Capítulo 109 — Lorena
Passo a mão no rostinho da bebê do meu colo, reparando nos traços lindos dela. A sobrancelha e o narizinho são as partes que eu mais gosto.
— Oi, dindinha — sorrio, brincando com ela, que se espreguiça no meu colo — Ê soninho.
Abaixo a cabeça, passando o nariz na barriguinha da Dadai e sentindo o cheirinho mais gostoso do mundo. É isso aqui que faz meu coração se acalmar. É inacreditável eu amar tanto duas pessoinhas que não saíram de mim como eu amo Lucas e Daiane.
— E como você tá? Procurou o hepatologista? — Laís pergunta, me tirando do mundinho da Daiane.
— Ainda não consegui achar um nos moldes que eu preciso, mas tô correndo atrás. Matheus não deixa eu esquecer não — rio de lado.
— Também... O susto que você deu.. Não imagino você desmaiando no meio de uma missão, ele deve ter ficado louco.
— Não lembro do desmaio, mas ele ficou louco mesmo, quando eu acordei, ele tava desesperado — sorrio, olhando de volta pra neném no meu colinho.
— Esse homem é louco por você — Olho pra ela um segundo, vendo seu sorriso — Vocês dois juntos me deixam feliz, sério mesmo... Separados ele fica desajuizado e você... Você fica meio fria sem ele, não sei explicar, mas é muito melhor junto.
— Ele me dá um pouco de sangue quente e eu dou um pouco de sangue frio — sorrio.
— É, e vocês precisam disso demais. As coisas que tu consegue colocar na cabeça dele são coisas que ninguém mais tem a capacidade de colocar.
Eu concordo com a cabeça. Sei que tudo o que ela diz é verdade porque o que ele me causa, só ele também tem a capacidade de causar. Não dá pra explicar, só sentir. Com ele do meu lado, eu me sinto invencível, mesmo na dificuldade.
— O que você pensou quando descobriu que tava grávida? — pergunto sem olhar pra ela, ainda gravando cada pequeno traço da neném no meu colo.
— Depende — escuto ela rir — A primeira ou a segunda?
— A primeira.
— Nossa, senti muito medo — diz mais baixo, mas saudosa — Pensa, eu tinha brigado com meus pais pra seguir a vida com o Maurício, eu também não tinha uma sogra pra me acolher e me ensinar. Eu só pensava que eu não tinha a mínima noção do que fazer com uma criança.
— Foi assustador então — Daiane coloca a linguinha pra fora em mais um espreguiço.
— Muito, acho que foi a única vez que eu me senti realmente apavorada — ela para um segundo e eu a olho — Porque eu sentia medo quando o Sábio ia pra guerra, um receio sempre existiu, mas eu confiava tanto nele, eu achava que ele podia controlar tudo. Então, ele se foi e eu descobri que ele não tinha esse poder. Fiquei triste, arrasada, dilacerada, sozinha... Era muita dor, mas medo de criar meus filhos sozinha, não senti. Porque quando o Sábio morreu, diferente de quando eu descobri a gravidez do Lucas, eu já conhecia o amor de mãe. Eu já sabia do que eu era capaz de fazer pelos meus filhos e suportar a morte do pai deles, mesmo sendo o amor da minha vida, pra que eles sofressem menos era uma das coisas.
— Você é uma mãe foda — limpo uma lágrima que escorreu no meu rosto enquanto ela falava — Te admiro muito, em tudo. Né, neném? Você tem a mamãe mais braba — faço carinho da barriguinha da Daiane — E como foi contar pra ele? — Olho pra Laís — Se não quiser falar, não precisa, amiga.
— Não tem problema não — ela sorri — Foi bom ter contado pra ele logo. Foi o Maurício que me fez gostar da ideia de ser mãe e de estar grávida, ele quem me ajudou a transformar o medo por animação. Ele sempre disse que veio de uma família de muito amor e parceria e era isso que queria dar pros filhos dele.
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Sonho dos crias [M]
FanfictionE fé no pai, sei Que todo mal contra mim vai cair por terra Nós gosta da paz, mas não fugimos da guerra Paz, justiça e liberdade, fé nas crianças da favela Eu vivo a vida e amanhã não me interessa Lorena, vulgo Princesa, tá terminando a faculdade d...
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