Capítulo 81

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Capítulo 81 — Lorena
Cpx da Penha, minutos antes.

Desço um pouco antes da entrada, por onde sei que o Jogador foi, e estaciono a moto do menino num canto.

Confiro as munições das armas que eu tô e corro em direção à principal da favela, ouvindo a trocação. Consigo ver que nosso bonde já avançou bastante, porque da onde estou, não vejo ninguém, só ouço os tiros de longe.

Minha raiva é tão grande que não consigo nem sentir a emoção de estar de volta na comunidade onde eu nasci e cresci.

Avisto o 2w de longe, junto com outros dois soldados, os que ficaram na retaguarda, e dou um pique até eles.

— Cadê o chefe de vocês? — pergunto, mas eles ficam quietos — Foi atrás do Capitão — eu suponho.

— Caralho, Patroa, o homem vai ficar louco que tu tá aqui — 2W passa a mão no rosto.

— Loucura vai ser quando eu colocar a mão nesse filho da puta — aponto pra ele — Bora, você vai subir comigo, os dois aí, atividade.

— Patrão foi em direção da boca, chefona — 2W me avisa quando vamos subindo a comunidade, com cuidado.

— Tem problema não, ele vai atrás do Capitão depois — digo, prestando atenção na movimentação antes de cada passe — Vamos chegar antes.

— Vou ter que mandar o papo de que tu tá aqui comigo — ouço ele falar com preocupação e eu rio.

É incrível o medo que eles têm do chefe deles.

— Pode avisar — dou de ombros, seguindo em direção à minha antiga casa.

Sei que vai dar ruim pro 2W, se ele não falar que tô aqui. E o problema agora é entre eu e o Matheus.

Nós planejamos entrar na favela por todas as entradas principais, espremendo meu pai pro centro da comunidade. Conhecendo bem quem me criou, duvido que ele tenha saído de casa ainda.

O bonde que chegou antes de mim, avançou muito pra dentro da favela nessa altura do campeonato. Já sou capaz de ver gente da nossa facção nas esquinas e praças tomando de volta o lugar, inclusive alguns que eu vi entrar no crime aqui mesmo.

— Para — falo baixo e faço sinal pro 2W quando vejo um segurança do Maomé, sub do meu pai, passando em cima de uma laje do outro lado da rua.

Dois seguranças e,depois, o próprio saem da casa dele vigiando a rua. A matemática é rápida, quatro contra dois, mas nós temos a vantagem da surpresa, então indico pro 2W e a gente parte pra cima.

O que tava em cima da laje é o primeiro a cair com um tiro do 2W, um dos seguranças que estava na parte de baixo corre pra dentro da viela, deixando o Maomé e mais um na trocação com a gente.

A ideia de ir encurralando o bonde deles no centro do complexo da Penha permite que eu tenha esse confronto direto com o sub, o que não aconteceria nunca se tivéssemos optado apenas por chegar forte pela principal. Eles fugiriam, mas tá aí o problema de não tratar bem quem te conhece mais a fundo, ficou fácil pra mim e pro Dedé pensar como meu pai pensaria.

— O bom filho à casa torna, princesinha — Maomé grita do outro lado da esquina, tentando me desconcentrar, por isso não respondo — Vem pra dentro, porra.

Dou dois passos à frente, ficando desprotegida, mas acertando a cabeça do segurança e as duas pernas do Maomé, que cai no chão.

Corro até ele, sendo seguida e protegida pelo 2W. Chuto a perna e ele geme de dor, respirando fundo.

— Você não deveria ter ouvido o Capitão — digo, olhando nos olhos deles — Mas você é burro o suficiente pra ser uma peça num jogo que ele planejou pra um vencedor, ele.

Sonho dos crias [M]Onde histórias criam vida. Descubra agora