Capítulo 101

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Andava pela floresta em direção a cidade marchando de tanta raiva pisando em galhos, pedras, folhas e ignorando tudo que me causava dor. Eu tinha um objetivo bem maior do que ligar pra dor nos meus pés de tanto marchar. Aquela vaca vai me pegar, não parava de ranger os dentes imaginando seu rosto toda hora deixando a Lucy ficar a vontade pra fazer oque quiser com ela. Não... Não vou chegar lá e simplesmente mata-lá. Já sei exatamente oque fazer, e tem a ver com me fazer de coitadinha.
Quando vi um farol de carro passando na minha frente, eu tive certeza que eu estava perto e desacelerei meus passos ficando sobre o mato observando a movimentação para ter certeza de que eu possa andar até a casa quarenta e dois sem ser vista dessa forma, assustaria alguém quando visse meus olhos desse jeito e não quero precisa mais de uma pessoa hoje. Mas as pessoas já estavam todas recolhidas dentro de suas casas descansando...
Atravessei a rua e fiquei andando pela calçada vendo os números da casa com cuidado para não passar. Trinta e dois, trinta e cinco, e pulou para o trinta e nove de repente me deixando confusa. Mas a quarenta e dois estava bem do lado me confundindo ainda mais, era uma casa simples de tijolos pintada de branco na varanda e nas paredes, olhei aquilo e sorri vendo que a luz estava acesa ainda. Subi os três degraus das escadas da varanda e quando ia tocar na campainha e hesitei pensando direito no que iria dizer à ela. Mas toquei a campainha determinada e não usar palavras e ir direta, eu só quero me vingar dessa vadia.
-posso ajudar?
A porta de abriu só um pouquinho presa a uma pequena corrente e na brecha, um rosto familiar que me fez sorrir. Era ela, uma certa beleza nos olhos profundos e negros, a palidez dela não se comparava a minha. A única coisa que pensei nesse momento, era minha adaga enfiada na sua garganta. Isso me fez sorri ainda mais e deixei a mulher confusa atrás da porta.
-desculpe incomodar, é que eu fui assaltada, poderia me ajuda com um telefonema por favor?
Usei uma voz calma e doce mantendo meu sorriso gentil e fraco enquanto não me aguentava aqui do lado de fora. Eu vi sua expressão surpresa e depois ela fechou a porta na minha cara sem dizer nada e depois a abriu rápido me surpreendendo com ela. Parecia ter na faixa dos quarenta anos, mas tinha uma aparência jovem, tive vontade de enforca-lá aqui mesmo. Mas antes queria conhece-lá, não acredito que bati na porta da desgraçada que me abandonou a dezessete anos atrás e agora estou planejando em mata-lá.
-pode entrar... Ho céus, abusaram de você querida?
Perguntou surpresa me dando espaço para entrar, eu percebi que ela tinha me olhado de cima a baixo para ter tirado essa conclusão, agora tem pena de mim não é vadia? Nem estou bagunçada pra ela ter pensando nisso!
-eles tentaram, mas eu conseguir fugir porque só levaram meus pertences
Expliquei mentindo sendo guiada até a cozinha mal iluminada por uma luz branca fraca da sala. Até que aqui é legal, será que ela mora sozinha?
-pode usar aquele telefone ali
Apontou para um uma coisinha amarela na parede perto de um armário. Depois ela passou atrás de mim e entrou em um quarto numa porta do corredor pequeno, que idiota deixa uma estranha sozinha na sua cozinha. Mas eu deixei isso pra lá e fui até aquele telefone discando um número qualquer sem apertar para fazer ligação, depois eu comecei a falar um monte de coisa bobas como "eu estou aqui numa casa na rua principal" e "fui assaltada" como se tivesse falando com algum parente meu, depois desliguei quando ela voltou e sorriu pra mim me fazendo reconhecer ela ainda mais, como na imagem que vi na minha cabeça.
-meu tio vem me buscar daqui a trinta minutos, será que não vai ser nenhum incômodo eu espera aqui?
-há não, não tem problema não
Sorriu sacudindo as mãos caminhando até a pia prateada pegando uma esponja e um prato para lavar, me ignorando, ela me deu a chance de observar mais um pouco a casa verificando as possibilidades de que os vizinhos não escutem seus gritos. Tem várias facas na pia também, ela parece concentrada. Uma mulher comum no mundo dos humanos cuidando da sua vida bem sucedida pra ter uma casa bonita dessas. Será que tem marido? Filhos? Será que posso perguntar?
-então... Qual é seu nome?
Perguntei inventando uma conversinha e me sentando na pequena mesa de madeira colocando meus braços sobre meu peito cruzando eles com força controlando meu desejo que provar seu sangue nesse instante. Como deveria ser a sensação de morrer por insuficiência sanguínea?
-Marie... Marie Roosevelt
Marie...
-eu sou Louise, me chame de Lucy se quiser
Disse amigavelmente enquanto ela nem parecia ter escutado continuando a lavar a louça que eu achei muita pra uma só pessoa. Começo a desconfiar de que ela mora com mais alguém, talvez filhos, vi uma caixa de cereal no armário. Com certeza é alimento de criança, ela deve ser casada.
