Capítulo 5

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Eu não olhava pra ele enquanto andava, ele me acompanhava a um braço de distância de mim. Eu não sei porque ele está me seguindo agora, se ele resolver vir comigo até onde eu e meu pai costumamos nos encontrar, eu não vou pensar duas vezes antes de pedi para meu pai fazer o que ele faz com as pessoas para castiga-las. Ele merece por fazer aquilo comigo.
-tem casa?
Porque ele faz essas perguntas?
-não
Respondi deixando minha voz um pouco confusa, eu não queria criar uma conversa então se ele resolver perguntar mais alguma coisa eu vou ser curta e grossa.
-mora em todo lugar então?
-sim
Passei na sua frente e me abaixei para entrar em uma parte da floresta que estava com o mato alto e quase totalmente fechada por galhos. O mato acabou me deixando um pouco molhada e eu tirei as folhas que ficaram no meu cabelo, ajeitei meu vestido e continuei andando vendo que ele não me seguia mais. Fiquei feliz com isso mas quando eu me virei de frente de novo para seguir meu caminho, ele estava parado ali e sorriu com meu susto.
-porque está me seguindo?
Perguntei irritada passando do seu lado curvando meu corpo para o lado não querendo encostar nele. Eu simplesmente já estou brava com essa situação, eu não sei o que ele é, mas consegue surgir nos lugares que quer.
-é que eu nunca vi alguém parecido comigo
Ele explicou andando do meu lado de novo, eu também não conheço ninguém parecido comigo. Mas não estou perseguindo ele como está fazendo comigo.
-sabe quantos anos você tem?
-não
Mais uma vez continuei andando sem ligar para suas perguntas. Estou respondendo elas para ver se ele para, a tarde estava quase no fim e eu só conseguia pensar em chegar tarde demais para conversar com meu pai. Mas essa preocupação não estava tão forte por ainda está chateada com ele desdo último acontecimento. Mas eu só quero pedi desculpas, sei que quem agiu errado fui eu, e também porque ele sempre está certo.
-tá indo pra onde?
-ai porque você não vai embora?!
Agora eu olhei pra ele e parei de andar ficando estressada com isso. Eu só via uma diversão idiota no seu rosto, eu fiz uma de brava e sabia que ele não ia responder. Em vez disso ele formou um sorriso mais estranho mostrando seus dentes, eu fiquei um pouco surpresa com isso e com um pouco de medo que ele me deu nesse instante. É como se ele tivesse feito isso de propósito.
-posso saber quando você está sentindo medo
...
Isso me fez dá um passo para trás ficando mais assustada quando ele parou de sorrir de novo ficando muito sério. Engoli em seco sentindo a atmosfera ficar muito pesada e ele parecia está analisando cada coisa que eu fazia sem desviar os olhos, agora eu estava muito tensa presa nos seus olhos escuros porém muito assustadores, estavam normais como os meus mas continuam me dando medo. Eu não sei porque ele faz isso de repente.
-porque não volta pro lugar que saiu?
Perguntei baixo mantendo minha voz bem firme tentando fazer ele me responder. Eu fiquei mais calma encarando ele vendo quem desistia primeiro, eu sei que ele faz de propósito, por isso me concentrei em ficar calma. É quase como se fosse um desafio.
-eu não moro em lugar nenhum também
Ele respondeu muito sério ainda, ele me olhava do mesmo jeito e eu sentia a atmosfera ficar mais leve ao meu redor. Relaxei meus ombros e mantive uma expressão fria tentando fazer ele parar. Mas o que me deixou confusa foi eu começar a sentir algo estranho quando ele piscou de forma normal fazendo suas pupilas ficarem do tamanho certo. Isso era uma coisa que me hipnotizava e me apavorava ao mesmo tempo.
-isso é estranho...
...?
Jura?
-você me bloqueia, como faz isso?
Quê?
Apenas levantei uma sobrancelha e fiquei olhando pra ele cruzar os braços esperando minha resposta confuso. Pra mim isso foi muito mais do que só estranho. Ele tá me assustando.

