Entrei pela porta de trás da casa porque tinha medo de alguém me ver toda ensanguentada. Eu sabia do risco que corria deixando o corpo daquele garoto naquela lata de lixo, claro que um dia vão descobrir e vão suspeitar de mim pelas semelhanças da maneira de matar. Balancei a cabeça me sentido exausta e um pouco dolorida do acontecimento com Joseph, incrível como me sinto usada depois que isso acontece. Pelo silêncio na cozinha, nos quartos, na sala, eu estou sozinha.
Fui direto para meu quarto encostando a porta porque não tinha mais fechadura mesmo, peguei uma toalha e coloquei na cama tirando minhas roupas sujas e jogando no cesto que estava vazio. Peguei a toalha de novo e fui para o banheiro ligando o chuveiro e ficando lá debaixo durante um bom tempo sem me passar sabão. Eu só queria um tempo sentido a água cair na minha nuca e pensar sobre oque fiz e preocupada em ser capturada de novo. Isso era meu maior medo, mas foi aí que tive uma ideia. Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha saindo do banheiro e indo em direção a penteadeira abrindo as gavetas e encontrando uma tesoura prateada que eu tinha visto aqui quando procurava a escova. Olhei pra ela e pensei mais uma vez antes de fazer isso, talvez seja uma boa ideia para diminuir minhas semelhanças a garota terrorista de televisão. Então eu me sentei no banco da penteadeira e separei meu cabelo seco em duas partes e coloquei eles na frente do meu peito, medi nos ombros e cortei uma parte inteira jogando no chão. Peguei a outra parte e cortei também na mesma medida, com a ajuda do pente, eu peguei algumas mechas e cobrindo meu rosto com elas, cortei elas também da atura dos meus olhos e depois arrumei atrás da orelha. Me olhei no espelho durante trinta segundos e comecei a penteá-lo para trás e depois vendo se ficou no mesmo comprimento, claro que ficou picotado e um pouco torto. Mas eu deixei assim mesmo e fiz um rabo de cavalo deixando a parte da frente que cortei atrás da minha orelha.
Depois de ter me vestido, eu limpei meu quarto e fui lá pra baixo ligando a televisão no canal que anunciava a morte das duas garotas que eu matei. Eu fiz eles suspeitarem de abuso sexual como planejei. Fiquei feliz com isso porque em nenhum momento eles disseram suspeitar sobre mim. Mas mesmo assim acho que isso só vai piorar se eu for para uma escola indo e voltando todos os dias correndo risco de ser vista por alguém, talvez nenhum dos dois bestas saibam oque fizeram com minha imagem. Isso pode ser uma chance de eu poder convencer eles a não fazerem isso comigo. Meu lugar era na floresta... Porque tudo teve que mudar...? Claro que gosto dessa casa e de uma cama pra dormir... Mas sinto falta daqueles tempos. Sinto falta da casa de jass, e dele também. Eu não o vejo desde o dia que eu o expulsei.
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Eu já estava cansada de acordar com esse maldito despertador. Dessa vez ele indicava seis horas, mesmo através da cortina da janela eu podia ver que ainda estava muito cedo! O sol nem iluminou o quarto ainda. Está chovendo e fazendo muito frio, eu me lembro de ter dormido de tarde ontem... Eu acho que é porque eu acordo cedo desse jeito.
Apertei o botão para desliga-lo e tentei pegar ele da mesa, e não acreditei quando eu percebi que ele estava colado ali. Eu mato ele, pensa que eu sou burra. Peguei o martelo que estava embaixo da cama e acertei o despertador com força fazendo ele se separar em dois pedaços. Não importa quantos ele comprar, eu vou quebrar todos. Depois peguei seus pedaços e juntei num canto do chão. Quando levantei da cama, eu tomei um choque com o piso gelado, eu tive que vesti uma calça comprida folgada que tinha um tecido diferente do jeans, era macio e grosso e eu também peguei uma blusa para cobri meus braços. Procurei aquelas pantufas perto da porta e as calcei indo lá pra baixo bem devagar, era um pouco assustador a casa tão escura com as janelas fechadas e luzes apagadas. Só a televisão ligada e com o volume baixo iluminava a sala e um pouco da cozinha, ele estava no sofá sentado e eu percebi que tinha uma manta sobre seu corpo também. Até ele consegue sentir esse frio que eu não sei explicar, fui até ele sentando do seu lado o encarando com raiva apertando meus olhos. Ele sorriu entendendo minha raiva e depois abriu os braços e eu não resisti à esse abraço que seria mais frio ainda. Mas eu fui mesmo assim passando aquela manta no meu nariz e depois fechando os olhos com sono ainda. Mas ele me interrompeu.
-sabe que é amanhã não é?
-é oque?
Perguntei sem esconder meu pavor na minha voz, na verdade não sabia direito oque era amanhã. E oque me deixou apavorada é oque eu estou desconfiando...
-eu não quero ir
Falei colocando meu rosto de frente para sua blusa imitando uma voz de choro fazendo birra pra ver se adiantava alguma coisa. Ele me abraçou mais forte mas não disse nada, então eu comecei a chorar mesmo, usei minha depressão com a conclusão de que só tinha um dia e isso ajudou meu choro falso a ficar parecendo com um de verdade.
-ei? Oque é isso? Parece aquelas crianças no primeiro dia numa escola, será pode agir como uma adolescente?
-não fale comigo como se eu fosse uma humana
Disse um pouco brava apertando sua blusa na minha mão, ainda chorava feito uma criança mesmo. Mas não sabia mas oque fazer para expressar isso dentro de mim, eu não sei oque vai acontecer comigo lá. Mas eu espero que não dure muito tempo até eles perceberem que não podem me transformar em um ser humano.
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Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
