Capítulo 77 — Lorena
— Vou mandar o papo pra Rita brotar lá na boca hoje pra tu conversar com ela — Matheus diz enquanto passa a mão no meu cabelo — Eu posso ficar lá contigo.
Estamos deitados na cama, ainda tá cedo, então estamos agarradinhos, curtindo o pós-sexo que me deixou dolorida. Tava precisando disso, os últimos dias foram focados em alinhar os últimos detalhes pra guerra, perdi noites de sono planejando essa invasão e fugindo a todo custo de assuntos que envolvam a Rita.
— Não — nego sutilmente com a cabeça e me agarro mais ainda nele — Só quero pensar nisso depois da invasão.
— Tu tá há dias enrolando com esse assunto, Lorena — Ele passa a mão no rosto, um pouco desconfortável.
Já percebi que ele quer saber qual ligação a Rita tinha com a Tia Daiane, porque até onde a gente sabe, elas deviam se conhecer e toda aquela história dela dizer que uma amiga ensinou a receita de strogonoff tá martelando na mente dele.
— Não posso desfocar, Matheus, é burrice um dia antes da gente tentar tomar a Penha, eu revirar essa história — eu passo a mão no cordão de ouro fino que ele usa — Nem pra você isso vai ser bom, com certeza ela vai falar dos seus pais e isso é um assunto que desestabiliza nós dois.
— Se o resumo de amanhã for o que a gente planeja, tu nunca mais vai ter a oportunidade de bater de frente com o Capitão, tá ligada nisso, não tá? — ele diz, olhando pro teto, mas ainda fazendo carinho na minha cabeça — Era melhor conversar com ela antes disso passar.
— Matheus — chamo a atenção dele, que olha pra mim — Eu não quero que seja eu a matar o Capitão.
— Ele vai morrer, Loira — diz olhando nos meus olhos.
Sei que não fala por mal, só tenta, do jeito dele, me preparar pra uma coisa inevitável. Nem se eu quisesse e implorasse pro Matheus deixar meu pai viver, isso aconteceria. E também não quero ele vivo, porque não merece viver, e vou ajudar a caçar ele até no inferno, mas não gostaria de ter o sangue dele nas minhas mãos.
— Eu sei — Passo meus braços pelo pescoço dele — Esse velho tá fazendo hora extra na terra já, só não quero lidar com a culpa depois.
— Não vou deixar ninguém fazer isso na sua frente — me agarra mais na cintura e puxa o lençol um pra cima — Tá bom assim?
— Não, não perde a oportunidade só porque eu vou estar perto.
— Fica suave, minha loira. Vai dar tudo certo — ele garante e eu sorrio, porque confio demais no que ele diz.
— Vou passar o dia lá na Laís com Ceci, Kemily, Sol e Iracema — eu rio já prevendo a confusão de quando junta elas.
— Vai sair uma feijoadinha? — me pergunta sorrindo e eu admiro os olhos castanhos claro que ele tem.
Sou apaixonada em tudo nesse homem. Eu não sabia que era tão bom gostar de alguém e ter a segurança de ser amado de volta.
— Não sei o que elas vão inventar, mas, a partir da semana que vem, vou ter que ficar um tempo presa lá na Penha, aí queria ficar um pouquinho com elas. Cecília tá me tonteando com essa história já.
— Não pensa que tu vai tá soltinha quando tu for pra Penha não, ein? — ele me aperta mais forte e me encara — Seu homem sou eu.
— Se pra homem dono de morro é difícil ter uma mulher só, pra mulher dona de morro também deve ser bem complicado — provoco ele.
— Complicado vai ser o ko que tu vai arrumar comigo se continuar com essas graças — sobe a mão pro meu cabelo, puxando e me fazendo rir.
— Vou precisar de você, amor. Pelo menos no começo — dou um beijinho no queixo dele.
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Sonho dos crias [M]
FanfictionE fé no pai, sei Que todo mal contra mim vai cair por terra Nós gosta da paz, mas não fugimos da guerra Paz, justiça e liberdade, fé nas crianças da favela Eu vivo a vida e amanhã não me interessa Lorena, vulgo Princesa, tá terminando a faculdade d...
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