Me sentei na mesa depois que meu pai me largou e me olhou com desgosto indo até ela para ajuda-lá a se levantar. Eu assisti isso sem sentir tanta raiva dele porque eu já tinha feito oque queria a tanto tempo. No fundo eu estava rindo vendo meu pai a ajudando fazer o sangue parar, mas ela o empurrou por algum motivo quando ele deu um pano para ela enxugar aquilo. Depois me olhou com puro ódio quase chegando a me assustar, mas eu só fiz sorri ainda mais.
-é por isso que te odeio aberração!!
Gritou a última palavra me dando um choque de emoções mistas e todas misturadas com uma certa tristeza que eu ainda guardava mesmo depois de tanto tempo, um sentimento estranho se formou dentro de mim me deixando confusa. Eu abaixei meus olhos tentando entender oque era, mas depois resolvi encara-la também e fiz minha expressão ficar séria me fazendo de forte. Mas depois eu sair dali meio apressada subindo as escadas e indo em direção ao meu quarto, chegando lá, batendo a porta atrás de mim. Fiquei dois segundos atrás dela e depois andei devagar até minha cama, fiquei encostada na cabeceira e abracei meu travesseiro. Eu não queria me entregar a esse sentimento estranho, eu não queria chorar por causa daquilo porque simplesmente não devo me atingir quando ela me ofende. Mas isso não foi o tipo de pensamento forte o suficiente para lutar contra a porcaria da tristeza estúpida dentro de mim, aquela que envolvia o fato de eu ter sido abandonada e considerada uma aberração pela minha própria mãe. Eu odeio ela... Odeio...!
Já estava chorando apertando aquele travesseiro contra meu peito com vontade de gritar, eu não sabia o motivo de eu ter ficado desse jeito por causa daquilo. Era aquela mulher que chamou jass de coisa outra vez... Eu não quero saber quem ela é ou deixa de ser!!
-Miah?
Peguei o despertador automaticamente e o joguei na direção dela que fechou a porta ficando atrás dela de novo para desviar do despertador que caiu no chão mas não quebrou. Ela voltou e entrou no quarto ficando parada ali com as mãos juntas entrelaçando seus dedos parecendo nervosa. Eu me encolhi ali olhando pra ela quase rosnando, mas também limpando minhas lágrimas disfarçadamente com o travesseiro.
-vim pedi desculpas, mas vejo que não adianta não é?
Se aproximou devagar parando perto da cama, me olhava arrependida mas eu não quero perdoa-la nunca, por aquilo e por ter me abandonado. Então eu me afastei e fiquei do outro lado da cama olhando para janela ainda lutando contra aquilo dentro de mim. Mas era somente aquela tristeza idiota que não me deixa em paz.
-eu sei que sente ódio de mim
Falou fazendo um gesto com a mão, parecia ter se sentado na cama me deixando tensa e com raiva pela aproximação. Eu não olhei pra ela e continuei olhando pela janela esperando ela ir embora, mas já pensava em ter que dizer algo para isso acontecer. Não quero ter essa conversa que ela está introduzindo.
-sabe, apesar de tudo ainda amo você do jeito que é... Na verdade eu não te acho uma aberração, eu não pensei que ficaria triste com aquilo me desculpe
Eu não fiquei...!
-só queria que pudesse agir diferente comigo, sei que não fui uma boa mãe mas estou fazendo tudo que posso pra fazer você pelo menos não me odiar desse jeito
Sentir sua mão encostar no meu ombro, por um segundo eu a encarei e fechei minha cara tirando a mão dela dali fazendo um movimento com meu braço que a fez cair dali. Depois respirei fundo e abracei meus joelhos esperando ela desisti. Ficamos em silêncio por alguns minutos e eu já estava quase não sentindo sua presença aqui do meu lado.
-eu me lembro que cantava uma música pra você dormir, era tão bonita... Você sempre me pedia pra cantar duas vezes antes de adormecer
Fiquei confusa me pegando tentado lembrar a tal música idiota que ela falou, mas depois eu arregalei os olhos quando ouvir ela cantarolando muito baixo me obrigando a lembrar. E eu fiquei com raiva porque eu conseguir até completar a letra na minha cabeça... Isso é ridículo!!
-para! Vai embora daqui!
Pedi me virando de frente de pra ela que sorriu com minha irritação. Eu não aguentei isso e virei meu rosto de novo na direção da janela deixando as lágrimas caírem e soluçando silenciosamente para ela não perceber. Só conseguir parar quando eu ouvir ela bater a porta do quarto finalmente me deixando sozinha. E pensando naquela maldita música infantil, eu odiava agora... É tão ridícula, mesmo assim ela me fez lembrar até a segunda parte que era minha favorita. Argth...! Eu não quero mais pensar nisso, eu quero esquecer! Sempre vou odiar essa mulher... Eu não entendo porque está desse jeito depois de tanta crueldade comigo quando era pequena.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Uma garota sozinha na floresta
FantasíaEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
