Capítulo 73 — Lorena
Pretinho discute com o Chocolate o melhor plano de ação pra entrar na Penha e eu olho pro dois, calada, tentando processar a esquisitice que é atacar a favela onde eu nasci.
— O que tu acha, Princesa? — Matheus me pergunta, entregando o baseado que está em suas mãos pra mim e eu estranho ele me chamando pelo vulgo.
— Acho que meu pai tá esperando que a gente entre pela serra mesmo, ele subestima a nossa inteligência, só espera intensidade — dou um trago e jogo a cabeça pra trás, soltando a fumaça — Mas deve ter reforçado a principal também, acho que temos que entrar por todos os lados, eles não vão conseguir deslocar.
Devolvo o baseado pra ele, sentindo minha pressão abaixar um pouquinho, mas sigo com um incômodo na cabeça e um enjoo chato a beça.
— To com ela, favela é dela, po — Pikachu levanta do sofá — Bagulho tem que ser conforme a mente dela, ela e dedé que vão saber o proceder...
— Por mim tá fechado, só dá as tuas orientações ai — Chocolate olha pra mim, passando confiança.
— Coloca os fuzis no óleo — Jogador diz pro Pretinho, que concorda — Vamo colocar pra jogo as armas que o Sábio comprou e não usamos, potência máxima. Próxima semana, a Penha já vai tá na melhor gestão.
Os meninos saem da sala, cada um indo desempenhar sua função no preparo pro baque que vamos dar na Penha.
— Que foi que você tá com essa carinha? — Ele joga a cadeira pra trás e bate na perna, pra eu sentar no colo dele.
Matheus gosta muito de contato físico, qualquer oportunidade ele quer ficar colado, e até isso é novo pra mim, mas eu me sinto muito feliz.
— Enjoada e com dor de cabeça. Várias coisas ficam martelando na minha mente também — reclamo sentando de ladinho na perna dele.
— Botei um filho aí já, esquece, por isso meu vulgo é Jogador — ele passa a mão na minha barriga — Só passe certo.
— Para de falar isso — dou um tapinha na mão dele — tenho medo de engravidar na adolescência.
— Tu tem vinte e cinco anos, Lorena — ele ri, beijando minha bochecha.
— To novinha ainda — encosto minha cabeça no ombro dele, que faz carinho no meu braço — Só daqui a cinco anos.
— Se prepara então, que vai ser um atrás do outro — Ele morde meu pescoço de leve e eu nego com a cabeça.
Eu tenho vontade de ser mãe, quero ser pra um serzinho tudo o que eu não tive. Fico babando na forma como a Laís ama os filhos dela e me relacionar com o Matheus aumenta minha vontade mil vezes, por saber que ele vai ser um pai foda e fiel. Só que sinceramente não sei como conciliar a maternidade e o tráfico, colocar alguém no mundo pra viver em risco é algo que me perturba.
— Sou parideira? Dois, no máximo, porque ser filho único é muito ruim — dou um selinho na boca linda dele — quero dormir, vou pra minha casinha.
— Vai pra sua ou pra minha? — pergunta quando eu me levanto.
— Pra minha.
— Depois vou lá levar alguma coisa pra gente comer. Quer comer o que, minha princesa? — pergunta, dando um tapinha de leve na minha perna e levantando logo em seguida.
— Japinha — sorrio e olho pra ele, que passa o braço no meu pescoço.
— Japinha pra você e hambúrguer pra mim — diz enquanto caminhamos pra fora da boca.
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Sonho dos crias [M]
FanfictionE fé no pai, sei Que todo mal contra mim vai cair por terra Nós gosta da paz, mas não fugimos da guerra Paz, justiça e liberdade, fé nas crianças da favela Eu vivo a vida e amanhã não me interessa Lorena, vulgo Princesa, tá terminando a faculdade d...
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