Capítulo 79 — Lorena
*Dia da tomada da Penha*
Dou um laço no meu tênis e coloco o resto do cadarço pra dentro.
O dia ainda não nasceu, mas eu já tô pronta pra ir pra invasão e Cecília vai pra boca, ela ta de frente do Alemão hoje, enquanto Jogador e Pikachu estão indo vingar a morte do Sábio comigo.
— Tô indo lá, amiga — ela aparece na porta quarto e sorri pra mim — Cuidado, por favor, tô com medo de cuidar dessa favela aqui, mas tô muito feliz que você vai ser a dona daquela porra toda lá.
Ela nem deixa tempo pra eu responder e vai embora, atrasada como sempre.
Coloco a segunda pistola no coldre e saio do quarto, mas bato de frente com a Cecília ainda no corredor.
— Viu minha chave? acho que eu perdi — ela abre a bolsa
— Porta tá encostada, Ceci — relembro ela — Tá cheio de segurança aí fora.
— Tá não, tá trancada — ela diz, procurando a chave dentro da bolsa e eu franzo a testa, sem entender.
Ando até meu quarto e abro a gaveta do armário, onde eu deixo a chave extra, porque a outra deixei na casa do Matheus.
Procuro a chave no chaveiro de abridor de garrafa, mas também não acho e a preocupação começa a me bater.
Vou até a porta da sala e não vejo seguranças próximos à porta, mas muitos, além do normal, do outro lado da calçada.
Pego o meu celular em cima da mesa da sala e vejo pela tela de bloqueio que o Matheus me mandou um áudio.
— Achou? — Cecília pergunta pra mim e eu nego com a cabeça, deixando ela confusa, assim como eu.
Minha mente já cria milhões de teorias e nenhuma delas é boa.
— Vai no armário do meu quarto, no meio das cobertas tem uma m4, vê se tá carregada e trás pra mim — digo baixo.
Desbloqueio o celular e abro direto a conversa com o Matheus, sentindo meu coração errar a batida.
Mensagem de voz de Jogador: Tá ligada que eu te amo pra caralho, né? Posso perder tu não, loira. Já to com a tropa na pista, logo mais a Penha é tua. Fica chateada com teu amor não, minha gatinha, mato e morro por tu, confio em você mais que tudo, mas minha mente tava na neurose de tu brotar aqui e se machucar. Te amo, ja ja tô aí — diz baixo e rouco.
Desencosto o aparelho do ouvido e ligo freneticamente pro Jogador, mas todas caem na caixa postal.
— Eu não acredito que ele tá fazendo isso comigo — nego e jogo o celular no sofá.
Tento contato pelo rádio, mas também não tenho resposta dele.
— Que que tá acontecendo, Lorena? — Cecília me pergunta, preocupada.
— Jogador foi pra missão e trancou a gente aqui pra eu não ir — falo em voz alta e parece muito pior do que tava na minha cabeça.
— Meu Deus, esse homem não tem um pingo de amor a vida dele — ela nega, completamente chocada, assim como eu estou.
— Tudo o que eu pedi foi verdade, eu não aguento mais mentira nesse caralho — digo irritada e ela me entrega a M4.
— Tá carregada.
— Eu vou lá pegar a minha favela e dar um tiro no cu desse arrombado.
Ando até a porta que dá pra área de serviço e laje, mas, obviamente tá trancada.
Sinto raiva, frustração e a dor de um coração partido. Pra mim isso é uma traição como qualquer outra e se ele acha que assim estaria me protegendo, é porque não conhece nada sobre mim.
Não tinha como eu deixar mais claro, disse com todas as letras que não preciso de proteção física, só preciso de alguém que acredite em mim.
— Kemily tá de plantão, liga e manda ela vir aqui e meter bala nessa porta até cair — digo pra Cecília enquanto passo a bandoleira da M4 pelo pescoço — Não posso fazer isso, Jogador botou um monte de segurança pra não deixar eu sair. Me ajuda aqui — chamo, andando até o banheiro.
A janela do meu quarto dá pra área de serviço, mas ela é toda gradeada, então o único jeito vai ser pelo basculante do banheiro.
Subo no vaso e abro a janelinha do basculante, pra ter mais espaço, uso a parte de trás da arma pra quebrar a trava, jogando o vidro do outro lado. Com ajuda da Cecília, eu penduro meu corpo, caindo no lado de fora da área de serviço e em seguida ela me dá a m4.
— Amiga, cuidado — ela me alerta mais uma vez.
— Jogador é que vai precisar ter cuidado com a raiva que eu tô sentindo dele.
Subo na laje pela escadinha de tijolo e vejo o dia amanhecendo. Devagar, estudo os seguras que estão na parte da frente da casa e acabo reconhecendo um deles como funcionário do Dom. Meu ódio vai só aumentando.
Já que vai ser impossível passar pela frente da casa, olho o beco na parte de trás e vejo mais três seguranças. Sinto meu coração acelerar com a possibilidade de não conseguir sair daqui.
Pulo pra laje da vizinha, um pouco mais baixa que a minha e depois pra outra, mas na hora de descer do muro pro beco, passo o meu braço no muro de chapisco.
— Puta que pariu — xingo quando sinto a pele arder e o sangue escorrer.
Respiro fundo e corro pra fora pensando em como vou chegar na Penha. Já são seis e pouco da manhã, então muitos morados tão descendo a favela pra ir trabalhar.
Ouço barulho de moto e vejo o cara descendo com colete de mototáxi.
Corro pro meio da rua com a M4 próxima ao meu peito fazendo ele diminuir a velocidade.
— Que isso, patroa — ele toma um auto quando para e me reconhece.
Uma mulher loira andando armada no meio da favela não é uma imagem comum.
— Me leva lá na Penha — digo olhando pros lados porque não quero que ninguém do movimento me veja.
— Tá maior guerra lá, Patroa — fala, ainda assustado — eu sou trabalhador, po. Sou envolvido não — balança o colete.
— Então desce, me empresta a moto, na volta eu cubro tua diária — faço movimento com a arma pra ele descer e ele obedece — Qual teu nome?
— Helinho.
— Na volta eu acerto contigo.
Parto em direção à saída da favela, deixando o menino lá plantado. Desço igual uma bala, passando por cima da calçada pra não ter que passar pela barreira.
Olho pelo retrovisor quando caio na pista e vejo o Tictac falando no rádio e o Lc passando a mão na cabeça, enquanto ambos me olham.
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Deu ruim ein. curte aí que vou tentar postar mais um daqui a pouco
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Sonho dos crias [M]
FanfikceE fé no pai, sei Que todo mal contra mim vai cair por terra Nós gosta da paz, mas não fugimos da guerra Paz, justiça e liberdade, fé nas crianças da favela Eu vivo a vida e amanhã não me interessa Lorena, vulgo Princesa, tá terminando a faculdade d...
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