Capítulo 61 – Lorena
Passo mais um pouquinho de gloss e me olho no espelho, prestando atenção na minha maquiagem. Eu não sei onde nós vamos, mas eu senti uma saudade de cuidar de mim, me maquiar, escolher uma roupa legal. Tô andando só de short, cropped, chinelo e cabelo preso num coque.
— Tá bom pro lugar que a gente vai? — pergunto pro Matheus, que tá sentado na cama e mexendo no celular.
Ele desvia o rosto do Iphone, me olha de baixo pra cima e sorri, sentando na cama.
— Porra, tá linda pra caralho — ele vem pra quina da cama.
— Tá muito aberto aqui na frente, não? — Passo a mão no decote trançado do meu vestido.
— Tá aberto pra caralho — ele passa a mão pela minha cintura — mas k.o nenhum, gostosa demais, minha loirinha.
Eu sorrio pra ele e olho pra trás, voltando minha atenção pro espelho.
— Até um pecado você chamar uma mulher dessa de loirinha — sorrio pra ele — um metro e setenta, lindo.
— Papo reto — ele ri — tá mais pra loirão com essa bunda.
Faço um carinho com a ponta da unha na nuca dele e ele bate com a palma da mão na minha perna, logo abaixo do vestido.
— Tá tudo bem mesmo a gente ir? Se não quiser, eu faço uma parada pra gente comer aqui.
Não quero que ele faça algo só pra me agradar e se sentir mal depois, culpado por tá vivendo a vida apenas uma semana depois do falecimento do irmão dele, tá tudo muito recente ainda.
— Não, po. Já falei, tá suave — ele levanta da cama, me pegando pela mão — Vamo fazer uma parada tranquila.
— O que? — eu pego meu celular na cama e sigo ele pra fora do quarto, que ri da minha pergunta.
— Vamo começar jantando em casa mermo.
— Tô morrendo de fome mesmo — aperto o botão do celular pra ver a hora — Já são nove horas da noite.
Sento na mesa e vejo risoto de camarão, Matheus sabe que eu amo camarão de todo jeito.
— Cara — eu digo e ele olha pra mim, enquanto senta na mesa também — tu tá muito romântico, não tô aguentando — sorrio.
— Se liga, eu sou um príncipe, porra — pega a travessa de risotto e começa a servir a gente — qualquer mina nessa favela daria tudo pra tá no seu lugar — fala todo convencido, só pra me perturbar.
Ô homem pra gostar de me provocar.
— Então, tamo de igual pra igual, aposto que essa favela toda também queria tá no seu lugar — eu pego o prato com o risotto e coloco na minha frente, fazendo minha cara de metida.
— Lorena, ninguém é nem maluco de pensar numa porra dessa — pega o prato dele — já tão ligado que eu ativo o modo psicopata perto de você.
— Até parece, só papinho isso aí — dou uma garfada no risotto, sentindo o gosto de queijo e limão siliciano. Porra, ele caprichou no jantar.
— Papinho? Pergunta pra Laís se o marido da prima dela não levou o dele pra ficar esperto — ele diz e eu espremo os olhos.
— Tá de sacanagem?
— To nada, po. Eu sou legal pra caralho, mas sou bandido, né, porra? Sou otário não. Teria feito da mesma forma com o Dom e com aquele outro menor lá, se tu já tivesse comigo oficialmente.
— Para de ser maluco, porra — eu rio do jeito que ele fala — Fica igual um cão de guarda aí.
— Tu não se olha no espelho — ele nega com a cabeça dando uma garfada no risotto — Porra, bom pra caralho.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sonho dos crias [M]
FanfictionE fé no pai, sei Que todo mal contra mim vai cair por terra Nós gosta da paz, mas não fugimos da guerra Paz, justiça e liberdade, fé nas crianças da favela Eu vivo a vida e amanhã não me interessa Lorena, vulgo Princesa, tá terminando a faculdade d...
![Sonho dos crias [M]](https://img.wattpad.com/cover/340302297-64-k343209.jpg)