Peguei uma maçã na geladeira e sair de casa do jeito que eu estava mesmo. Não ligava para olhares de reprovação ou qualquer tipo de ofensa que eles cochichavam um para o outro quando eu passava. Só tomava cuidado com as autoridades e evitava olhar por muito tempo na cara de alguém, mas até que eu estava me sentindo um pouco menos incomodava porque atraía mais olhares masculinos do que femininos. Também, com essa roupa... Mas não tenho vergonha, podem ver mais não podem pegar. Por isso ficava tranquila até chegar na última casa da rua principal, onde ficava mais perto da floresta. Eu aproveitei que eu estava de bom humor hoje e entrei em uma loja de doces jogando fora o miolo da maçã na lixeira que tinha perto do balcão onde estava um homem de idade que me olhou de cima a baixo e entortou a boca criticando minhas vestimentas com certeza. Mas eu não liguei pra isso, a loja estava vazia, só eu e ele. Então me abaixei até a bancada e vi um docinho enfeitado de rosa e branco ali sorrindo pra mim. Apontei pra ele e olhei para o homem que já segurava uma caixinha rosa se abaixando para pegar o docinho.
Dei uma cédula de dez para ele e não esperei o troco pegando a caixinha da sua mão e indo embora. Acho que meu pai não vai sentir falta desse dinheiro, valeu a pena gastar com isso. Parece gostoso, e decidi comer quando não estivesse andando.
Cheguei até um parque de crianças abandonado na floresta que era aberta e fechada ao redo. O parque tinha três brinquedos diferentes e todos estavam enferrujados e cobertos por um mato esquisito. Me sentei em um deles e abri a caixinha muito ansiosa para saber como era o gosto daquilo. Mas não me surpreendi muito, era doce e meio sem graça ao mesmo tempo. Terminei em dois segundos e ainda sentia fome, isso ataca de vez em quando e eu ainda não sei o motivo. Alguns minutos depois lambendo aquela caixinha, eu parei e abaixei minha cabeça porque senti muita dor de cabeça e tontura, meu estômago roncou algo e algo dentro dele estava sendo empurrando de volta. Eu sabia que não devia ter feito isso... Acabei vomitando tudo que estava dentro de mim inclusive o doce que eu acho que estava estragado. Meu estômago recusa coisas que eu acho que não sou acostumada a comer.
Parei só quando senti uma mão fria nas minhas costas me ajudando a me recompor. Limpei minha boca com a manga da blusa e fiquei de cabeça baixa percebendo que ele tinha sentado do meu lado. Continuava fazendo massagem na minha costa até eu recuperar o branco do meu rosto num tom normal pálido.
-está melhor?
Perguntou curvando sua cabeça do meu lado olhando para meu rosto. Verifiquei meu estômago passando a mão na minha boca ainda sentindo a saliva se espalhar por ela de uma forma anormal.
Mas acho que já posso dizer que estou bem porque não sinto mais o enjôo.
-obrigado jass, eu acho que não posso comer certas coisas
-quem é jass?
...?
Parei de respirar sentindo meu corpo inteiro receber um choque com a voz que só estava achando diferente agora. Olhei pra ele tomando um susto tão grande que gritei alto desesperada saindo do seu lado morrendo de medo, mas cair no chão de novo de costas com a respiração acelerada. Me arrastava com as mãos e os pés tentando me afastar dele o mais rápido possível mas ele só estendia suas mãos de novo na esperança de me acalmar. Mas eu já estava assustada no nível máximo pra isso.
-calma eu só queria ajudar
Falou dando um passo na minha direção e mais outro e mais outro. Até ficar bem perto de mim me oferecendo sua mão. Mas eu recusei ainda ofegante e tentando me afastar. Até senti uma pedra grande embaixo da minha mão.
-espera oque é aquilo?
Perguntei apontando pra trás dele e ele olhou pra lá como planejei. Foi aí que eu joguei a pedra na sua cabeça escutando aquele barulho de osso oco, aproveitei o tempo que ele estava lá gemendo e corri o mais rápido possível para civilização indo para calçada e depois atravessando a rua desesperada ainda. Quase um carro me bateu e me espertei com a buzina alta me ligando na realidade de novo. Muitas pessoas estavam me olhando torto confusa e curiosas tentando entender porque eu estava correndo feito uma doida pela rua. Mas aí eu vi algo passando do meu lado muito rápido que eu nem pude perceber oque era ou quem era. Mas aí ele apareceu na minha frente de novo bloqueando minha passagem me obrigando a gritar em desespero e agonia, virei em um beco onde se encontrava fechado com uma grade que não me deu problema quando eu pulei por cima dela com a ajuda de um instinto de sobrevivência. Fiquei novamente surpresa comigo mesma e parei olhando pra ele que estava do outro lado me encarando sério mas com os olhos arregalados e brilhando em um tom vermelho esquisito e assustador.
-só quero conversar
Falou levantando as mãos, mas depois eu dei um passo para trás dizendo que não quero ouvir nada. E quando ele percebeu isso, fechou a cara e agarrou a grade pulando por cima dela com facilidade em movimentos perfeitos, calculados e ágeis. Isso me fez ficar em choque porque me sentia em grande perigo agora, eu queria poder gritar ou sair correndo, mas meu corpo estava paralisado de medo ficando mais duro ainda quando ele se aproximava me olhando de forma calma. Mas me deixando mais agoniada ainda acelerando minha respiração.
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*LendarioEscritor*
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Uma garota sozinha na floresta
FantasyEu não tenho nome e nem sei direito oque sou. Eu tenho a forma de um ser humano, mas meu pai diz que não sou um. Meu "pai" porque ele quem cuida de mim. Eu quase não tenho muito contato com ele, vivo quase sempre sozinha andando pela floresta tentan...
