Capítulo 119

495 53 3
                                        

Ficamos um minuto em silêncio, eu estava olhando para seu rosto sério demais com o foco dos olhos no chão. Ele ainda passava seus dedos pelo cabelo crespo e bagunçando, parecia conversar com alguém mentalmente. Até que depois olhou pra mim e chegou mais perto do meu rosto para me olhar fundo nos olhos revelando sua preocupação sem querer no seu olhar com as sombrancelhas juntas.
-só quero que tome cuidado aqui nessa cidade, promete pra mim?
Peguei na costa da sua mão que estava segurando meu rosto com cuidado me causando calafrios na bochecha. Olhei para seus olhos mais profundos cheios de afeto e carinho por mim para assegura-lo enquanto à isso. Ele não precisa se preocupar tanto assim comigo, não tenho mais dez anos.
-prometo umbra est
Encostei minha testa na sua fechando meus olhos sentindo uma onda de segurança pelo corpo inteiro. Ele fez carinho na minha cabeça tirando meu cabelo da bochecha colocando trás da minha orelha ainda parecendo meio preocupado comigo, mas deve ser por ele ser pai de uma coisa adolescente como eu. Precisa ser assegurado todo o momento e saber oque realmente estou fazendo. Ele só está sendo pai.
-já vou então minha pequena
Se afastou usando essa frase que tocou meu coração de forma delicada me deixando triste na hora que o vi de costas pra mim. A luz da lua iluminou seu corpo por uma questão de segundos, e eu me dei conta de quanto ele parecia mais humano nessas roupas, sapatos pretos, blusa fina de mangas curtas e sem aquela capa que o escondia sempre. Pela sua aparência parece ter trinta e cinco anos. Mas ainda estou triste porque queria que ele ficasse...
-ei pai...!? Sabia que o senhor tá bonito desse jeito?
Provoquei fazendo ele parar e se virar na minha direção apertando os punhos com força e mantendo um sorriso preso em seus lábios. Pela primeira vez eu percebi que ele tinha ficado com um pouco de vergonha por isso, mas depois eu sorri ainda mais me divertido com minha provocação. Agora entendo porque aquela mulher que não existe mais entre nós teve algo com ele. Mas aí eu percebi que ele tinha ficado meio bravo com isso e andou rápido na minha direção mostrando seus dentes como se fosse me atacar. A única coisa que fiz foi cobri meus olhos e me virar de costas encolhendo meus ombros esperando pelo impacto que aconteceu segundos depois. Ele me abraçou pela cintura furando ela com seus dedos me provocando a rir feito uma doida pelas cócegas torturantes que eu sabia que não ia parar tão cedo.
-Para Pai!!! Eu não gosto disso...!
Ele ria também ainda me segurando com força me virando de costas pra ele para se aproveitar da minha fraqueza. Eu não conseguia mais lutar então me rendi sem parar de rir domada pela brincadeira que na verdade era uma tortura pra mim. Seus braços envolta de mim era como se fossem duas cordas bem apertadas me segurando com força quase me suspendendo do chão sem parar de furar minha cintura me deixando fraca e sem fôlego.
-com licença...?
Jass interrompeu aparecendo na nossa frente meio sombrio demais embaixo de uma árvore que era baixa. Meu pai parou de me fazer cócegas e me abraçou por trás mantendo seus braços envolta da minha barriga quase me obrigando a ficar aqui com ele do que ir para perto de jass. Eu estava pensando em fazer isso se ele não parasse.
-desculpa Lawrence, eu fico com ela essa noite
Disse beijando minha bochecha me fazendo erguer as sombrancelhas em surpresa olhando para seu rosto sem acreditar nas suas palavras que significavam muito pra mim. Ele me retribuiu um sorriso fraco e torto apenas com um lado da sua boca. Com certeza isso era verdade, ele está muito bonzinho comigo... Tem algo por trás disso, e acho que é uma vontade de deixar jass sentindo minha falta.
-não vai fazer isso comigo não é Lucy?
Jass pareceu está chorando ali parado juntando suas sombrancelhas realmente triste com isso. Era uma escolha difícil, mas é meu pai aqui me pedindo pra passar uma noite inteira com ele... Não tenho que escolher. Ele tem que entende isso... Por isso minha resposta foi abaixar a cabeça e brincar com os dedos entrelaçados do meu pai na minha barriga.