-não se lembra mesmo de mim não é?
Perguntei de repente fazendo uma voz calma ainda, mas ela havia parado de mexer na louça e pegou um guardanapo enxugando as mãos enquanto se virava devagar até poder me olhar. Seus olhos estavam confusos e eu havia notado uma postura diferente nela, talvez se defendendo... Mas parece só confusa, tá bom vou explicar do meu jeito.
-bom... Meu pai disse que você era... Minha mãe
Falei abrindo minhas mãos e depois colocando meus cotovelo sobre a mesa bem devagar formando um sorriso fraco e malicioso no rosto. Percebi ela abaixar os braços ficando mais confusa e nervosa, mas ainda não sente medo.
-desculpe... Como?
Virou a cabeça apertando os olhos de tanta confusão. Foi aí que perdi a paciência e me levantei da mesa arredando a cadeira para trás com força com minhas pernas. Depois virei a mesa com minhas mãos e tirei ela do meu caminho indo na direção dela pegando seu pescoço e jogando ela contra o armário no chão. Mas ainda não vou machuca-lá, ainda. Larguei seu pescoço e fiquei em pé na sua frente percebendo que ela sentia medo agora se encolhendo no chão com o olhar assustado e confuso.
-não se lembra mesmo de mim vadia? Tinha apenas dois anos quando você me abandonou nas mãos do meu pai
Falava com calma andando para trás fazendo gestos com minhas mãos, me sentei na pia na parte de cortar carne e fiquei lá vendo ela se encolhendo no chão balançando minhas pernas me alimentando com seu medo. Parecia tão frágil e indefesa. Humanos são seres idiotas e inúteis.
-Miah...?
-não me chame assim Marie
Me lembrei do meu nome e levantei um dedo na minha frente li dando um aviso para não fazer nada que me possa provocar a arrancar um pedaço dela com meus dentes. Peguei uma das facas sobre o escorredor de louças e fiquei girando na ponta do meu dedo sorrindo ainda mais quando ela ficou com mais medo. Olhei pra ela e desci da pia andando bem devagar na sua direção aumentando seu pavor. Tem medo agora né desgraçada?
-me chamou de monstro? Me abandonou por não ser normal né mamãe?
Perguntei fria ainda em pé na sua frente enquanto ela me olhava com puro pavor vendo que ela estava começando a chorar e soluçar feito idiota. Demostrando seu arrependimento agora? Será que sente arrependida depois de dezessete anos?
-para com esse choro e me explica porque fez isso comigo!? Oque acha que tem de errado comigo? Porque me abandonou? Oque eu fiz pra você ter percebido que eu não era normal?!?!
Ela continuava chorando e cobrindo seu rosto com as mãos ficando vermelha de tanto chorar. Eu me perguntava se eu estou na casa da mulher certa.
-olha... Se não me responder eu posso fazer você sofrer muito
Passei a mão na minha nuca usando uma voz mais calma e suave brincando com a faca nos meus dedos. Mas eu percebi que não ia conseguir nada com ela chorando desse jeito. Então voltei a me senta na cadeira da mesa que estava jogada na sala de cabeça pra baixo. Fiquei lá esperando ela parar porque está me irritando.
-oque você quer comigo? Eu fiz isso pro seu próprio bem, eu não sei oque fariam se descobrissem sua... Espécie, eu tive que te entregar para seu pai porque não sabia como cuidar de uma menina como você, eu juro que me arrependo de não ter visto você crescer, por favor me perdoe...
Falava de um jeito implorativo se levantando do chão apoiando sua mão sobre o armário tomando cuidado em me olhar. Eu vi seus olhos realmente triste comigo, mas eu não tive nenhum outro tipo de sentimento dentro de mim além de vergonha de ter saído dessa criatura.
-só Deus perdoa mamãe, eu não
Disse fria pegando a lâmina da faca jogando ela no armário cravando ela ali com firmeza perto da sua perna esquerda. Errei. Encarei ela de novo e me levantei da cadeira indo na direção dela parando a um metro de distância porque ela ficou com medo de mim em um nível que poderia provocar seus berros de socorro se não tivesse cuidado em me controlar. Olhava para seus olhos semelhantes aos meus, mas eu tenho certeza que ela não me olhava porque os meus devem está esquisitos de novo.
-você não é humana não é?
Dei um gargalhada alta na sua cara vendo ela se encolher de medo de novo. Tão burra e idiota.
-não, não sou... E tenho muito orgulho disso, eu preferia a morte do que ser como você sua vagabunda, e espero que não conte nada pra ninguém da sua família oque aconteceu aqui, senão posso matar cada um deles só pra ver você sofrer
Ameacei usando uma voz baixa olhando fundo nos seus olhos, suas sombrancelhas tremiam e ela estava começando a chorar de novo. Seu beiço e nariz estavam vermelhos e eu sentia vontade de acabar com ela aqui mesmo se eu não quisesse brincar com ela primeiro.



Para: GaarnetLnster & LendarioEscritor
Sem brigas...

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora