Capítulo 42

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Capítulo 42 — Lorena

Sinto os braços do Matheus ao redor da minha cintura e viro na cama pra ficar cara a cara com ele. Meu despertador ainda não tocou, então fico aqui deitadinha, olhando pro rosto dele enquanto dorme.

Ontem foi um dia muito foda, tá no Maracanã com ele me deixou mais feliz do que receber minha carteira da OAB, mesmo que eu tenha um pouquinho de dificuldade de expressar isso. Sinto que finalmente to conseguindo ter minhas próprias escolhas e atitudes, sem precisar da validação do meu pai o tempo todo.

Pode parecer a maior bobeira do mundo, mas ir ao jogo ontem me confirmou isso. Antes eu tinha a sensação de estar perdendo minha própria vida, agora sinto que to vivendo. Acho até estranho ter esses pensamentos, porque às vezes a gente acha que algumas coisas não são pra gente e eu achei que relacionamento sério não era pra mim, encaixar alguém nesse estilo de vida que eu levo, sendo mulher, era missão quase impossível, então eu nem cogitava.

Meu despertador toca e eu pego o celular debaixo do travesseiro pra desligar o som. Decido levantar da cama quando vejo mensagem do meu pai desejando bom dia. Jogador nem se mexe na cama, tá mortinho. Tenho que falar com meu pai sobre o natal, não sei se ele vai querer vir pra cá ou prefere que eu passe com ele na Penha.

Desço as escadas, abro a aba de Contatos do meu celular e ligo pro meu pai, colocando o aparelho na orelha. No terceiro toque, quando entro na cozinha, ele atende.

Lorena: Bom dia, seu Capitão —- falo, colando a cabeça no ombro pra segurar o celular na orelha enquanto coloco a água pra ferver.

Capitão: Bom dia, Princesinha do pai — ouço a voz do BW no fundo, mas não consigo ouvir o que ela fala. Ranço só de ouvir.  — Dormiu bem?

Lorena: Dormi, pai. To tomando café pra ir pro treinamento. Tudo bem aí? — pergunto enquanto preparo o pó na cafeteira. Todo dia o mesmo ritual, tá na hora do Jogador comprar uma cafeteira de cápsula.

Capitão: Tudo na maior paz, graças a Deus. Sábio tá te devendo uma pra sempre depois dessa moral que tu tá dando aí, facção é só elogios pro comando deles, Dom até falou que te conheceu sábado passado, tu nem me falou que tinha encontrado com ele.

Lorena: É, conheci ele — respiro fundo — trocamos uma ideia, mas nada demais — minto.

Ainda não sei direito o que pensar do papo que tive com o Dom, tá muito estranha essa história entre ele e meu pai. A matemática não fecha, eu fui no morro, vi que tava tudo bem, aí acabo ficando com um pé atrás com o Dom, mas não quero explanar. Meu pai entrando numa briga com o Dom não vai ser bom pra facção e eu quero que a tudo esteja alinhado quando eu assumir.

Lorena: Pai, qual a programação pro natal?

Capitão: O mesmo de sempre, princesinha. Você vem pra cá dia 24 mesmo? Essa época do ano é correria na pista, o alemão é colado na Penha, mas num é bom tu ficar zanzando de um lado pro outro. Tá geral de olho no trabalho que tu tá fazendo aí.

Lorena: Tô ligada. A mulher do Sábio, Lais, já te falei dela — relembro — chamou a gente pra passar a ceia na casa deles. O que você acha? — Vejo a água borbulhando e desligo o fogo

Capitão: Por mim tá fechado. Vou ligar pro Sábio pra combinar.

Lorena: Tá bom, paizinho. Qualquer coisa me avisa que eu volto praí correndo.

Capitão: Relaxa, princesinha. Daqui a pouco tá comigo de novo. Te amo, minha filha.

Lorena: Também te amo, pai.

Sonho dos crias [M]Onde histórias criam vida. Descubra agora