Capítulo 7 – Pov Lorena
Complexo da Penha
Sábado, 10h
Já é sábado de manhã e to arrumando minhas coisas pra levar pro alemão enquanto a Cecília conta fofoca do funcionário lá da boca que foi pro desenrolo por causa de briga entre fiel e amante.
— Só sei que o Capitão mandou dar uma surra de madeira molhada nele e deixou as duas carequinhas.
— Esses moleques sabem muito bem qual a disciplina do meu pai e ficam querendo luxar com piranha sendo que tem mulher em casa — eu pontuo — Bom que a Suellen vai ter mais duas clientes pra vender as laces dela. — nós duas rimos.
Cecília dobra minhas blusinhas e vai colocando na cama.
— Poxa, vou sentir tanto a sua falta — ela faz um bico enorme.
Eu amo que quando se trata de mim a Cecília tem cinco anos de idade.
— Garota, eu já disse que tu pode ir lá a hora que tu quiser, para de maluquice.
— Mas não vai ser a mesma coisa de ter você aqui todo dia!
— Quer ir pra lá hoje comigo? Sábio me mandou mensagem falando que vai ter baile.
— Não dá, amiga, eu tenho um trabalho enorme pra entregar segunda, não fiz nada ainda, seu pai tá arrancando meu coro. — ela bufa — mas falando em Sábio, quantos anos tem que você não vê ele e o jogador?
— Cara, tem mais de 10 anos isso.
— Que isso, Lorena, tu não acha estranho não? — ela fala parando de dobrar as roupas — Vocês cresceram juntos, moram super perto, basicamente trabalham juntos...
— Sei lá, não acho estranho — eu me sento na cama — no começo, logo depois que a tia Daiane morreu, eu meio que evitei o Alemão, mas depois as nossas vidas seguiram rumos diferentes.
— Me falaram que o tal jogador é gato pra caralho — ela olha pra mim com cara de safada — Passar fome tu não vai.
— Caralho, Cecília, vai se converter — eu rio jogando o cropped que tá na minha mão na cara dela — deixa o Pastor Claudio ouvir você falando uma baixaria dessa.
— Ah tá bom, Santa Lorena — Ela dobra o cropped que caiu no rosto dela — até ontem tava sentando a beça no BW — ela sussurra
— Fala em voz alta, vagabunda!
— To mentindo? — ela ri — ele deve tá mordendo as costas que tu vai ficar longe.
— Tu tá falando como se eu fosse a única mulher que ele come nesse morro.
— Mas é a única que ele quer como fiel.
— E eu lá to em posição de ser fiel de alguém, me respeita.
— Ui, bandidona. — ela levanta as mãos em sinal de rendição — muito estranho você ser bandida mesmo
— Teu trabalho também é muito honesto, né? — ela faz careta — o dia que eu assumir, tu vai ser gerente, garota.
— Tu não me ama não, papo reto. Quer que meus pais me finjam que eu não existo mais.
— Teu Vulgo vai ser Mercenária, só comenta a partir da casa do milhão.
Nós duas demos boas risadas arrumando as minhas coisas, ela vai embora depois do almoço, mas promete que vai aparecer lá final de semana que vem e eu peço aos meninos da contenção pra colocar minhas malas no carro.
Tomo banho e coloco um short soltinho de cintura alta, um top faixa e meu airforce branco no pé. Pego a necessaire que já tá na minha bolsa de mão em cima da cama, passo rímel, gloss e perfume e coloco tudo no lugar. Minha arma também vai na bolsa, mas tenho outra debaixo do banco do carro.
Desço as escadas com a bolsa no ombro tentando lembrar se não tô me esquecendo de nada.
Me despeço dos meninos da segurança da casa, menos de Dedé que teve que ir às pressas pro Paraguai ontem de madrugada.
Entro na minha Velar e dirijo em direção à boca para me despedir do meu pai. Desço três ruas e paro na esquina, desço do carro e entro com meu celular na mão.
Porta da sala do meu pai tá fechada, mas eu bato e ele me manda entrar.
— Já to indo pai — dou um sorrisinho entrando na sala.
— Vem cá, minha princesa — ele bate no sofá ao lado dele, indicando que quer que sente.
Eu ando até ele, sento no sofá e o abraço de lado.
— Te amo — ele deixa um beijo na minha cabeça — me orgulho do trabalho que fiz com você
— Também te amo, pai — eu sorrio — O senhor vai ficar bem sem mim?
— Se preocupa não, já já tu tá aí mandando e desmandando em mim. — ele me solta do abraço e olha pra mim — Sou eu e tu pra sempre, esquece disso não.
— Sou grata por você, pai.
— Agora vai lá que o Sábio vai tá te esperando. — ele dá dois tapinhas nas minhas costas, se levantando junto comigo.
Nós saímos até a porta da boca, dou mais um abraço no meu pai e ele beija a minha bochecha. Ando em direção ao meu carro e ouço ele me chamar.
— Lorena — Paro meus passos e viro para meu pai — Tudo o que eu faço é pensando em você.
Eu apenas dou um sorriso e concordo.
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PRÓXIMO CAPÍTULO TEM ENCONTRO ENTRE PRINCESA E JOGADOR 🥳
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Sonho dos crias [M]
FanfictionE fé no pai, sei Que todo mal contra mim vai cair por terra Nós gosta da paz, mas não fugimos da guerra Paz, justiça e liberdade, fé nas crianças da favela Eu vivo a vida e amanhã não me interessa Lorena, vulgo Princesa, tá terminando a faculdade d...
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