminada pela natureza deles, eu não quero que isso aconteça comigo. Mas se estou sentido isso no segundo dia de aula, quer dizer que eu vou está completamente diferente no final do ano...?! E não é só um, eu soube que não sou dois malditos anos pra compensar a merda que eu fiz sendo que nem sei oque é. Eu não sei oque aconteceu comigo, antes eu era normal... Uma garota que acreditava ser normal até ser possuída por uma coisa que estava adormecida dentro de mim a minha vida toda até aquele momento que conheci a sensação de como era matar uma pessoa. Eu não me lembro quando tudo isso começou... Eu só queria que tudo evaporasse e eu aparece naquela árvore perto do rio escutado a chuva fraca me molhando e deixando meus pés lamacentos...
-tudo bem?
Jucylen perguntou quando estávamos no intervalo sentadas no campus, eu estava encostada na árvore pensando sobre isso.
-tudo é só... Pensamentos
Expliquei passando a mão na grama molhada da chuva de manhã, eu queria poder me deitar nela e poder imaginar que estava naquele lugar de novo, estava me sentindo tão triste. Não consigo mais encontrar aquela Lucy dentro de mim... Alguém... Já disse isso antes... Jass? As lembranças parecem embaçadas, não conseguia saber direito em detalhes oque aconteceu com agente, mas é algo triste. Mesmo assim, eu sinto que perdi algo importante, mas não sinto sua falta como estou tentando sentir.
Porque está tentando sentir? Eu sei exatamente oque aconteceu, e acredite em mim, você não devia sentir a falta dele.
Tudo bem então.
-é o sinal
Jucylen falou recolhendo seus livros que ela lia silenciosamente do meu lado, eu percebi que ela estava menos triste e até me deu um sorriso quando voltou ao prédio me deixando sozinha. Mas uma vez não quis ir agora, eu queria mais um tempo aqui nesse lugar que é o único que me lembra a floresta. Tão silencioso quando não tem alunos idiotas que dão risadas altas me deixando incomodada, ótimo, estou me incomodando com a felicidade dos outros. Suspirei jogando minha cabeça pra trás encarando as folhas verde claro da árvore, o som dos seus galhos é tão familiar pra mim, isso era como uma música. Uma melodia da floresta que me acalmava e me fazia dormir em cima de um galho. Suspiro de novo e fecho os olhos tentando imaginar de novo.
-devia está na aula
Essa voz me assustou mas também me fez senti uma onda de conforto estranho, eu abri os olhos e fiquei em silêncio tensa de novo. Só depois de ter ouvido sua voz que consigo sentir sua presença estranha, eu ainda me perguntava se ele não é um tipo de alucinação minha que eu crio para poder compartilhar meus problemas.
-é que não gosto de lá, nem daqui
Disse compartilhando um dos problemas que eu tinha, se é pra isso que eu o criei eu quero usa-lo mesmo. Talvez eu tenha esse tipo de habilidade, criar pessoas imaginárias capaz de ouvir até suas vozes e vê-los também.
-Miah não é? Eu sempre achei você diferente das outras daqui
-eu conheço você só um dia
Ficou em silêncio me deixando completamente perturbada porque agora minha alucinação está dizendo que me conhece, eu acho que ela não deveria dizer essas coisas. Só pode ser meu cérebro me fazendo acreditar que ele existe.
-sim eu sei mais você parece ser diferente mesmo, pude notar isso quando entrou aqui
Comecei a juntar as pecinhas no chão embaralhando e depois colocando as mãos em cima delas para poder monta-las casa vez que ele usar uma palavra chave que possa me fazer pegar a primeira peça e poder começar a montar. Eu posso saber mais sobre ele através das pistas que ele deixar passar nessa conversa.
-eu ainda não seu nome
Falei colocando meu dedo indicador na minha boca mordendo minha unha nervosa e ansiosa esperando a resposta que ele não me deu naquele dia.
-Jean Mitton
Parece normal... Então... Ele é mesmo real. Eu não teria capacidade para criar alguém com esse nome como alucinação, posso tirar a peça que indicava minha teoria dele ser mesmo algo da minha cabeça.
-bom... Você estuda aqui desde quando?
Comecei minha série de perguntas fáceis por enquanto para fazer ele dizer mais coisas porque pra mim são muito importantes. Mas seu silêncio e sua demora me agoniavam.
-eu acho que desde o primeiro ano
Então ele não está no primeiro ano, só pode ser o segundo que é onde estou, ou o terceiro. Mas tem as salas ainda, eu não posso simplesmente perguntar qual é a sala dele... Posso?
-sabe o número da sua sala?
Arrisquei.
-numero três
Três...? A do lado da minha?
Milhares de peças do meu quebra cabeça foram excluídas e ficaram somente as que indicavam o fato de eu não saber seu rosto ou quem ele é. Já seu nome e sua sala. Preciso de amigos agora, ou pelos menos alguém que seja da sala dele para poder me apontar sua pessoa!
-acho melhor eu ir...
-espera
Quase gritei mostrando meu desespero porque queria que ele ficasse, precisava resolver isso, não quero guardar as peças do quebra cabeça e começar de novo só amanhã. Mesmo que agora esteja fácil de monta-lo de novo.
-você aparece aqui amanhã?
Não medi os significados das minhas palavras e deixei assim mesmo porque queria sua resposta que não veio. Eu esperei por mais dez segundos até que eu não senti mais sua presença e me verei dando de cara com o vazio de novo. Segurei a peça que indicava aquela minha teoria, ele só pode ser uma assombração.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