-tá bom viu... É assim né?
Ele estava fazendo drama de novo, mas se virou e eu pude ver ele fazer um beicinho me olhando de uma maneira diferente me acusando de crueldade com ele. Mas felizmente eu poderia me desculpar com ele mais tarde. Depois de ter essa noite com meu pai querido que agora está estranho demais querendo passar um tempo comigo.
-vamos?
Perguntou me soltando e me puxando pela cintura passando seu braço por trás de mim. Eu fui sorrindo com os olhinhos brilhando em animação e ansiedade para essa noite longa. Peguei sua mão e coloquei ela no meu ombro passando meu outro braço pela suas costas deixando meu dedo indicador preso na coisinha de se colocar sinto na sua calça. Nós dois fomos para a calçada da cidade ainda em silêncio e observando as poucas pessoas ainda acordadas andando por ela. Cobri meu rosto com o capuz da blusa e mantive ele abaixado, mas mesmo assim observando a cidade ainda ligada e animada mesmo tarde da noite. Éramos só mais dois humanos estranhamente pálidos usando roupas pretas que aumentam essa tonalidade nossa.
-pai?
-hum?
-porque o senhor ficar nessa forma humana?
Olhei para seu observando sua expressão pensativa com cuidado enquanto esperava sua resposta. Ele pareceu escolher as palavras juntando elas em uma linha imaginária na sua frente lendo-a antes de me responder verificando se estava apropriada pra mim.
-porque eu sei que minha forma assusta você, mas ficar nesse corpo o tempo inteiro me deixa exausto. Você precisa se concentrar todo tempo sem parar por nenhum segundo, mas eu já me acostumei, faz parte de mim agora e eu aceitei
Olhou pra mim sorrindo no final percebendo minha expressão de espanto porque não sabia disso. Depois voltei a olhar para minha frente encolhendo meus ombros quando duas mulheres passaram do nosso lado, elas era jovens como eu e riam atoa entre si, usavam mini saias jeans e blusinhas finas. Verdadeira prostitutas sem valor algum, não sei porque vivem nesse mundo atrapalhando as vidas das pessoas assim como acabaram de atrapalhar a do meu pai...!
-então oque deixa você mais forte e oque te enfraquece?
Tirei sua atenção delas para mim fazendo ele piscar duas vezes voltando a olhar para frente se concentrando. Mordi minha língua de raiva daquelas mulheres que não se dão o valor, mas continuei olhando para seu rosto me concentrando em não pensar nisso por um tempo. Nem me lembro oque eu perguntei, só fiz isso para trazer ele de volta.
-pegar as vidas das pessoas ou roubar, tanto faz, chame do que quiser... Não é bem assim que eu faço esse tipo de coisa, oque me deixa mais forte é a ingenuidade que elas possuem de aceitarem oque eu ofereço em troca de coisas que elas não iriam sentir falta, isso é suas próprias vidas que não valem nada nesse mundo. Eu as aviso primeiro do preço que tem carros, dinheiro, mulheres, essas coisas que eu mais ouso eles pedirem. Mas oque ocorre depois pode ser a morte se a pessoa tiver pedido coisas como essas que eu citei sem importância, mas algumas são diferentes como Jack que ofereci a saúde de seu pai de volta... Eu fiz minha parte, mas ele estava tão cego com oque se tornou que acabou esquecendo que tinha uma família
Fiquei em silêncio afetada por isso ainda, uma coisa que jass não poderia ter passado. Mas olhando por esse lado, meu pai é inocente nisso tudo, ele fez sua parte e deu sua palavra comprida. Jass... Teve a ingenuidade de ter se esquecido disso e fugido de casa.
-agora oque me deixa fraco... Deixe-me ver... Nunca fiquei desse jeito, sempre vivi por aí cometendo as mesmas coisas quase todas as noites, esse meu lado pode ser passado pra você também, só espero que aprenda lidar com ele
...
-pra que a cara de surpresa? Você é minha herdeira, minha aliada e minha pequena também

Uma garota sozinha na floresta Histórias para pegar e não largar. Descubra agora