Resolvi passar do seu lado e continuar andando porque eu não aguento mais coisas esquisitas acontecendo comigo, eu quero ver meu pai agora. Ele está me atrasando.
-ei você não vai a lugar nenhum até me explicar o que aconteceu aqui!
Sentir mais uma vez aquilo agarrar meu pulso, mas quando eu olhei era só sua mão. Mas eu fiquei assustada porque ele pode me prender aqui quando quiser, apenas fiquei imóvel olhando sua blusa para evitar seus olhos. Percebi uma mancha marrom no seu peito, era da lama naquela hora que o empurrei com minhas mãos sujas. Olhei para sua mão ainda no meu pulso me segurando, sua cor tinha o mesmo tom pálido que eu tenho, eu continuei olhando aquilo tendo vontade de fazer as mesmas perguntas que ele fez pra mim. Mas eu permaneci calada e levantei seus dedos para poder me soltar. Sua temperatura também era a mesma que a minha.
-eu... Estou atrasada, tenho que me encontrar com alguém e não posso deixa-lo esperando
Expliquei ainda sem olhar pra ele, eu estava sendo séria agora. Não quero mais ficar aqui correndo o risco de me atrasar, preciso ir e espero que ele me compreenda.
-desculpa...
Não entendi o motivo dele pedi isso, mas sua voz estava baixa demais e quando eu tive coragem de olhar pra ele, eu vi seu rosto arrependido e depois ele olhou envolta respirando fundo. Voltou a colocar suas mãos dentro dos bolsos e deu meia volta completa andando para longe. Eu não sabia se ele tinha entendido minha situação, mas eu espero que sim, só que quem ficou confusa fui eu. Eu não sei porque ele foi embora assim... Esquisitamente. O que eu tô pensando? Esse garoto é esquisito, e também tudo o que ele faz.

Parei de ficar pensando nisso e comecei a anda apressada para chegar a tempo, estava nublado e o sol estava se pondo. Eu ainda estou aqui e é claro que não vai dá mais tempo, então eu não vi outra forma de chegar mais rápido lá além de correr o caminho inteiro sem ligar para minha velocidade. Eu não sei o que vou falar pra ele como desculpa do meu atraso. Esses são meus únicos momentos com ele, não sei o motivo dele ter tão pouco tempo comigo, não posso desperdiçar. Por mais que ele me maltrate às vezes, ele é a única pessoa que eu conheço que cuidou de mim esses... Anos todos da minha vida. Não sei se ainda está irritado comigo, mas eu só quero pedi desculpas... Eu não sei porque tenho que fazer isso se não tive culpa nenhuma, mas eu só quero que ele não fique bravo comigo.
Percebi que já estava perto, eu continuei correndo mesmo estando cansada demais eu não posso parar. Já está de noite, meu horário de encontra-lo é no exato momento em que o sol se põe, isso já aconteceu à muito tempo. Eu acho que não vou encontra-lo dessa vez, ele já deve ter ido embora pra aquele lugar que não posso interroga-lo para saber de onde se trata.

E quando eu cheguei lá, não tinha ninguém é claro. Mas eu fiquei ali parada ainda com esperanças de que ele possa aparecer. Mas eu não sentia sua presença, ele já deve ter ido. Não sei o que ainda estou fazendo aqui.
Estava ofegante e meu esforço todo foi em vão, mesmo assim eu caminhei até o tronco da árvore que sentamos naquele dia. Fiquei lá como se tivesse esperando-o, eu só queria ter certeza de que ele não vem essa noite. E quando se passou quase meia hora eu desisti e fiquei um pouco triste por ter tido a culpa disso, quase não o vejo e ainda faço uma coisas dessas. A culpa também foi daquele garoto se não tivesse me atrasado com suas perguntas bobas, eu teria chegado à tempo. Mas agora não adianta culpar ninguém. Decidi voltar à árvore que costumo ficar.

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora