Capítulo 22

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-e-eu não sei... Desculpa
Ele tentou se defender levantando os ombros se fingindo de inocente. Eu iria culpa-lo sem piedade se ele não tivesse feito uma expressão confusa, ou ele não sabe mesmo ou está fazendo isso pra me enganar.
Recolhi minhas pernas e juntei os braços contra o peito me virando de costas pra ele, não estava com tanta raiva, não a ponto de enforca-lo de novo. Joguei esse acontecimento de lado e me concentrei em dormi. Não seria tão difícil, estava cansada por tudo oque aconteceu hoje, fiquei mais tranquila quando não sentia mais ele do meu lado, melhor assim.
-Lucy?
Ainda não me acostumei em ser chamada dessa forma, mas eu tive que me virar para encara-lo e ouvir oque ele tem a me dizer, dessa vez eu estava controlada e mantive minha expressão firme mesmo depois de ver a sua. Acho que essa é a primeira vez que o achei fofo, e também senti pena de ver ele desse jeito.
-me desculpa?
-tudo bem
Disse seca ainda olhando pra ele porque achei que ele iria dizer mais alguma coisa. Apenas esperei por me sentir curiosa, nada mais.
-eu disse que ia tentar
Não queria lembrar disso, virei meu rosto para outro lado e me encolhi ali. Preferia dormir da forma que estava antes de empurra-lo para longe de mim, mas eu me conformei com as raízes da árvore e tentei fechar os olhos em vez de ficar me concentrando em ouvir alguma coisa atrás de mim.
Mas depois eu percebi que sua blusa estava subindo pelo meu braço direito até pousar sobre meu ombro me cobrindo, eu peguei a manga e trouxe ela para mais perto de mim sem fazer nenhum comentário. Só espero que ele esteja com outra por baixo. Por isso não fiz nenhum comentário e nem troquei de posição ficando tensa por algum motivo.
Tentei encontrar o sono de novo querendo dormir de uma vez e não ter que ficar aqui nervosa do jeito que estou, não sei porque estou assim.

De manhã eu não quis abri os olhos ainda, eu estava sendo incomodada pra claridade do sol. Estava quente demais e eu ainda estava com sua blusa sobre meu ombro, deixei ela cair quando passei a mão nos olhos, primeira vez que sinto calor durante muitos dias só de chuva.
Me espantei um pouco quando senti uma coisa gelada na minha bochecha subindo até minha testa tirando os fios de cabelos que tinham ali, não quis abri os olhos ainda e deixei ele fazer isso por pura preguiça de mandar ele parar. Seus dedos não me incomodavam tanto por causa da temperatura, mas depois ele parou e colocou seu polegar no canto da minha boca e passou pelo meu beiço bem devagar, abri minha boca um pouco por instinto antes de pensar. Seu toque era tão delicado que eu voltei a sentir aquela vontade de tocar no seu rosto de novo.
Mas aí eu comecei a sentir sua respiração batendo no meu rosto, fiquei parada ainda tentando entender oque estava acontecendo, mas não deu tempo de me afastar antes que ele me beijasse de novo. Foi mais delicado e ele parecia que não queria me acordar, não respondi outra vez e fiquei parada tentando não deixar pistas de que eu estou acordada de verdade, reagiria depois que ele se afastasse.
Sua mão outra vez voou para minha cintura mas ele não me puxou. Fiquei imóvel sem mexer uma parte da minha boca tentando fingi que ainda estava dormindo, mas depois que ele tentou abri minha boca de novo com a sua eu me afastei e fiquei encostada na árvore esperando ele me olhar.
Mas a única coisa que ele fez foi se sentar mais perto de mim e não tirou sua mão da minha cintura até eu puxar ela de lá e apertei com minhas unhas para ele sentir a dor de propósito.
-ai
Ele reclamou e eu sorrir limpando minha boca de novo.
-foi só um bom dia
Ele tentou se defender de novo, eu esperei ele tirar seu sorriso para eu levantar minha mão de novo jogando ela na direção do seu rosto até eu ouvir um estalo agudo. Depois eu levantei de lá passando do seu lado ignorando ele ainda ali sentado se recuperando.
Não senti nenhum pouco de pena dele nesse momento, apenas continuei andando para algum lugar e procurar oque fazer para esquecer tudo isso um pouco. Limpei minha boca de novo outra vez me sentindo suja, minha raiva não era tão forte... Por algum motivo eu não estava tão irritada com ele depois de ter feito aquilo. E não demorou muito para eu começar a ouvir passos atrás de mim, ignorei ainda com paciência mesmo depois dele ficar do meu lado. Eu pensei que aquela promessa durasse mais do que isso, eu pensei em ter escutado um "vou tentar" ontem! Oque deu nele pra esquecer tudo isso!?
Percebi que estava começando a ficar irritada.
-não tá tão brava comigo né?
Apenas virei meu rosto até poder li lançar um olhar frio para ele entender minha situação. Ele não entende que eu estou tentando recuperar nossa amizade?
...
Desisto disso, pra isso acontecer é necessário duas pessoas! Ele não tá fazendo nenhum esforço.
-tá bom para
Pedi me virando de frente pra ele, mas não o olhei, passei as mãos na cabeça jogando meu cabelo pro lado pensando por onde começar. Eu não fazia ideia de como explicar isso.
-eu só preciso esclarecer algumas coisas
Disse fazendo gestos com as mãos ficando um pouco estressada, ele me olhava sorrindo o tempo todo com as mãos no bolsos, eu quase desconfiei de que ele possa está sentindo meu nervosismo.
-deixa eu falar
...?
-não vejo porque você está evitando isso, qual é o problema em nós termos esse tipo de coisa? É algum problema comigo?
Aí... Não é isso... Não dá pra explicar...
-não...
Sentir uma dor insuportável dentro de mim me fazendo parar de falar, fiz uma expressão de dor mordendo meu beiço com força pela complicação dessa conversa. Eu não sei como dizer isso... É uma confusão muito grande dentro da minha cabeça, ai meu Deus.
-porque não Lucy?
...

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora